Literatura
A escritora Sally Rooney.

Sally Rooney revela uma versão melhorada de nós mesmos

‘Pessoas Normais’, segundo romance da irlandesa Sally Rooney, é uma narrativa puramente do século XXI, mas seu estudo dos afetos se conecta com o grande romance do século XIX

Crítica
Susan Sontag vista por Sciammarella.

Rol de acusações contra Susan Sontag

Benjamin Moser publica na terça-feira nos Estados Unidos uma biografia da autora de Diante da Dor dos Outros em que a acusa tanto de esconder sua homossexualidade como de não ser firme em seu compromisso feminista

Crítica literária
Moradores de rua descansam em frente a um grafite representando Bolsonaro e Trump.

‘O verão tardio’, de Luiz Ruffato, é alegoria de uma surdez coletiva

A desesperança presente no novo livro do escritor ecoa um estado de apatia do país escaparemos quando voltarmos a ouvir

Coluna
V. S. Naipaul, em 1992 em Paris.

Naipaul no mundo

Britânico é um escritor político mesmo quando conta histórias sobre sua família e sua vocação

Manuscritos de Arthur Conan Doyle exibidos na casa de leilões Christie’s, em Londres.

Quando Sherlock Holmes derrotou seu criador

Dois novos livros recordam a relação do escritor escocês com um personagem mais poderoso que seu autor Conan Doyle

arte
'A Negra' (1923).

Tarsila está no MOMA sem a sutileza nem o equilíbrio que merece

Museu exibe as pinturas biomórficas de Tarsila do Amaral, ponta de lança da modernidade brasileira que iniciou o Manifesto Antropófago

Crítica
A capa do livro editado pela Record.

O Eduardo Cunha imaginário

Livro que simula diário do ex-presidente da Câmara na cadeia só acerta quando parte para a sátira aberta

Literatura
Nuno Ramos em seu ateliê

Nuno Ramos: “Quando vi o Telê Santana treinar, lembrei do Antonio Candido”

O artista plástico e ensaísta Nuno Ramos fala sobre a importância e as diferentes dimensões do crítico literário que morreu nesta sexta

Literatura
O crítico literário em sua casa, em São Paulo

Antonio Candido, um professor de portas abertas

Morto nesta sexta, é autor de Formação da Literatura Brasileira , de 1959, uma pedra fundamental na ideia de país

Literatura
J. M. Coetzee visto por Fernando Vicente.

Coetzee se descola do mundo

‘The Schooldays of Jesus’, novo romance do Nobel sul-africano, é a continuação de ‘A Infância de Jesus’. O esquematismo não faz dele uma obra menor

Roberto Bolaño escreveu este romance quando sabia que estava condenado à morte e foi publicado um ano depois do seu falecimento. Salvo talvez seu título enigmático –o número de um ano tão distante–, nada revela aquela luta; tudo neste relato é a expressão jubilosa de uma imaginação em estado de graça: múltipla, rápida, nítida, joga com ecos da literatura mundial e outros da própria vida. É um pináculo das letras pós-modernas –embora o termo cheire a obviedade–, mas a verdade é que Bolaño é também um pós do chamado boomlatino-americano. Sua americanidade é talvez menos intensa, mas mais extensa, mais universal: boa parte de sua obra é um diálogo irônico com seus grandes predecessores. Os romances procuram pôr uma ordem, mas a Ordem é, no fundo, um reconhecimento e até mesmo uma homenagem à superioridade estética e epistemológica da Desordem e do Caos. '2666' se divide em cinco partes que se complementam e convergem. Uma nota manuscrita (reproduzida na edição mais recente) enumera o que chama de “linhas, pontos de fuga, folhetins” que o estruturam. Como 'Os Detetives Selvagens', '2666' começa como uma questão coletiva na qual viver e ler se entrelaçam; quatro jovens e desorientados filólogos querem saber mais sobre um misterioso escritor alemão, Benno von Archimboldi, do qual ninguém sabe nada. Mas em seus erráticos passos pelo campus global, acabam chegando (como no final de 'Os Detetives...') ao Estado mexicano de Sonora: a uma cidade que, sob o nome de Santa Teresa, esconde Ciudad Juárez. Nas duas partes seguintes viajam ao mesmo local um exilado chileno, Óscar Amalfitano, professor de filosofia à beira da loucura, e um jornalista afro-americano, Oscar Fate, cuja história é a imitação perfeita de um clássico romance noir. O folhetim final do livro conta a vida daquele que todos procuram, o escritor Archimboldi, que é um animado conto da Segunda Guerra Mundial na Europa. Que também desemboca em Santa Teresa, porque seu sobrinho é talvez um dos assassinos. E no meio, “A parte dos crimes”, narração concisa e aterradora dos feminicídios que desde 1993 tornaram tristemente célebre o nome de Ciudad Juárez. Esse vulcão de horrores é o centro de convergência das linhas, fugas e folhetins. E estas 400 páginas (das quais nenhum leitor sai ileso) dão sentido às outras 800. Um personagem de '2666' diz que prefere as obras breves às imensas (cita Billy Budd diante de Moby Dick, falando de Melville); Bolaño o escreveu porque, em seu caso, pensava o contrário. Não há dúvida de que é o mais admirável relato do último quarto de século. Talvez também seja o do imediatamente anterior e é muito possível que seja o do próximo/ JOSÉ-CARLOS MAINER

Os melhores livros em espanhol dos últimos 25 anos (mas você pode lê-los em português também)

50 críticos e escritores elegem os marcos da literatura latino americana e espanhola do último quarto de século

O LIVRO DA SEMANA
Elizabeth Bishop com seu gato Tobias, em 1954.

A verdade sobre Elizabeth Bishop

Volume único reúne toda a prosa da poeta norte-americana textos autobiográficos, crítica literária e correspondência

Fome no mundo
Uma criança come em perto de Cankuzo, Burundi.

Guerra ao filantrocapitalismo

Livro de David Rieff, filho de Susan Sontag, critica os que querem acabar com a fome apostando tudo na inovação do setor privado

Crítica

José Mujica, de presidente a estrela midiática do Uruguai

José Mujica quer acreditar em si mesmo como “um Quixote disfarçado de Sancho” e um “filósofo-rei” ilustrado

ESPECIAL
Da esquerda para a direita os escritores: Ricardo Piglia, Marta Sanz, Jaime Gil de Biedma, Svetlana Alexiévich, Michel Houellebecq e Inger Christensen; na frente, Ian McEwan, Élisabeth Roudinesco, Sara Mesa e Chantal Maillard.

Os 10 melhores livros de 2015

Diários, ensaio, poesia e prosa conquistam os primeiros lugares na votação dos críticos e colaboradores de Babelia , do EL PAÍS. Veja a seleção

Oliver Sacks
Oliver Sacks escreve em seu diário durante visita a Machu Picchu (Peru), em 2006.

Oliver Sacks, uma vida escrita até a medula

A prosa do neurologista explode em sua autobiografia, com uma evocação intensa da sua paixão literária e de seu imperativo vital

Crítica Literária

Uma história irreverente da física

O prêmio Nobel Steven Weinberg repassa com clareza e rigor a criação da ciência moderna de Tales de Mileto a Isaac Newton

CRÍTICA LITERÁRIA

Jane e Stephen Hawking: a história de uma mente brilhante

Frente a um filme tolo, ‘A Teoria de Tudo – A Extraordinária História de Jane e Stephen Hawking’ é retrato preciso de uma relação complexa

Verne

O que aprendi lendo somente livros escritos por mulheres

Não sinto que esteja renunciando a algo, mas sim que se abriu diante de mim um panorama totalmente novo

LIVROS
Manifestação de fevereiro em Atenas em apoio ao Governo grego.

O resgate do Estado de bem-estar

O legado mais negativo da crise, para López Garrido, é um modelo social ferido de morte e uma Administração enfraquecida

Leituras de Escritor
J. D. Salinger, por Sciammarella.

Quando diabos você vai crescer de uma vez?

Com Holden Caulfield milhões de pessoas se sentiram menos sozinhas ‘O Apanhador no Campo de Centeio’ exerce um poder extraordinário

Javier Marías lê o começo de 'Así empieza lo malo'.

Romances devem ser tão ambíguos quanto a vida, afirma Javier Marías

Críticos do EL PAÍS destacam a última obra do escritor Así empieza lo malo , escolhida como melhor livro de 2014 pela Babelia