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Europa vive crise de ovos contaminados. Entenda

Escândalo foi causado pelo contágio de ovos com o pesticida fipronil e já afeta 17 países, segundo a Comunidade Europeia.

crise de ovos
Uma caixa de ovos em Dresden (Alemanha). EFE

Quinze países da União Europeia, além de Suíça e Hong Kong, foram afetados pela crise provocada pela fraude dos ovos contaminados com fipronil um pesticida comumente utilizado tanto em cães e gatos no controle de pulgas, carrapatos e piolhos, mas cuja utilização é proibida em aves de granja , segundo informou a Comissão Europeia nesta sexta-feira. O escândalo vem gerando atritos entre Holanda e Bélgica, em função de dados essenciais supostamente não compartilhados sobre o uso do produto. Há granjas interditadas nestes países, bem como na Alemanha e França. O caso veio à tona na semana passada, provocando a retirada e milhões de ovos de supermercados alemães e holandeses. Entenda o que está acontecendo:

O que é fipronil? É um inseticida de amplo espectro que ataca o sistema nervoso central dos insetos. Descoberto pela empresa farmacêutica Rhône-Poulenc, é usado como antipulgas para animais domésticos porque acaba com elas em 48 horas. Proibido na Europa para os animais que entram na cadeia alimentar humana, a Organização Mundial da Saúde o considera “moderadamente perigoso”. O consumo de um produto contaminado pode causar náuseas, dores de cabeça e estômago. Em casos graves, afeta o fígado, rim e tireoide.

Como começou a crise? Supostamente importado da Romênia pela empresa belga Poultry-Vision, o pesticida foi misturado a outros inseticidas legais para melhorar seus efeitos. Chickfriend, a empresa holandesa que supostamente desinfectou as aves com o composto ilícito comprado da Bélgica, diz que não trabalhou em granjas de frangos destinados ao consumo. No entanto, a Holanda, que tem mais de 100 milhões de aves de granja e exporta milhões de ovos, desaconselhou no início de agosto sua ingestão pela população. O Serviço de Segurança Alimentar tinha encontrado fipronil em diversas concentrações, uma delas muito alta, em 28 amostras. Qualificou os ovos de nocivos para as crianças e o alarme nacional foi dado.

Como se descobriu a contaminação? A Bélgica garante que a Holanda recebeu em novembro de 2016 informações anônimas sobre o uso do produto em granjas, mas não investigou. Mesmo admitindo o alarme, os ministérios da Saúde e Agricultura holandeses destacam que não havia indícios de que a substância fosse chegar aos ovos. Só se falava da limpeza de aves e instalações. Os ministérios da Agricultura e da Saúde admitiram que não informaram o Parlamento em 2016 “porque na época havia uma investigação em andamento”. Alertaram, por sua vez, o Serviço de Segurança Alimentar quando a presença do fipronil foi constatada nas amostras de ovos de suas granjas este verão. Publicou-se, além disso, os códigos dos ovos considerados tóxicos. Os movimentos de 138 instalações foram bloqueados, e as investigações incluem até agora 180.

Todos os produtos contaminados foram retirados? Os ovos suspeitos foram retirados de lojas e supermercados, mas continua havendo doces, molhos e saladas que podem contê-los. Agentes da vigilância sanitária repassam agora todos os produtos, inclusive alimentos infantis, para elaborar uma lista exaustiva.

O que acontece se for consumido um ovo com fipronil? Como em outros casos, os especialistas afirmam que o consumo continuado pode ser perigoso, mas não o esporádico. Isso se deve à concentração do pesticida, que só seria daninha em grandes quantidades. É aconselhável descartá-los, sobretudo para evitar que crianças e grávidas se exponham desnecessariamente a possíveis perigos.

Como é o uso de fipronil no Brasil? Segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o ativo é autorizado para uso inseticida, formicida e cupinicida especialmente para aplicação no solo no cultivo de batatas, cana-de-açúcar e milho. Além da aplicação nas folhas das culturas de algodão, arroz, eucalipto e soja, dentre outros. Em junho de 2012, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), soltou um comunicado  restringindo a pulverização aérea de fipronil, bem os agrotóxicos imidacloprido, tiametoxam e clotianidina, no controle parasitário agrícola, pois essas substâncias seriam nocivas às abelhas.

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