Espanha restringe voos do Brasil e da África do Sul devido às novas variantes do coronavírus

De 3 a 17 de fevereiro, período que pode ser prorrogado, só serão aceitos voos ocupados por cidadãos espanhóis, de Andorra e residentes nesses dois países, ou que façam escala de menos de 24 horas

Um passageiro no aeroporto de Barajas, em Madri, em dezembro.
Um passageiro no aeroporto de Barajas, em Madri, em dezembro.SUSANA VERA (Reuters)

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O Conselho de Ministros da Espanha aprovou nesta terça-feira a ampliação das restrições de entrada de voos procedentes do Brasil e da África do Sul devido às variantes detectadas do coronavírus nesses países. A porta-voz, María Jesús Montero, informou em entrevista coletiva que a medida entrará em vigor nesta quarta-feira às 9h de Madri (13h de Brasília) e valerá pelo menos até o dia 17, e poderá ser prorrogada em função da evolução da pandemia.

Durante esse período, só poderão chegar à Espanha voos ocupados por cidadãos espanhóis, andorranos ou residentes nesses dois países, ou por passageiros em trânsito internacional para um país que não faça parte do espaço Schengen, com escala inferior a 24 horas, sem abandonar a área de trânsito do aeroporto.

Montero explicou que as medidas se enquadram na “ação resoluta do Governo de proteger a saúde dos cidadãos e conter a progressão da doença”, em sintonia com as recomendações da União Europeia (UE).

Na segunda-feira, a ministra espanhola de Assuntos Exteriores, UE e Cooperação, Arancha González Laya, já havia informado que o Governo estudava a adoção de medidas para evitar a chegada das novas cepas detectadas em outros países. Ela disse que o objetivo é “evitar o contágio daquelas cepas que viajam mais rápido, que são transmitidas mais rápido e que fazem esta pandemia crescer de maneira exponencial”.

Quando foram descobertos os primeiros casos da variante sul-africana no Reino Unido, no final de dezembro, o ministro britânico da Saúde, Matt Hancock, disse que ela é “muito preocupante, porque sua transmissibilidade é ainda maior e sofreu mutação mais rapidamente do que a variedade recém-descoberta no Reino Unido”.

“Tanto a variante do Reino Unido como a sul-africana apresentam alterações genéticas na espícula [a proteína que envolve o vírus, chamada assim por seu perfil pontiagudo, que tem um papel-chave em sua aderência à célula humana] que sugerem que são mais infecciosas. Mas as normas-padrão para evitar o contágio [lavar as mãos, usar máscara e manter distanciamento social] devem ser suficientes para conter a transmissão”, explicou Lawrence Young, professor de Oncologia Molecular da Escola Médica de Warwick, ao site de informação científica SMC.

A variante brasileira também preocupa as autoridades sanitárias. Em meados de janeiro, o Japão identificou uma nova cepa do vírus em viajantes procedentes do Amazonas, onde a situação é cada vez mais grave: com o avanço da covid-19, Manaus está sofrendo uma crise de fornecimento de oxigênio aos hospitais. Por enquanto, os cientistas ainda não sabem até que ponto a nova variante do coronavírus detectada em Manaus é responsável pelo segundo colapso do sistema sanitário do Amazonas, embora haja grandes possibilidades de que ela tenha influído.

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