Greta Thunberg: ‘A COP26 é um fracasso’
Milhares de jovens, convocados pelo movimento Fridays For Future, pedem mais ação e menos “blá-blá-blá” dos países que se reúnem na Cúpula do Clima
“Não é segredo que a COP26 é um fracasso. Quanto tempo vai levar para os políticos acordarem? A Cúpula do Clima se tornou um festival de duas semanas para lavar sua consciência, e tudo continua igual e tudo é blá-blá-blá.” Mais uma vez, e diante dos milhares de manifestantes que aguardavam seu discurso na George Square, Greta Thunberg se mostrou taxativa no primeiro protesto em massa contra a cúpula do clima, quase uma semana depois de seu início, em Glasgow. “As vozes das gerações futuras estão sendo ignoradas com suas falsas promessas”, acrescentou a ativista.
Antes do pronunciamento de Greta Thunberg, milhares de manifestantes, atendendo a uma convocação da plataforma Fridays For Future, pediram nas ruas mais ações e menos palavras dos Governos que estão negociando medidas contra as mudanças climáticas na COP26, após quase uma semana de grandes discursos.
Ao grito de “O povo unido jamais será vencido” e “O que queremos? Justiça climática. Quando a queremos? Já!” caminhavam muitos jovens de povos indígenas da Amazônia, de outras regiões da América Latina e da Ásia e também ativistas de diferentes países africanos, que encabeçaram a comitiva desse protesto. Os muitos representantes do Sul global também se juntaram a ambientalistas e membros da sociedade civil da capital escocesa. “”Eu me manifesto porque queremos mudanças, porque queremos ter um futuro”, clamava Siobhan Scott, uma jovem de 18 anos de Glasgow.
Another world is necessary.
— Vanessa Nakate (@vanessa_vash) November 5, 2021
Another world is possible.
This is just a glimpse of it. https://t.co/FzuMVUAHtW
A capital escocesa amanheceu nesta sexta-feira repleta de cartazes que diziam: “Ação climática até agora: Blá-blá-blá”. Blá-blá-blá se tornou a expressão mais repetida entre os milhares de ativistas que vieram à cidade escocesa para protestar contra a inação dos Governos no compromisso de conter o aquecimento do planeta a 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais.
Thunberg, que antes do início da cúpula havia antecipado que não compareceria à sede da COP26, encerrou seu discurso questionando a lucidez dos líderes políticos por assumirem que a humanidade pode sobreviver a um aumento de 2,7 ° C ou 3 ° C. “O que devemos nos perguntar é por que estamos lutando? Para salvar o mundo ou manter tudo igual? Os líderes podem permanecer em sua bolha, mas a história os julgará. E nós não aceitaremos.”
“De quantas COPs mais eles vão precisar para que saibam que sua inação não salvará o planeta?”, lamentou Vanessa Nakate, uma ativista de Uganda, que recentemente foi capa da revista Time por seus esforços contra as mudanças climáticas. “Nós, africanos, estamos sofrendo por que os africanos e as pessoas do Sul Global não estão na primeira página dos jornais nem nas conversações em que se decide a luta contra o aquecimento.” “As ações de vocês contam, não há voz pequena para conseguir a mudança. ”Por fim, Nakate pediu união e amor para se continuar lutando por justiça climática.
“Estamos aqui para denunciar a política genocida do nosso Governo. Defendemos nossos territórios com nossas vidas, nossos irmãos, irmãs e filhos estão morrendo”, disse uma das participantes indígenas da Amazônia brasileira, que gritaram ‘Fora Bolsonaro’ no palco principal da George Square em várias ocasiões durante seus discursos.
#COP26 has been named the must excluding COP ever.
— Greta Thunberg (@GretaThunberg) November 4, 2021
This is no longer a climate conference.
This is a Global North greenwash festival.
A two week celebration of business as usual and blah blah blah.
Outros ativistas contra as mudanças climáticas pediram no México justiça para Samir Flores, ambientalista assassinado em outubro passado e um dos principais opositores da construção da termelétrica Huexca, no Estado de Morelos.
O protesto desta sexta-feira foi o prelúdio para a grande manifestação pelo clima no sábado, para a qual os organizadores esperam 100.000 manifestantes em Glasgow. Diferentes entidades organizaram protestos em 200 lugares de 20 países em todo o mundo, que ocorrerão ao mesmo tempo que o da capital escocesa, portanto, centenas de milhares de pessoas se juntarão à manifestação.
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