Governo de Pedro Castillo dará subsídio de 85 dólares a mais de 13 milhões de pessoas

Executivo destinará mais de 1,2 bilhão de dólares à assistência, que será entregue uma única vez

Um pintor de paredes caminha com uma escada nas costas enquanto trabalha nas fachadas das casas de San Cristóbal, em 18 de agosto passado, em Lima.
Um pintor de paredes caminha com uma escada nas costas enquanto trabalha nas fachadas das casas de San Cristóbal, em 18 de agosto passado, em Lima.Paolo Aguilar (EFE)

O Governo de Pedro Castillo destinará mais de 1,2 bilhão de dólares (6,5 bilhões de reais) em subsídios para quem tem renda familiar inferior a 732 dólares (cerca de 4.000 reais) mensais no Peru, anunciou nesta sexta-feira a ministra de Inclusão e Desenvolvimento Social, Dina Boluarte, num contexto de aumento dos preços de gás, eletricidade e alimentos que dependem de insumos importados, como o frango. Esta semana, a cotação da moeda norte-americana chegou a 4,11 sóis , o máximo histórico. Por causa da pandemia, em 2020 a economia peruana caiu 11% e a pobreza aumentou em 10 pontos percentuais (três milhões de pessoas a mais), o que significa que um terço da população não pode satisfazer suas necessidades básicas.

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Boluarte anunciou que o subsídio, chamado Yanapay (solidariedade, em quéchua), chegará a cerca de 13,5 milhões de pessoas em 7,9 milhões de lares. Beneficiará os receptores dos programas sociais, as pessoas em situação de pobreza e pobreza extrema, as famílias sem renda proveniente do mercado de trabalho, aposentados e jovens que trabalham como estagiários ou bolsistas. A ajuda, entregue uma única vez, será de 85 dólares por adulto. Uma quantia semelhante será recebida por filho dependente.

O Ministério de Inclusão e Desenvolvimento Social prevê que os pagamentos começarão em setembro para os beneficiários dos programas sociais Juntos (famílias vulneráveis com filhos recém-nascidos ou em idade escolar), Pensión 65 (idosos em extrema pobreza) e Contigo (cidadãos com deficiência grave que não podem satisfazer suas necessidades básicas). Os pagamentos seguintes, no mesmo mês, serão para pessoas com carteiras digitais, correntistas e para residentes em comunidades rurais onde não existe sistema financeiro.

O último grupo a receber o subsídio, a partir de dezembro, será o das pessoas que não possuem conta bancária. Em 2020, durante os Governos dos presidentes Martín Vizcarra e Francisco Sagasti, o pagamento das assistências para aliviar o impacto econômico da pandemia teve graves problemas de demora, deficiências na elaboração da lista de beneficiários e contágios de covid-19, tanto nas agências bancárias por causa das aglomerações como de cidadãos indígenas que precisavam viajar de suas comunidades às zonas urbanas para receber.

O ministro da Economia, Pedro Francke, afirmou que o Governo destinará 5,145 bilhões de sóis para os subsídios, que serão de utilidade para as pessoas afetadas pelo aumento “temporário” dos preços do gás, da eletricidade e de alguns alimentos. “[A ajuda] serve para promover o consumo porque as famílias poderão ir aos mercados”, completou.

Desconfiança na distribuição

A presidenta da Rede de Cozinhas Comunitárias da Região Metropolitana de Lima, Fortunata Palomino, recebeu o anúncio com reservas, devido aos problemas que houve na distribuição do auxílio à pandemia em 2020. “Qualquer dinheirinho que vier será bem-vindo, mas os bônus devem ser bem focalizados: eles deveriam esclarecer quem recebe. Alguns beneficiários dos programas sociais talvez estejam mortos. Havendo tanta fome, tanta necessidade, existem casos importantes que o Governo deveria avaliar. Há famílias que estão em situação muito difícil, que perderam postos de trabalho, avós que ficaram com seus netos porque o pai taxista morreu”, explica a dirigente.

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Palomino disse que o Governo ainda não destinou recursos para as 2.371 cozinhas comunitárias que alimentam cerca de 250.000 famílias na área metropolitana de Lima. São estabelecimentos solidários das comunidades, onde as líderes buscam doações de alimentos e dinheiro para comprar combustível e insumos, preparando cafés da manhã e almoços vendidos a preço simbólico ― cerca de 40 centavos de dólar (2,15 reais). No entanto, cada vez conseguem menos doações e tiveram que reduzir a quantidade de refeições que preparam.

O ex-ministro da Economia Alonso Segura disse à emissora Radiprogramas que a entrega do subsídio é uma “recomendação para as famílias que não puderam normalizar sua situação”. “Certamente é um alívio temporário, as cifras de junho são muito negativas. Houve redução de mais de 2 milhões de empregos em comparação com 2019, e a renda familiar proveniente do trabalho caiu 16% em relação a esse ano. É uma situação bastante dramática do mercado de trabalho”, disse o economista.

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