Pandemia de coronavírus

Itália terá confinamento durante as festas de Natal, ano-novo e Dia de Reis

Governo decreta o fechamento do país, que será suavizado alguns dias no meio dos feriados, mas está proibido viajar de um município a outro para visitar parentes ou amigos

Agentes da Polícia local de Milão regulam a entrada na galeria Vittorio Emanuele.
Agentes da Polícia local de Milão regulam a entrada na galeria Vittorio Emanuele.MATTEO CORNER / EFE

A Itália estará blindada durante as festas de fim de ano e Dia de Reis. Os dados e os erros acumulados não permitem outra coisa. O índice de contágio passou de 0,82 para 0,86, o número de óbitos chegou a 674 nesta sexta-feira e o índice de positividade ultrapassou 10%. Sem muita margem, a linha dura se impõe dentro do Governo, que ao longo do dia teve um debate muito acalorado entre suas diferentes correntes políticas. As medidas serão aplicadas de 23 de dezembro a 7 de janeiro e terão dois níveis: vermelho e laranja. Na semana dos feriados e dias de véspera, ou seja, 10 dias inteiros, o país estará no limite máximo de restrição e em confinamento quase total, durante o qual será proibido se deslocar entre municípios para comemorar com parentes ou amigos. Nos outros quatro dias será permitido um maior grau de circulação e abertura de lojas. Pouco mais.

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O primeiro-ministro Giuseppe Conte resistiu até o último momento para que a Itália não se submetesse a um nível tão severo de restrições. Conte, pressionado pelos empresários, defendia medidas mais amenas para proteger a economia numa altura do ano particularmente importante. Mas a linha do Partido Democrático, que era a favor de restrições ainda mais duras do que as que acabaram sendo decididas, acabou prevalecendo.

A Itália permanecerá confinada 10 dias dos 14 que durará o período das festas (de 23 de dezembro a 7 de janeiro). Nesses dias —nível vermelho— só se poderá sair de casa com uma autocertificação que comprove motivos essenciais (como trabalhar ou comprar comida). Os bares e restaurantes permanecerão fechados e as lojas que não forem de serviços básicos também não poderão abrir. É a mesma situação vivida pelas regiões com mais contágios nas últimas semanas.

Nos demais dias (de 28 a 30 e em 4 de janeiro), o país passará por um regime um pouco mais flexível que permitirá a abertura de lojas, mas não de bares e restaurantes. Basicamente, esse parêntese tem como objetivo salvar alguns dias de compras natalinas e atividades comerciais. Mas, se a ajuda não chegar, denunciou a oposição, a temporada será desastrosa. Principalmente considerando que não houve medidas de prevenção para a situação.

A circulação ficará limitada ao próprio município durante os 14 dias. Somente quem mora em cidades pequenas poderá viajar até 30 quilômetros de distância. Mas aqueles que desejam viajar dentro dessas limitações, só poderão fazer isso de dois a dois ou com filhos menores de 14 anos. Ou seja, uma pessoa que vá visitar a mãe, por exemplo, pode ir no máximo acompanhada por outro adulto e por menores de 14 anos. A mesma regra será aplicada para visitar a casa de um familiar nos dias de jantares e celebrações de Natal e ano-novo. Se uma família excede esse número de membros, não poderá comparecer a uma celebração em outra casa. No caso de não parentes, só podem ser convidados aqueles com os quais haja um relacionamento de casal, não os amigos. Uma regra, de novo, tênue demais para ser respeitada.

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