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Palmeiras supera o Flamengo na prorrogação e é tricampeão da Libertadores

Deyverson decide a vitória por 2 a 1 no tempo extra, após erro de Andreas Pereira. É o bicampeonato do treinador Abel Ferreira e o terceiro título do clube alviverde, que une 2021 às conquistas de 2020 e 1999

Felipe Melo ergue a taça diante da comemoração palmeirense.
Felipe Melo ergue a taça diante da comemoração palmeirense.JUAN MABROMATA (AFP)
Diogo Magri

O tira-teima entre os últimos campeões continentais terminou com festa verde e branca. O Palmeiras venceu o Flamengo por 2 a 1 na tarde deste sábado, no estádio Centenário de Montevidéu, Uruguai, e conquistou a Copa Libertadores 2021. Um gol de Deyverson, aos quatro minutos da prorrogação, decidiu a final mais esperada do futebol sul-americano de clubes. Antes, Raphael Veiga abriu o placar no primeiro tempo, e Gabigol havia empatado na etapa final. É a terceira vez que o Palmeiras se torna campeão da América do Sul, a segunda seguida sob o comando do treinador Abel Ferreira, que consolida uma era vencedora para o clube. Os palmeirenses se candidatam agora ao título mundial, que será disputado em meados de fevereiro, nos Emirados Árabes Unidos.

O primeiro tempo já começou com superioridade palmeirense. Logo aos seis minutos, Gustavo Gómez lançou Mayke nas costas da defesa rubro-negra. O lateral cruzou rasteiro, para a entrada da área, onde Raphael Veiga apareceu para bater de primeira, de canhota, e fazer 1 a 0. Com o controle da partida, o Palmeiras soube se defender e levar mais perigo nos contra-ataques até o intervalo. Na única boa chance do Flamengo durante o primeiro tempo, aos 42 minutos, Arrascaeta parou em ótima defesa de Weverton.

Mas a postura do time carioca mudou no segundo tempo. O Flamengo voltou mais ligado, empurrando o Palmeiras contra seu próprio gol. E chegou ao empate aos 28 minutos, quando Gabigol tabelou com Arrascaeta pela esquerda e bateu no canto de Weverton. Michael, que foi colocado no jogo por Renato Gaúcho, ainda perdeu um gol na cara de Weverton. O 1 a 1 persistiu e levou a decisão à prorrogação.

O período extra trouxe ares ainda mais tensos em Montevidéu. Com poucos minutos no cronômetro, qualquer erro seria decisivo. E, aos quatro minutos de prorrogação, o rubro-negro Andreas Pereira dominou um passe de David Luiz no campo de defesa, mas tropeçou ao tentar tocar na bola. Era o último homem flamenguista, e foi desarmado por Deyverson. Assim como Breno Lopes, herói improvável do último título do Palmeiras, Deyverson é um atacante reserva que havia entrado no jogo minutos antes. Para a alegria do palmeirense, o destino se repetiu. O camisa 9 carregou a bola e, na cara do goleiro, bateu de canhota. A bola ainda desviou nos pés de Diego Alves antes de morrer no fundo do gol. Palmeiras 2 a 1, e não houve tempo para reação. Palmeiras tricampeão da América.

“Esse gol é para toda a minha família. Para minha esposa e filhas. Para as minhas avós, que não estão mais aqui. Se eu pudesse, doava toda a minha saúde para ter elas de volta”, disse o herói artilheiro em entrevista ao FOX Sports. “Eu te amo, Palmeiras. O meu sangue sempre será verde”, completou. Destaque também para o zagueiro paraguaio Gómez, que criou o primeiro gol e ganhou quase todas as disputas na defesa. Ele foi eleito o melhor jogador da final.

O Palmeiras une a conquista de 2021 às de 2020 e 1999 e se junta a São Paulo, Grêmio e Santos, os times brasileiros que mais venceram a Libertadores. É o bicampeonato seguido do treinador português Abel Ferreira, que chegou há pouco mais de um ano ao Brasil. Ele também se torna o primeiro europeu a realizar tal feito. O esporte é coletivo, mas a vitória não deixa de ter o rosto de Abel —um profissional que, desde a estreia, transformou um elenco robusto num time competitivo e vencedor. Com seguidos títulos estaduais, nacionais e continentais recentemente, o Palmeiras se consolida frente ao seu principal rival nos últimos anos do futebol brasileiro. O maior campeão do país, cuja torcida tem obsessão pela Copa Libertadores, também assume papel de soberano na América do Sul.

Deyverson comemora, Diego Alves lamenta e a bola morre no fundo do gol.
Deyverson comemora, Diego Alves lamenta e a bola morre no fundo do gol.EITAN ABRAMOVICH (AFP)

Com Anitta e sem Bolsonaro

Antes do jogo, o evento no Uruguai teve a apresentação da cantora Anitta, que tinha a missão de agitar as torcidas com os hits Me gusta e Combatchy. Com capacidade para 60.000 pessoas, o Centenário não estava lotado. Foram disponibilizados cerca de 13.000 ingressos para cada torcida —fora uruguaios e convidados da Conmebol—, dos quais todos os rubro-negros foram vendidos, mas 6.000 não foram comprados por palmeirenses. Portanto, a maioria era flamenguista nas arquibancadas. O principal motivo para uma final única que não encheu o estádio é financeiro: o ingresso mais barato para a decisão custava 1.100 reais, o exato valor de um salário mínimo no Brasil.

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, não compareceu ao evento no Uruguai. Ele apenas publicou em suas redes sociais uma foto assistindo à decisão em São José dos Campos, interior de São Paulo. Assumidamente palmeirense, ele disse que “somos todos Flamengo” durante discurso no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (26), mas lembrando como contexto que o time rubro-negro foi derrotado pelo Liverpool na última vez que ele deu essa declaração. “Assim como falei em 2019 e deu certo”, completou. Bolsonaro já apareceu publicamente usando camisas de ao menos 72 equipes brasileiras de futebol.

A transmissão da final da Libertadores dominou a audiência nas principais praças do país, especialmente na televisão aberta. Por volta das 17h (horário de Brasília), início do jogo, o SBT já marcava 24.7 pontos de audiência, contra 7.5 pontos do Caldeirão na Globo em São Paulo. Às 17h30, passou os 28 pontos no Rio de Janeiro e os 26 pontos em São Paulo, e assim permaneceu até o fim, por volta das 19h30. O assunto também tomou conta dos trending topics do Twitter desde a manhã deste sábado, chegando a preencher todos os 10 tópicos mais comentados da rede social ao longo da partida.

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