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Palmeiras vence o Vasco e leva o Brasileirão pela décima vez

Depois de ficar marcado pelo 7 a 1, Felipão ressurge com campanha irretocável no campeonato, que culmina no décimo título nacional do alviverde

Palmeirenses comemoram gol contra o Fluminense, na 35ª rodada.
Palmeirenses comemoram gol contra o Fluminense, na 35ª rodada.Paulo Whitaker / Reuters

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Na última semana, o Allianz Parque, arena que substituiu o estádio Palestra Itália, completou quatro anos. Sua inauguração, em 19 de novembro de 2014, não traz boas recordações para os donos da casa: o Palmeiras perdeu para o Sport por 2 a 0, gols de Ananias e Patric. A terceira derrota seguida, às vésperas do fim do campeonato, ameaçou a equipe alviverde, que só se livrou do rebaixamento na última rodada, em pleno ano do centenário. Nem o palmeirense mais otimista imaginava, naquela época, que o Allianz seria um dos pilares de um time campeão, que levantaria taças como a Copa do Brasil 2015 e o Brasileirão 2016 no mesmo gramado. A façanha mais recente veio neste domingo; com a vitória sobre o Vasco em São Januário por 1 a 0, o Palmeiras sagrou-se decacampeão brasileiro e levantará mais um troféu em sua arena no jogo festivo, contra o Vitória, na semana que vem.

Confortável financeiramente graças ao patrocínio da Crefisa, a renda dos jogos em casa e o programa de sócio-torcedor, o Palmeiras amargou em 2017 a primeira temporada completa sem títulos na nova casa. Depois de o elenco milionário não decolar com Eduardo Baptista, Cuca ou Alberto Valentim, o presidente Maurício Galiotte escolheu Roger Machado para assumir o time este ano. “O ideal é que o treinador tenha tempo para trabalhar, para implementar sua metodologia. Roger terá tempo e confiança”, disse Galiotte ao EL PAÍS na época. Lucas Lima, Gustavo Scarpa, Marcos Rocha, Weverton, Diogo Barbosa e Gustavo Gómez foram contratados ao longo da temporada, reforçando o plantel que já era considerado o melhor do futebol brasileiro.

A paciência com Roger, entretanto, não foi muito longe. Ele acabou demitido em 26 de julho, com 27 vitórias, oito derrotas e nove empates, um vice no Paulistão para o Corinthians e a melhor campanha da Libertadores, onde venceu o Boca Juniors na Bombonera. O Palmeiras era o sexto colocado do Brasileirão e o treinador foi o primeiro, desde que a Libertadores passou a ter oito grupos (em 2000), a fazer a melhor campanha da primeira fase e ser demitido antes das oitavas. “Não mudamos de treinador por causa de um resultado. A gente notou, nos últimos jogos, que o Palmeiras caiu de rendimento”, justificou o presidente. O substituto escolhido levantou discussão; com a imagem desgastada pela pecha do 7 a 1, Luiz Felipe Scolari foi anunciado como novo treinador palmeirense.

Ídolo da torcida, Felipão, com 70 anos recém-completados, remou contra a maioria dos prognósticos. Nas Copas, onde ele sempre teve mais destaque em sua carreira, caiu duas vezes nas semis, para Boca Juniors, na Libertadores, e Cruzeiro, na Copa do Brasil. A regularidade da equipe de Scolari se provou nos pontos corridos, onde ele não perdeu nenhum jogo desde que assumiu. Felipão estreou contra o América-MG pelo Brasileirão, em agosto, quando empatou por 0 a 0. Até o Vasco, foram 21 jogos no campeonato, com 15 vitórias e seis empates. A série palmeirense, que chegou a 22 jogos sem derrota, é a maior da história do Campeonato Brasileiro. "O saldo é bem interessante. O grupo é muito bom e quem entra no jogo faz a diferença. Estamos bem contentes", admitiu o auxiliar Paulo Turra ainda em setembro, quando o alviverde chegou a dez jogos de invencibilidade.

O Palmeiras ultrapassou os líderes do campeonato tendo vantagem em todos os confrontos diretos do segundo turno. Fora de casa, sobreviveu ao empatar com Internacional (0 a 0), Flamengo (1 a 1) e Atlético Mineiro (1 a 1), além de derrotar o São Paulo (2 a 0), então líder da competição, quebrando um tabu de 16 anos sem vitória no Morumbi. Em casa, bateu adversários tradicionais como Corinthians (1 a 0), Cruzeiro (3 a 1), Grêmio (2 a 0) e Santos (3 a 2), além dos piores colocados da tabela. A sequência palmeirense quase perfeita catapultou a equipe do sexto ao primeiro lugar e acabou com o equilíbrio que se desenhava entre os postulantes ao título.

O time de Felipão se notabilizou por um futebol que não prioriza a posse de bola, seguro na zaga e eficiente na frente. Na metade de outubro, até o treinador confessou que desejaria mudar: “O que podemos melhorar um pouco é o trabalho de bola. Normalmente, a gente faz isso nos treinamentos para que haja uma evolução maior, para trabalhar mais a bola”. Mesmo assim, o ponto alto do Palmeiras foi a defesa, que sofreu apenas nove gols em 21 jogos: começando pelo goleiro Weverton, que superou os concorrentes Prass e Jaílson na titularidade, e passando pelos seguros laterais Marcos Rocha e Victor Luís, que revezaram com Mayke e Diogo Barbosa. No centro da defesa, o campeão olímpico Luan se firmou com Felipão, seja ao lado de Gustavo Gómez ou Edu Dracena. Protegendo a zaga, os dois volantes titulares, Bruno Henrique e Felipe Melo, se destacam mais pelas características defensivas, mas também foram importantes no ataque com oito e dois gols marcados, respectivamente.

A fartura de opções no elenco permitiu ao Palmeiras ficar entre os quatro primeiros nos quatro campeonatos que disputou em 2018. Felipão alternou as peças sem afetar a competitividade da equipe. Thiago Santos, Moisés, Scarpa, Willian, Deyverson, Hyoran e Borja foram importantes em momentos diferentes do Brasileiro, seja em formações consideradas alternativas por conta de compromissos pela Libertadores ou não. Lucas Lima e Dudu sobressaíram; enquanto o meia lembrou os melhores momentos pelo Santos, o atacante é a principal referência palmeirense dentro de campo – ele foi líder em assistências do time (11) e quarto maior artilheiro (sete gols), atrás de Willian, Bruno Henrique e Deyverson.

Depois de superar dois rebaixamentos em uma década, o Palmeiras colhe os frutos de mais um ano ditado por boa administração financeira, consequência da parceria com a Crefisa, dos aportes providenciais do ex-presidente Paulo Nobre e do dinheiro proveniente da combinação entre o ingresso mais caro e a segunda melhor média de público do país. Mais encorpado e calejado, o alviverde se credencia novamente como um dos favoritos para a Libertadores de 2019, grande sonho palmeirense 20 anos depois da única conquista continental do clube. Justamente sob a batuta do agora revigorado Felipão.

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