Pandemia de coronavírus

Argentina, Brasil e México liderarão o aumento regional da pobreza devido à pandemia de coronavírus

O último relatório da Cepal para a América Latina prevê uma queda de 9,1% no PIB e o fechamento de 2,7 milhões de empresas

Catador de recicláveis carrega lixo em Buenos Aires, em 10 de julho.
Catador de recicláveis carrega lixo em Buenos Aires, em 10 de julho.Juan Ignacio Roncoroni / EFE

Os pobres das três principais economias da América Latina ficarão com a pior parte do desastre econômico causado pela pandemia de coronavírus. A Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina e o Caribe (Cepal) alertou em suas últimas previsões para a região que a pobreza crescerá 10,8% na Argentina, 7,7% no Brasil e 7,6% no México, números até três vezes maiores que as previsões para o resto dos países. A agência da ONU alertou que a atividade econômica está caindo mais do que o previsto há alguns meses, quando o impacto da crise decorrente da covid-19 ainda não estava claro. De qualquer forma, 2020 será terra arrasada para a América Latina: o PIB cairá 9,1%, haverá 45,4 milhões de novos pobres, 8,5 milhões de empregos serão perdidos nos próximos seis meses e 2,7 milhões de empresas fecharão as portas.

As projeções econômicas para 2020 não têm fundo. O quinto relatório especial sobre a pandemia apresentado pela Cepal, intitulado Enfrentar os efeitos crescentes da covid-19 para uma reativação com igualdade: novas projeções, adverte que os efeitos serão tão devastadores que o PIB per capita dos latino-americanos cairá para valores de 2010, o que implica um retrocesso de 10 anos nas receitas. Como a região está agora no epicentro da pandemia, a situação pode piorar ainda mais.

“A produção industrial do México caiu 29,3% em abril em relação ao mesmo mês do ano passado, enquanto a atividade total da economia no mesmo período diminuiu 26,4% na Argentina, 15,1% no Brasil, 14, 1% no Chile, 20,1% na Colômbia e 40,5% no Peru”, afirma o relatório da Cepal. Com base nesses dados, a agência projeta, para o conjunto da região, “uma queda média do PIB de 9,1% em 2020, com reduções de 9,4% na América do Sul, 8,4% na América Central e no México e 7,9% no Caribe”.

O impacto na atividade será transferido para outros indicadores. “Agora se espera um aumento ainda maior do desemprego, o que, por sua vez, causará uma deterioração importante nos níveis de pobreza e desigualdade”, disse a secretária-executiva da Cepal, Alicia Bárcena, durante a apresentação por videoconferência desde Santiago. A Argentina será o país mais castigado da região, com um aumento no número de pobres de 10,8% em relação a 2019. O país já atravessava dois anos de recessão e cessação de pagamentos de sua dívida externa quando surgiu o vírus. Será seguido pelo Peru, com um aumento de 9,3%, e pelas duas maiores economias da região: Brasil e México. “Por sua vez, a pobreza extrema aumentaria principalmente no Brasil, Colômbia, Equador, El Salvador, México e Nicarágua”, afirma a Cepal.

Enquanto isso, o desemprego ficará em torno de 13,5% no final do ano, o que representa uma revisão para cima de dois pontos em relação ao relatório apresentado pela Cepal em abril e de 5,4 pontos comparado com 2019. “Com a nova estimativa”, diz a Cepal, “o número de desocupados chegaria a 44,1 milhões de pessoas, o que representa um aumento de quase 18 milhões em relação ao nível de 2019. Estes números são significativamente maiores do que os observados durante a crise financeira mundial, quando a taxa de desemprego aumentou de 6,7% em 2008 para 7,3% em 2009.”

O relatório destaca a importância dos pacotes fiscais anunciados pelos diferentes países para compensar o impacto econômico da emergência sanitária. Mas “à medida que o confinamento se estende, são necessários esforços adicionais para satisfazer as necessidades básicas e sustentar o consumo das famílias”, diz a Cepal. Propõe, como plano de ação imediato, uma renda básica de emergência, um bônus contra a fome e novas iniciativas de apoio a empresas e trabalhadores em risco. “Para a implementação de qualquer uma destas linhas de ação é necessário fortalecer o papel das instituições financeiras internacionais para que possam apoiar melhor os países”, pediu Bárcena.

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