Pandemia de coronavírus

Brasil fechou 1,1 milhão de vagas formais em dois meses de pandemia

Só em abril, o país perdeu 860.000 vagas, a maior demissão registrada para o período em 29 anos. São Paulo foi o Estado que puxou o resultado negativo, com 336.755 demissões

Um homem exibe sua carteira de trabalho enquanto aguarda na fila por emprego em São Paulo.
Um homem exibe sua carteira de trabalho enquanto aguarda na fila por emprego em São Paulo.AMANDA PEROBELLI / REUTERS

Fortemente impactado pela crise gerada pela pandemia do coronavírus, o mercado de trabalho brasileiro perdeu 1,1 milhão de vagas de carteira assinada nos meses de março e abril deste ano, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados nesta quarta-feira. Foi durante este período que o país começou a adotar as medidas de isolamento necessárias para conter o avanço da covid-19, provocando o fechamento temporário de setores de serviço.

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Os cortes de postos de trabalho começaram em março, com perda de 240.702 vagas, mas foram intensificados no mês de abril, quando foram fechadas 860.503 vagas. Esse foi o pior resultado em um mês de abril desde 1992, quando teve início a série histórica do Caged, sendo a maior demissão registrada para esse período em 29 anos. Em janeiro e fevereiro, antes da crise de saúde pública, o país criou 338.000 vagas. No total, o Brasil fechou 763.000 vagas com carteira assinada do início do ano até o mês passado. A performance no quadrimestre fez o país encerrar o período com 38,046 milhões de empregos formais, patamar mais baixo desde 2011 (36,824 milhões).

O setor da economia que mais sofreu com a pandemia foi o de serviços: foram perdidas 362.300 vagas somente no mês passado. O comércio fechou 230.200 postos de trabalho com carteira assinada em abril, enquanto a indústria extinguiu 195.900 empregos formais no mesmo período. São Paulo foi o Estado que puxou o resultado negativo do emprego, com 336.755 demissões.

Essa é a primeira vez que os dados do Caged são divulgados desde o início da pandemia. O Ministério da Economia justificou o apagão de dados por conta da falta de prestação das informações sobre admissões e demissões por parte das empresas. E pediu que as companhias retificassem e reenviassem as informações. O último dado do Caged disponibilizado pelo Governo era relativo a dezembro do ano passado.

As informações sobre pedidos de seguro-desemprego já indicavam, entretanto, uma piora no mercado de trabalho por conta dos efeitos da crise do coronavírus. O próprio Governo chegou a estimar que 200.000 brasileiros demitidos durante a pandemia ―entre o fim do março e abril― ainda não tinham pedido o benefício por enfrentarem dificuldade.

Em nota, o Ministério da Economia indicou que o resultado teria sido ainda mais grave sem o programa do Governo de pagamento de benefícios para os que têm jornada reduzida ou contrato de trabalho suspenso. A estimativa é que foram preservados 8,1 milhões de empregos por meio da iniciativa.

“É um número duro que reflete a realidade de pandemia que vivemos, mas que traz em si algo positivo. Demonstra que o Brasil, diferentemente de outros países, está conseguindo preservar emprego e renda”, disse o secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Bianco.

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