Pandemia de coronavírus

Ministério da Saúde prevê a distribuição de menos da metade dos 22,9 milhões de testes de coronavírus prometidos até julho

A pasta, que distribuiu 4% do total anunciado para Estados e municípios, espera chegar a 9,1 milhões de exames até julho, mas admite que disputa global pode afetar cronograma

Cientistas se preparando para testar amostras de coronavírus em Nova York, nos EUA, nesta quarta-feira.
Cientistas se preparando para testar amostras de coronavírus em Nova York, nos EUA, nesta quarta-feira.Misha Friedman / AFP

Pressionado a seguir a orientação da Organização Mundial da Saúde e ampliar a capacidade de testagem para conseguir um retrato mais real do avanço do coronavírus no país, o Brasil anunciou que ampliaria o total de exames para 22,9 milhões de testes ―entre os laboratoriais, mais confiáveis, e os exames rápidos. Porém, até esta quinta-feira, 9 de abril, apenas 4% do montante anunciado (904.872 exames) foi distribuído a Estados e municípios. O Ministério da Saúde divulgou pela primeira vez o cronograma de distribuição desses testes, no qual prevê chegar a 9,1 milhões até julho. A estimativa se baseia tanto em aquisições, quanto na capacidade de produção da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e doações de empresas.

O Brasil começou a realizar exames para a detecção do coronavírus em 16 de fevereiro, tanto em laboratórios públicos quanto privados. E, segundo o Ministério da Saúde, o país realizou testes específicos para a Covid-19 em 62.985 pacientes que apresentaram síndrome aguda respiratória grave, uma complicação da doença e também de outras gripes. Deles, 13.717 exames tiveram resultado positivo para a doença. O Governo não detalha quantos foram descartados e quantos seguem aguardando o resultado.

A pasta admite que a disputa internacional por insumos ameaça o cronograma de testes que o Governo pretende realizar no país. Também não apresentou uma previsão para quando a segunda metade dos exames deverá ser entregue aos Estados e municípios. Ainda assim, a avaliação do Governo é de que a resposta brasileira à limitação global de exames é “satisfatória” . “Estamos sendo questionados com relação ao número de testes. Qual o melhor país? Coreia do Sul? Não chegou a fazer 500 mil testes. Testou 450 mil pessoas. Alguém pode dizer que a população é um quarto da nossa. Vamos fazer muito mais. Antes de criticar o que estamos fazendo, é legal comparar com os demais”, afirmou a jornalistas o secretário executivo da pasta, João Gabbardo.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, já vinha admitindo há dias que há uma grande demanda reprimida de testes e, sem detalhar a capacidade de processamento, informou reiteradas vezes que o Governo trabalha para garantir mais equipamentos nos laboratórios e acelerar os resultados. A Fiocruz participou de capacitações internacionais ainda em janeiro e, no início de fevereiro, conseguiu liberar os primeiros lotes que produziu.

A estratégia brasileira para ampliar sua capacidade de testagem envolve duas frentes. A primeira delas é a aplicação do teste laboratorial PCR (que identifica material genético do novo coronavírus no material respiratório do paciente) nos casos mais graves da doença, que são aqueles internados com insuficiência respiratória. Até esta quinta, o país havia distribuído 392.676 testes desse tipo a Estados e municípios. São eles os mais confiáveis e que devem ser usados em pacientes graves.

A segunda estratégia envolve 500.000 testes sorológicos rápidos, que identificam a presença de anticorpos em amostra de sangue do casos suspeitos. Esses exames, que foram aprovados pela Anvisa e têm taxa de confiabilidade de 85% em análise feita com grupo de diagnóstico já conhecido no Brasil, são a primeira parte de um total de 5 milhões que a empresa Vale anunciou que doaria. No boletim epidemiológico mais recente, o Ministério da Saúde explicita regras claras de como esses testes devem ser utilizados e alerta que, se o protocolo não for devidamente seguido, pode não funcionar.

Como não há consenso global sobre a melhor estratégia para aplicação de testes rápidos de rastreamento populacional para a Covid-19, o Ministério da Saúde definiu um público específico para utilizá-lo: profissionais de saúde e de segurança, além das pessoas que convivam com esses profissionais e apresentem sintomas. O teste deverá ser feito sempre após o sétimo dia de início dos sintomas e antes de 72 horas após o desaparecimento deles. E servirá como régua para definir o momento em que esses profissionais, considerados essenciais nesta crise, poderão retornar ao trabalho.

Além disso, os municípios deverão informar o resultado de todas as amostras testadas. Esses dados serão importantes para que o Governo federal consiga estimar o avanço da epidemia no país, por amostragem. As unidades sentinelas também seguirão servindo de bússola para identificar o número global de casos. “Parte dos testes rápidos serão aplicados nos municípios para identificar o perfil sorológico da população”, diz o secretário de vigilância, Wanderson de Oliveira. Ele explica que o Ministério dialoga com universidades para participarem desse trabalho, que identificará a presença de anticorpos da população, uma informação importante para determinar o momento de afrouxar as medidas de isolamento social. “Não creio que a subnotificação vai influenciar muito o planejamento”, acrescentou.

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