Pandemia de coronavírus

Dois milhões e meio de brasileiros recebem a renda mínima do coronavírus no primeiro dia de pagamento

Auxílio emergencial para cerca de 60 milhões de trabalhadores informais começou a ser depositada em conta bancária para evitar multidões e contágios. Grupo de pessoas que precisam regularizar o CPF fazem, no entanto, fila na Receita Federal

As pessoas esperam na fila para entrar em um banco durante o surto da doença por coronavírus, no bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro.
As pessoas esperam na fila para entrar em um banco durante o surto da doença por coronavírus, no bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro.PILAR OLIVARES / Reuters

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Os brasileiros que da noite para o dia perderam a escassa renda com a qual sobreviviam diariamente, por causa da quarentena para interromper a expansão do coronavírus, começaram a receber uma renda básica nesta quinta-feira. Cerca de 2,6 milhões de pessoas já tiveram depositados 600 reais em suas contas bancárias, segundo informou em um tuíte o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni. O Governo pagará mensalmente essa ajuda de emergência durante o próximo trimestre a cerca de 60 milhões de trabalhadores informais, desempregados e microempreendedores, de acordo com suas estimativas. O pagamento é escalonado e um enorme desafio logístico em razão do volume de beneficiários, e também porque o auxílio foi aprovado apenas uma semana antes. O plano é fazer pagamentos digitais para evitar aglomerações nos bancos e os potenciais contágios.

Em apenas 48 horas, 27 milhões de pessoas solicitaram ajuda por meio do aplicativo ou do site criado para esse fim. Os primeiros a receber serão os cidadãos registrados no cadastro único de beneficiários de assistência social que possuem uma conta na Caixa Econômica Federal ou Banco do Brasil. Isso inclui as dezenas de milhões de famílias que recebem mensalmente o benefício do programa contra a pobreza Bolsa Família. Mas também têm direito milhões de microempreendedores ou trabalhadores informais, que, como costuma dizer o ministro da Economia, Paulo Guedes, nunca precisaram da ajuda do Estado e agora necessitam se cadastrar para enfrentar esta crise.

A Caixa confirmou que creditou os primeiros pagamentos do auxílio emergencial na conta poupança de 2.150.497 clientes do banco. Outros 436.078 lançamentos serão realizados pelo Banco do Brasil ainda nesta quinta-feira. No total, foram disponibilizados cerca de 1,5 bilhão de reais. A previsão é que os pagamentos da primeira parcela estejam concluídos até a próxima semana. A segunda parcela será paga nos dias 27, 28, 29 e 30 de abril. Será levada em conta a data de aniversário do beneficiário. Quem nasceu em janeiro, fevereiro e março, por exemplo, recebe no primeiro dia, dia 27. Essa ordem será seguida até a conclusão dos pagamentos.

Filas para regularizar o CPF

Embora não tenham ocorrido problemas tecnológicos significativos nos pedidos de ajuda, apenas algumas instabilidades no site, milhares de usuários estão tendo problemas no cadastro por não estarem com o CPF regularizado. Há dois dias, filas têm se formado nos postos da Receita Federal com possíveis beneficiários tentando ajustar a situação. A Receita recomenda, no entanto, que pedido de regularização seja feito de forma online através do site: http://rfb.gov.br para evitar qualquer tipo de aglomeração em meio à pandemia.

O pagamento emergencial foi aprovado pela Câmara dos Deputados, o Senado e o presidente Jair Bolsonaro para mitigar os efeitos econômicos devastadores das medidas de isolamento social recomendadas pelas autoridades de saúde, as quais resultaram na semiparalisação da atividade econômica no Brasil.

Bolsonaro insistiu novamente nesta quarta-feira à noite, em um discurso televisionado, que “a grande maioria dos brasileiros quer voltar ao trabalho”, ignorando que a OMS e o Ministério da Saúde recomendam o isolamento como a ferramenta mais eficaz no momento para combater a doença. “As consequências do tratamento não podem ser mais prejudiciais do que a própria doença. O desemprego também leva à pobreza, à miséria, à fome”, destacou o presidente ultradireitista, cujo Governo anunciou um pacote de 88 bilhões de reais em ajuda, que também inclui empresas. O Estado de São Paulo, o motor econômico do Brasil, estendeu a quarentena, que veta qualquer atividade não essencial ou aglomeração, até o dia 22.


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