Em dez dias de infecção por coronavírus, Brasil lida com transmissão doméstica e 13 casos confirmados

Confirmação de registro na Bahia eleva o número de ocorrências no país, que chegam a 13; ministério afirma que não há transmissão sustentada da doença

Passsageiro usa máscara no aeroporto internacional de Guarulhos, em São Paulo.
Passsageiro usa máscara no aeroporto internacional de Guarulhos, em São Paulo.Sebastiao Moreira / EFE

Em dez dias desde a sua primeira confirmação de infecção pelo novo coronavírus (Covid-19), o Governo brasileiro lida com casos de transmissão dentro do país e com a chegada da doença ao Nordeste, região importante para o turismo. Nesta sexta-feira, a Secretaria da Saúde da Bahia divulgou seu primeiro caso confirmado do vírus, o de uma mulher de 34 anos que esteve na Itália. Foi a nona ocorrência da doença a ser conhecida no país, que agora registra oficialmente outros 12 casos no Sudeste: 10 em São Paulo, um no Rio de Janeiro e um no Espírito Santo.

Entre os pacientes confirmados até agora, dois foram infectados dentro do país, após o contato com o “paciente 1”: um homem de 61 anos, morador de São Paulo e que também voltou de viagem da Itália. Apesar do contágio doméstico, o ministério afirma que ainda não é possível falar em transmissão comunitária ou sustentada da doença —ou seja, quando o vírus circula pela população sem que seja possível rastrear a sua origem. “Estes dois casos estão relacionados entre si. Quando não conseguimos relacionar a transmissão com o caso já confirmado, ela é considerada transmissão comunitária. É o que ocorre em países como a China, Itália e Estados Unidos”, declarou na quinta-feira Wanderson de Oliveira, secretário de Vigilância em Saúde, durante entrevista coletiva do ministério.

Com exceção desses dois pacientes em São Paulo, os infectados do Brasil contraíram a doença em viagens ao exterior, sobretudo na Itália, que concentra o surto na Europa. Segundo o balanço mais recente da Organização Mundial da Saúde (OMS), da noite desta quinta-feira, o número de contaminados no país europeu já ultrapassa 3.000 e houve 107 mortes.

Atualmente, 35 países, além da Itália e da China, são monitorados pelo ministério por possuírem transmissão ativa do coronavírus. Com isso, são considerados casos suspeitos as pessoas que apresentarem sintomas como tosse, febre e falta de ar e tiverem passado por locais como Alemanha, Austrália, Canadá, Espanha, Estados Unidos e Reino Unido nos últimos 14 dias.

Desde as notícias dos primeiros casos, o Governo vem tentando tranquilizar a população e aposta que a disseminação do vírus no país será mais lenta, pelo fato de não estar ainda no inverno. "Nosso sistema já passou por epidemias respiratórias graves. Iremos atravessar mais esta, analisando com os pesquisadores e epidemiologistas brasileiros, qual é o comportamento desse vírus em um país tropical”, afirmou o ministro Luiz Henrique Mandetta ao anunciar a primeira infecção do país, em 26 de fevereiro.

Em pouco dias, o Brasil também passou a lidar com um caso atípico da doença: o de uma adolescente de 13 anos que não apresentou nenhum sintoma, mas que teve a infecção confirmada por exames laboratoriais. A jovem esteve na Europa e foi diagnosticada inicialmente em um hospital privado de São Paulo. De acordo com o Colégio Bandeirantes, onde a garota estuda, ela não retornou às atividades escolares e não teve contato com a colegas e outros profissionais. Segundo especialistas, apesar de menos comum, a transmissão do vírus por paciente assintomático é possível. Cientistas ouvidos pelo EL PAÍS em fevereiro afirmam que casos desse tipo são cruciais para a expansão do surto no mundo, já que portadores do vírus podem atravessar fronteiras sem passar por nenhum controle das autoridades de saúde.

Novo caso

Segundo o Governo da Bahia, o caso confirmado nesta sexta é o de uma mulher de 34 anos, residente na cidade de Feira de Santana, que retornou da Itália em 25 de fevereiro, com passagens por Milão e Roma, onde aconteceu a contaminação. A infecção foi confirmada por exame laboratorial feito pela Fiocruz, no Rio, que é a referência nacional do ministério. Ainda de acordo com a Secretaria da Saúde, a paciente não apresenta sintomas e está em isolamento domiciliar.

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