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Estados vizinhos do Rio temem migração de criminosos após intervenção federal

Minas, São Paulo e Espírito Santo tentam coordenar estratégias para evitar a dispersão.

Ministro da Justiça diz que reação é esperada e que objetivo é impedir “tsunami”

Policiais na favela Kelson, no Rio de Janeiro.
Policiais na favela Kelson, no Rio de Janeiro. REUTERS

A intervenção federal na segurança pública no Rio de Janeiro trouxe apreensão para moradores de quase 30 cidades dos outros três Estados da região Sudeste do Brasil: São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. O temor é de que criminosos que se sintam encurralados em municípios fluminenses em que há um reforço no policiamento com tropas militares nas ruas acabem migrando para um desses outros Estados. Nesta quinta-feira (22), o ministro da Justiça e Segurança Pública, Torquato Jardim, se reunirá na capital paulista com secretários de Segurança para discutir estratégias para controlar essa debandada.

Das três unidades federativas, até agora apenas o Espírito Santo apresentou um plano de contingência para barrar possíveis migrações. “Nossos serviços de inteligência não detectaram nada até o momento, mas decidimos nos precaver para evitar que grupos criminosos se instalem por aqui”, explicou o secretário da Segurança Pública capixaba, André Garcia.

Conforme o secretário, os quase 200 quilômetros de divisa com o Rio e Minas Gerais receberão reforços diários no patrulhamento. Por dia serão mais 140 policiais civis e militares para rodovias que passam por oito cidades do Estado com o objetivo de combater principalmente os crimes de tráfico de drogas, armas e roubos de cargas. “São delitos que costumam ocorrer com maior frequência no Rio do que aqui. Com essa intervenção federal, imaginamos que poderia haver essa migração”, afirmou Garcia. Nessas cidades o clima é de preocupação, conforme fontes do governo capixaba.

Desde a conferência ECO-92, no Rio, diversas vezes houve um reforço no policiamento nas rodovias do Espírito Santo para evitar a entrada de criminosos fluminenses, mas nenhuma grande prisão ocorreu. Ainda assim, o temor persiste.

Questionadas sobre o assunto, as secretarias de Minas Gerais e São Paulo não detalharam seus planos. A secretaria de Minas informou que seu planejamento está sendo realizado em ações conjuntas que envolvem bombeiros, polícias civil e militar além dos responsáveis pelo sistema penitenciário. Nos próximos dias, o Governo mineiro deve informar como será esse plano de contenção.

Já a gestão paulista, não respondeu aos questionamentos da reportagem. Dois deputados federais que atuam na Baixada Santista, no litoral de São Paulo, informaram que solicitaram reuniões com prefeitos da região, com autoridades das polícias e com o Governo para começarem a traçar um plano local, mas ainda sem nenhuma resposta.

Na esfera federal, o Ministério da Justiça elaborou um plano de execuções para evitar essa possível dispersão dos criminosos. Segundo a assessoria do órgão, esse projeto está em execução, mas não poderia ser detalhado por questões de segurança. Ainda assim, o ministro Torquato ouvirá as propostas dos três secretários.

Em entrevista ao jornal Correio Braziliense publicada na terça-feira, o ministro afirmou que provavelmente os Estados limítrofes sofrerão o impacto da ação no Rio. “Temos de ver se vai ser marola ou tsunami. Alguma coisa vai acontecer, temos que ser realistas”, afirmou. E completou: “Quanto mais eficaz a ação no Rio de Janeiro, a marola vai crescer. O nosso trabalho é não deixar virar tempestade, jamais um tsunami”.

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