Tensão racial nos Estados Unidos

Derrubada de estátua confederada nos EUA segue o rastro de Charlottesville

Debate sobre símbolos do movimento escravista explodiu após ataque a igreja afro-americana em 2015

A estátua derrubada em Durham, nos EUA.
A estátua derrubada em Durham, nos EUA. (REUTERS)

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Um grupo de manifestantes derrubou na noite de segunda-feira em Durham (Carolina do Norte, nos EUA) uma estátua dedicada aos soldados confederados, ao mesmo tempo em que vândalos atacavam o monumento que homenageia em Boston (Massachusetts) as vítimas do Holocausto. Os dois ataques aos símbolos ocorreram pouco depois de que a derrubada de uma estátua do general confederado Robert E. Lee em Charlottesville (Virginia) levasse grupos supremacistas brancos a desatar no sábado um dia de caos e violência na cidade que causou três mortos e uma tempestade política nos Estados Unidos que colocou em apuros a Administração de Donald Trump.

A estátua de Durham foi derrubada durante um protesto contrário aos símbolos da Confederação norte-americana, que esteve vigente no sul do país de 1861 a 1865. Os manifestantes ataram uma corda ao pescoço da estátua e a derrubaram. Uma vez no chão, foi chutada. A estátua ao soldado confederado erigida na cidade, de 260.000 habitantes, estava desde 1924 nos jardins dos antigos tribunais.

O protesto foi convocado inicialmente para pedir a retirada da estátua e de todos os símbolos confederados que restam na Carolina do Norte, “para que não matem mais pessoas inocentes”. Os organizadores se referiam assim aos acontecimentos de sábado em Charlottesville (Virginia), em que um jovem supremacista branco, James Fields, matou uma mulher ao jogar seu veículo contra uma manifestação antirracista.

A manifestação de Charlottesville (Virginia) era contrária à presença na cidade de grupos de ultradireita que protestavam pela decisão do prefeito local de retirar outra estátua do general confederado Robert Lee.

O debate sobre as estátuas e símbolos confederados explodiu nos Estados Unidos após Dylann Roof, um jovem supremacista fascinado pela Confederação, assassinar em junho de 2015 nove paroquianos em uma igreja de Charleston, na Carolina do Sul. As autoridades começaram então a retirar algumas das estátuas e símbolos da Confederação que existem em grande quantidade nos Estados sulistas. É calculado que ainda restam por volta de 1.500 de pé.

Enquanto isso, um adolescente foi preso por danificar parcialmente o monumento de vidro às vítimas do Holocausto erigido em Boston, um ataque que os administradores da cidade ligam aos incidentes de Charlottesville.

Esse é, entretanto, o segundo ataque ao memorial nesse ano, já que em 28 de junho outro dos painéis de vidro do monumento, que há 22 anos está no Carmen Park, nas proximidades de Faneuil Hill, foi destroçado. O suspeito foi acusado de destruição intencional de bens, informa o The Boston Globe.

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