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Trump condena a violência de “muitas partes”

O presidente não menciona a motivação racista das manifestações dos supremacistas brancos, nem condena a agitação provocada pelos grupos de ódio

Conflitos raciais em Charlottesville
Donald Trump, no sábado, em seu clube de golfe em Bedminster, Nova Jersey. REUTERS

Donald Trump condenou, no sábado, o "ódio e a violência de diversas partes" nos distúrbios registrados em Charlottesville (Virginia), depois das marchas dos supremacistas brancos, um tipo de declaração que evidencia a incômoda situação em que se encontra o presidente dos EUA: muitos dos que as organizaram o apoiam e votaram nele nas urnas.

Trump não mencionou explicitamente o racismo, nem condenou os supremacistas, agitados por centenas de grupos de ódio que existem atualmente nos Estados Unidos, como a Ku Kux Klan e o grupo Nazista, mas falou da violência de forma genérica. "Temos que curar as feridas do nosso país. Nós as curaremos e faremos todos os esforços possíveis para que isso aconteça o mais rápido possível", disse, em entrevista de imprensa, no seu clube de golfe em Bedminster, onde está passando atribuladas férias.

Este incidente aconteceu em meio a uma escalada de tensão com a Coreia do Norte. E no dia seguinte a palavras incendiárias sobre a Venezuela, quando alertou sobre uma possível intervenção militar. Enquanto isso, nos Estados Unidos, persistem velhas tensões.

A ferida racial ainda é um verdadeiro trauma nacional dos Estados Unidos, que perseguiu a presidência de Barack Obama e que persegue a de Trump. Quando falou, depois das três horas da tarde no horário da costa leste, pelo menos uma pessoa havia morrido nos confrontos entre os nacionalistas brancos e os contramanifestantes, segundo a prefeitura da cidade.

"Acima de tudo, devemos nos lembrar desta verdade: não importa nossa cor, nosso credo, religião ou partido político, todos somos americanos em primeiro lugar", disse Trump. Esta tensão, disse o presidente, "acontece há muito, muito tempo em nosso país. Antes de Donald Trump, antes de Barack Obama", frisou, diante da imprensa.

Esta não foi a primeira manifestação supremacista nos últimos tempos. Em maio, na mesma cidade, a extrema-direita protestou com tochas, uma imagem que evocou os dias obscuros da KKK. O que aconteceu neste fim de semana, na Virginia, levou Trump a incorporar uma conjunção adversativa ao seu famoso lema: "Vamos fazer a América grande novamente, mas vamos fazê-la grande para todas as pessoas dos Estados Unidos".

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