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Três envolvidos na Lava Jato citam ex-presidente peruano Alan García

Acusados afirmam que político ajudou na obtenção de contratos no Peru

Operación Lava Jato
O ex-presidente do Peru Alan García expõe seu plano de governo contra a corrupção na campanha eleitoral de janeiro em Lima. EFE

O cerco parece se fechar em torno de Alan García. Segundo diversos trechos dos autos da Operação Lava Jato, pelo menos três réus declararam ao juiz Sergio Moro que a intervenção do ex-presidente do Peru foi decisiva para poderem levar adiante os seus negócios no país. As declarações foram feitas por José Dirceu ex-ministro da Casa Civil de Luiz Inácio Lula da Silva, José Antunes Sobrinho, proprietário da Engevix, e José Gilberto de Azevedo Branco Valentim, presidente da Galvão Engenharia.

A partir das investigações por corrupção, Dirceu foi condenado a mais de 32 anos de prisão por lavagem de dinheiro, Antunes Sobrinho a 21 anos e Azevedo Branco Valentim recorreu à delação premiada.

Referindo-se a um projeto de engenharia em Tumbes — norte do Peru —, Valentim disse: “A reunião com o presidente Alan García foi um momento importante (...) porque parte do financiamento não seria garantida se o Governo federal não pusesse dinheiro no projeto. Nosso objetivo era aprová-lo durante o mandato de Alan García, que era quem conhecia o projeto com mais profundidade”.

Os consultores contratados foram José Dirceu e Zaida Sisson, mulher de Rodolfo Beltrán (ex-ministro da Presidência no primeiro mandato de García). Os dois foram objeto de notícias em 2015, quando Dirceu foi preso por corrupção e a casa de Sisson em São Paulo foi vasculhada. “Estive pessoalmente com o presidente García por causa das consultorias a fim de pedir (...) uma complementação financeira por parte do Governo federal”, afirmou Gilberto Valentim ao juiz Moro. O dono da Engevix, José Antunes Sobrinho, também contratou Dirceu para cuidar de seus interesses perante o Governo.

Relação antiga

“Conheci o senhor José Dirceu em uma viagem a Lima. [O lobista brasileiro] Milton Pascowitch, que se fazia capitão de novos negócios, conversou com meu sócio Gerson Almada, e eles propuseram incrementar nossa participação no Peru”, disse. “Já tínhamos uma série de contratos menores de consultoria de engenharia em Lima, mas o doutor Gerson [Almada], devido à sua relação com o presidente Alan García, devido às suas relações no país, poderia nos ajudar”, acrescentou.

Ao ser ouvido, Dirceu admitiu ter uma relação antiga com o ex-presidente peruano.

Essas revelações coincidem com as suspeitas levantadas por uma investigação persistente do semanário Hildebrandt segundo a qual as iniciais AG apareciam relacionadas ao projeto de irrigação e geração de energia elétrica no norte do Peru em um relatório da Polícia Federal sobre as agendas eletrônicas do empresário Marcelo Odebrecht. Este herdou a amizade com García de seu pai, Emilio. Ambos realizaram até vinte reuniões no Peru e no Brasil durante seu mandato.

Reagindo as essas menções, García afirmou em uma entrevista de rádio que “A verdadeira e única riqueza é representar o povo peruano. Peço a meus adversários e a alguns veículos de comunicação que fazem o seu jogo que não projetem sobre a minha vida a podridão de sua alma”.

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