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Justiça peruana emite novo mandado de prisão contra Alejandro Toledo

Ex-presidente é acusado de tráfico de influência e lavagem de dinheiro no caso Odebrecht-Ecoteva

O ex-presidente peruano Alejandro Toledo
O ex-presidente peruano Alejandro Toledo EFE

Pouco mais de dois meses se passaram desde que o juiz Richard Concepción Carhuancho, do Primeiro Tribunal de Investigação Preparatória Nacional do Peru, determinou 18 meses de prisão preventiva contra o ex-presidente Alejandro Toledo Manrique. Toledo é acusado dos crimes de tráfico de influência e lavagem de dinheiro por ter supostamente recebido um suborno de 20 milhões de dólares (cerca de 62 milhões de reais) da empreiteira Odebrecht para favorecê-la na concessão da Rodovia Interoceânica Sul, que liga o Peru ao Brasil.

A situação judicial de Toledo –que está nos Estados Unidos, enquanto se resolve o processo de extradição por esse caso– só piorou. Agora o juiz Mario Guerra Bonifacio, do 16ºTribunal Penal de Lima, emitiu uma nova ordem de 18 meses de prisão para ele, sua esposa Eliane Karp, o empresário Josef Maiman e o ex-chefe da segurança presidencial Avraham Dan On. Junto com essa medida, ordenou a emissão de mandados de captura nacionais e internacionais para todos os mencionados.

Toledo e os outros envolvidos estão sendo processados por lavagem de dinheiro dentro do chamado “Caso Ecoteva”. No início de 2013, descobriu-se que Eva Fernenbug, sogra do ex-presidente, tinha constituído uma empresa com esse nome na Costa Rica. Para tanto, teria recebido pelo menos 9,4 milhões de dólares de uma conta de Josef Maiman, dinheiro que teria servido para pagar a hipoteca da casa em Casuarinas, de propriedade do casal Toledo-Karp, assim como comprar dois escritórios no bairro residencial de Monterrico.

Uma vez que o caso veio à tona, as explicações de Toledo sobre a origem do dinheiro mudaram várias vezes. Primeiro disse que sua sogra o tinha recebido na qualidade de sobrevivente do Holocausto nazista: “Ela é uma sobrevivente do Holocausto da Segunda Guerra Mundial. [...] Há uma compensação inicial e uma mensal que recebe não só por ela, mas por sua mãe”, disse em fevereiro de 2013. Posteriormente, quando se apresentou ao Ministério Público, explicou que Maiman fundou a Ecoteva porque pretendia investir no Peru. “Ele pediu à minha esposa para ajudá-lo a identificar oportunidades de investimento, [...] essas duas oportunidades foram encontradas [a casa e os escritórios]”, corrigiu.

Para a procuradora Manuela Villar, da Primeira Procuradoria Supraprovincial Especializada em Lavagem de Dinheiro –que amparou o pedido de prisão preventiva considerando que o ex-presidente, a esposa e seus ex-colaboradores estão fora do Peru–, os recursos das contas da Ecoteva teriam como origem os vultosos subornos pagos pela Odebrecht (ou seja, dos 20 milhões de dólares entregues pela empresa para conseguir a licitação da Rodovia Interoceânica).

A medida foi objeto de recurso por parte dos advogados dos quatro envolvidos e será revista pela Seção Superior Penal de Lima. Heriberto Benítez, representante de Alejandro Toledo, disse que seu cliente foi vítima de “perseguição política”. Acrescentou que Toledo “nunca foi citado, nunca foi ouvido e nunca permitiram que se defendesse”.

Essas ordens de prisão preventiva poderiam transformar Alejandro Toledo no segundo presidente peruano preso. Alberto Fujimori está detido desde 2007 por crimes contra os direitos humanos e corrupção. Toledo conquistou a presidência do Peru em 2001, levantando as bandeiras da democracia e da honradez, depois do colapso do regime de Fujimori.

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