O filho de Temer e o filho de Lula

Em meio a investigações, nem as famílias dos políticos escapam mais do escrutínio público

Lula e Temer em abril de 2015.
Lula e Temer em abril de 2015. Ricardo Stuckert/ Instituto Lula

Em um momento em que a mega-operação expõe tramas que envolvem praticamente toda a cúpula da política nacional, a tolerância do país com práticas corruptas parece ter diminuído enquanto a demanda por transparência aumenta. Nessa nova realidade, o político tem cada vez menos espaço para deixar dúvidas no ar.

O pedido de demissão de Fabiano Silveira do Ministério da Transparência dividiu as atenções na segunda-feira com o fato de que Michel Miguel Elias Temer Lulia Filho, o caçula do presidente interino Michel Temer, tem, aos sete anos, um patrimônio em imóveis de dois milhões de reais, informou O Estado de S. Paulo. Além de indignar aqueles que viram no fato uma prova da desigualdade social instalada no Brasil, a notícia de que uma criança possui, ao sete anos, mais bens do que um brasileiro médio conseguirá reunir durante toda sua vida levantou suspeitas: o presidente interino teria se beneficiado de alguma forma ao fazer uma "antecipação de herança" para seu filho? Temer declara os imóveis em sua declaração de renda, mas, prática comum, só registra o valor de compra de 190.000 reais.

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Um dia depois de chamar atenção para o patrimônio de Michelzinho, O Estado noticiou que outro caçula, deste vez o do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, teria recebido seis milhões de reais de "fontes suspeitas", de acordo com avaliação dos investigadores da Operação Zelotes. A empresa de consultoria LFT Marketing Esportivo, de Luís Cláudio Lula da Silva, recebeu quase 10 milhões de reais entre 2011 e 2015, mesmo sem ter, segundo os investigadores da Zelotes, funcionários registrados ou expertise em consultoria.

Luís Cláudio e seu pai são investigados no contexto de possível compra de medidas provisórias pela empresa Marcondes & Mautoni. Em outro caso de família da política nacional, o presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), viu suas mulher e filha serem arrastadas para a investigação sobre a existência de contas do parlamentar na Suíça. Em capítulo ainda mais recente da Lava Jato, o filho do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, Expedito Machado Neto, seguiu o pai e passou a colaborar com sua delação premiada no âmbito da operação — suspeita-se que Expedito tenha atuado como laranja de senadores do PMDB.

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