Periferia foge da polarização

Opiniões da periferia são mais complexas do que as de manifestantes contra ou a favor do impeachment

Assunção Araújo: "se está ruim com a Dilma, sem ela vai piorar". Ver galeria de fotos
Assunção Araújo: "se está ruim com a Dilma, sem ela vai piorar".

A quilômetros de distância da avenida Paulista e do vale do Anhangabaú, onde ocorrem as manifestações pelo impeachment ou em defesa da permanência de Dilma Rousseff no Governo, os moradores da periferia de São Paulo têm opiniões que fogem da lógica binária do a favor ou contra a destituição do Governo.

A polarização se dissolve ao longo dos quilômetros que separam bairros como o Grajaú, no extremo sul, ou Guaianases, na zona leste, do centro de São Paulo. Ali, moradores ouvidos por EL PAÍS mostraram que têm opiniões mais complexas. “Sou a favor do impeachment de Dilma”, disse o motorista de ônibus João da Silva, 40, no Grajaú. “Mas se Lula voltar em 2018, eu voto nele”. 

“Sou a favor do impeachment. Dilma precisa sair porque não está conseguindo governar”, diz Ilana de Oliveira Lima, 19. “Mas não acho que ela seja corrupta”. Apesar de ser a favor do impedimento de Dilma Rousseff, Ilana não participa das manifestações pró-impeachment. Essa foi a única resposta que quase chegou a um consenso: moradores da periferia não participam das manifestações. O centro, onde os atos ocorrem, é longe. Domingo é dia de descanso. Ou, na maioria dos casos, domingo também é dia de trabalho.

Além da carga de trabalho mais pesada, o que dificulta a participação política, a falta de informação também colabora para a dificuldade em tomar posição. "A gente não sabe o que está acontecendo", diz a dona de casa Dalva Oliveira, 39. "As coisas não se esclarecem, ninguém prova nada".

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Outro fator importante é a dependência maior de programas e benefícios sociais que as classes baixas da população têm. No Grajaú, região de São Paulo com maior número de beneficiados pelo Bolsa Família, Dalva conta que fez o cadastro no programa há 15 dias e aguardava uma resposta. "Mas se Dilma cair, aí é que eu não vou conseguir mesmo", diz. Por isso, não sabe se é contra ou a favor do impeachment. "Mas em Lula eu não votaria de jeito nenhum", diz.

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