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Além de base menor, Dilma deverá enfrentar Congresso rebelde

Apoio no Legislativo já foi menor do que nos anos Collor ou na crise do mensalão de Lula

Michel Temer, vice-presidente e líder do PMDB, principal aliado do Governo.
Michel Temer, vice-presidente e líder do PMDB, principal aliado do Governo. REUTERS

Uma base nem tão aliada com um PMDB rebelde é o que espera a presidenta Dilma Rousseff pelos próximos quatro anos no Congresso Nacional. Numericamente, o governo petista ainda tem a maioria, mas bem menos do que tinha no início do primeiro mandato de Dilma. Quando assumiu seu primeiro mandato, em 2011, Dilma tinha o apoio de 372 dos 513 deputados federais e de 60 dos 81 senadores. Agora seus coligados conseguiram 336 cadeiras na Câmara e 51 no Senado.

Se já não bastasse a redução da quantidade de cadeiras, o PT agora deverá enfrentar uma oposição e uma situação mais combativa. Um estudo feito pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento mostra que o último ano do Governo de Dilma no Congresso foi o menos produtivo, em comparação com os demais presidentes desde a redemocratização no país. Até Fernando Collor de Mello, o presidente que foi tirado do poder pelo impeachment, e Luiz Inácio Lula da Silva, no meio da crise do mensalão, tiveram apoios mais amplos. No longínquo ano de 1991, quando Collor se deparou com uma crise que iniciou o processo de sua deposição, seus aliados apoiaram 58% de suas proposições. No caso de Lula, em 2006, o apoio foi de 61% das propostas. Dilma, em seus seis primeiros meses de 2014, emplacou 54,5% de seus projetos de lei.

Dilma, em seus seis primeiros meses de 2014, emplacou 54,5% de seus projetos de lei

O apoio à petista caiu ano a ano. Sua bancada aliada se reduziu, e o apoio que era representado pela aprovação de 75,4% dos projetos governistas em 2011, recuou para 64% nos dois anos seguintes. A falta de habilidade política, a ausência de diálogos com a sociedade civil e até mesmo com seus aliados, segundo analistas, influenciaram diretamente na redução gradual do suporte à presidenta. Sentindo essa perda da sustentação e temendo enfrentar mais dificuldades nos próximos quatro anos, em seu primeiro pronunciamento após ser reeleita, a presidenta disse que seu compromisso era com o diálogo. Prometeu que ouviria desde os movimentos sociais até os empresários e o mercado financeiro. A bolsa de valores não entendeu o recado e, na segunda-feira, despencou. Nesta terça, operava modestamente com alta de 2%.

As brigas entre Dilma e a oposição, que deverá ser liderada pelo PSDB do derrotado Aécio Neves, serão muito claras. Os tucanos e seus aliados tentarão fazer com que o Governo se enfraqueça reforçando as denúncias de corrupção, principalmente da Petrobras, e sugerindo propostas legislativas que são incômodas ao Planalto, como a redução da maioridade penal. Para isso, é necessário ter o aval de 3/5 dos votos na Câmara e no Senado. Isso quer dizer, o apoio de 307 deputados e 48 senadores. Teoricamente, os opositores não têm esse contingente (eles são 177 deputados e 29 senadores), no entanto, grande parte dos congressistas eleitos defende essa mudança legal. Sem contar que a própria base governista é bastante heterogênea. “O problema da Dilma é que ela foi candidata apoiada por dez partidos e por grupos sociais que iam desde a direita à esquerda, gerando uma luta política dentro da base dela”, afirmou ao site Congresso em Foco o professor Joviniano Neto, da Universidade Federal da Bahia.

Essa amplitude de sua base e a revolta do PMDB já começam a ficar claras. Aliado de primeira hora de Dilma, o presidente do Senado, o peemedebista Renan Calheiros, já deixou claro como agirá com relação à reforma política, uma das promessas de campanha da petista. O Governo quer que seja feito um plebiscito, Calheiros defende um referendo. Na prática, os dois instrumentos são uma forma de consulta popular. A diferença entre eles é que o plebiscito pergunta quais as mudanças a sociedade quer antes da confecção de uma lei, enquanto no referendo o projeto de lei é apresentado e só cabe à população dizer sim ou não para ele.

A falta de habilidade política, a ausência de diálogos com a sociedade civil e até mesmo com seus aliados influenciaram na redução gradual do suporte à presidenta

“A polarização eleitoral é uma coisa. A vida cotidiana, outra. O dia a dia do Congresso e uma vitória apertada no segundo turno mostram que já está passando da hora do Governo ouvir mais as pessoas. Não só a oposição, mas também seus aliados. Se ela [Dilma] repetir seus atos, como no primeiro mandato, os resultados para o país serão muito ruins”, analisou o cientista político Carlos Ranulfo, da Universidade Federal de Minas Gerais.

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