COPA AMÉRICA

Neymar e Tite, pela primeira vez juntos numa final, concretizam a parceria entre craque e comandante

Atacante e treinador se ajudam a trilhar um caminho para entrar na história do futebol brasileiro. Para isso, têm o desafio de vencer a primeira decisão como parceiros, contra a Argentina no Maracanã neste sábado

Tite dá instruções a Neymar na partida contra o Peru.
Tite dá instruções a Neymar na partida contra o Peru.Silvia Izquierdo / AP

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Na Copa do Mundo de 2018, Neymar e Tite representaram a seleção brasileira numa campanha que terminou nas quartas de final, com derrota para a Bélgica. Já na Copa América de 2019, Tite conquistou seu primeiro título à frente da equipe da CBF, mas não contou com o auxílio de Neymar, que foi cortado antes do início do torneio por causa de uma lesão. Agora, na Copa América 2021, pela primeira vez a dupla chega a uma final juntos. O casamento entre o melhor treinador e o melhor jogador do país enfim dá resultados: uma seleção invicta, conduzida por Neymar e orientada por Tite, que busca neste sábado, 10, o bicampeonato sul-americano contra a Argentina —e, mais além, sonhar com o hexa mundial em 2022.

Quando venceu seu primeiro troféu pela seleção, Tite montou um time com a defesa estruturada que teve como destaque um ataque sem estrelas: Gabriel Jesus, Roberto Firmino e Everton Cebolinha. Criou-se, então, a narrativa de que a ausência de Neymar tornava o futebol da seleção mais coletivo, justificada pelo sucesso no torneio em que o camisa 10 não jogou. A teoria caiu por terra na atual Copa América: é notável como o Brasil fica mais forte quando Neymar joga. O único tropeço da seleção em 2021 foi no jogo em que o atacante não entrou em campo (1 a 1 contra o Equador). Ele participou diretamente de metade dos gols brasileiros na Copa América, marcando duas vezes e assistindo outras quatro. Levando em conta os jogadores de todos os países envolvidos, Neymar lidera o ranking de dribles e chances criadas, além de ser o brasileiro que mais finalizou até o momento —no geral, perde nessa estatística somente para o argentino Lionel Messi.

A tese, então, vai para o caminho contrário: seria a seleção brasileira dependente de Neymar? De fato, o camisa 10 tem números muito melhores que seus colegas de ataque na atual Copa América. Everton Cebolinha, Vinicius Junior e Gabriel Jesus são jogadores ofensivos que sequer marcaram no torneio. O último, camisa 9, repete o Mundial de 2018, quando também saiu zerado. Gabigol e Richarlison, por sua vez, fizeram gols em momentos que a partida já estava decidida para o Brasil —o terceiro gol no 3 a 0 contra a Venezuela e o quarto no 4 a 0 contra o Peru, respectivamente. Firmino foi o único atacante brasileiro que, fora Neymar, marcou um gol considerado importante até aqui, o do empate contra a Colômbia. Dos 12 gols feitos pelos brasileiros (que têm o melhor ataque da competição), sete foram de jogadores de meio-campo ou defesa.

A “neymardependência” só não ganha mais adeptos porque a memória do título em 2019 sem o protagonista ainda é fresca. E é onde entra o mérito do Tite, um treinador que, com ou sem Neymar, é o responsável por uma seleção brasileira forte desde 2016. São apenas quatro derrotas em 60 jogos, sendo três delas em amistosos e a única em jogos oficiais contra os belgas, na Copa do Mundo. Já é o quarto técnico com mais vitórias pelo Brasil, atrás de Zagallo, Parreira e Dunga. E, atualmente, defende uma invencibilidade de 13 jogos, com a última derrota em novembro de 2019 —justo para a Argentina, a rival da final de sábado. “Eu tenho uma noção exata de que é um trabalho de equipe, não é individualizado. Gosto de ter meu trabalho reconhecido, sim, mas quando ele é individualmente reconhecido, eu sei que é bala Juquinha. É adoçar a boca. Se não tiver comprometimento dos atletas, não tem técnico que ganhe título nenhum”, disse um modesto treinador após se garantir na final da Copa América. Depois de levar o Corinthians ao topo do mundo, Tite tem se provado como melhor escolha brasileira para comandar o Brasil e, de quebra, fazer com que Neymar chegue ao seu auge com a camisa canarinha.

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“Quando a gente aciona ele [o Neymar] numa faixa mais adiantada do gramado ele fica mais protegido, porque o adversário fica com mais medo de fazer a falta em um local importante do jogo. Estruturamos para ele receber menos bola, mas de uma forma mais eficiente”, explicou Tite, ressaltando a estratégia para tornar Neymar protagonista de seu time. O camisa 10 tenta seu segundo título pela seleção brasileira oito anos após o único, quando foi eleito o melhor jogador da Copa das Confederações que terminou com o Brasil campeão em cima da Espanha.

Aos 29 anos, ele traz consigo o amadurecimento de uma Copa do Mundo em que saiu lesionado e outra na qual virou motivo de chacota mundial. “Passei por muita coisa nesses dois anos que são bem difíceis. Os números não são nada perto da felicidade que tenho de jogar pelo Brasil, de representar o meu país. Hoje estamos vivendo um momento muito atípico, muito difícil, e ser espelho para alguém é uma alegria enorme”, afirmou o emocionado atacante na saída da vitória contra o Peru, que o deixou a nove gols de Pelé, o maior artilheiro da história da seleção. Neymar e Tite trabalham juntos para entrar na história do futebol brasileiro, se ajudando em diferentes funções, e para isso miram o sonhado hexa em 2022. Antes, ganhar uma final contra a Argentina no Maracanã ajudaria a pavimentar o caminho.

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