Pandemia de coronavírus

Estudo associa baixos níveis de zinco em pacientes de covid-19 com um prognóstico pior

Pesquisadores de Barcelona apontam que doentes com menor quantidade desse mineral no sangue apresentam maior mortalidade e um período de recuperação mais longo

Profissionais de saúde tratam de paciente com covid-19 na UTI do Hospital del Mar, em Barcelona, em 30 de janeiro.
Profissionais de saúde tratam de paciente com covid-19 na UTI do Hospital del Mar, em Barcelona, em 30 de janeiro.MASSIMILIANO MINOCRI

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Os níveis de zinco no sangue desempenham um papel importante no prognóstico de um paciente com covid-19. Um estudo observacional realizado por pesquisadores do Hospital del Mar, em Barcelona, com 249 pacientes com coronavírus revela que aqueles com baixos níveis de zinco tinham sintomas mais graves, mais inflamação e pior prognóstico: a mortalidade foi de 21% neste grupo em comparação com 5% nos pacientes com altas quantidades de zinco no sangue. A pesquisa, publicada na revista científica Nutrients, abre a porta para o estudo da possibilidade do uso de suplementos desse mineral como parte da terapia de recuperação dos pacientes infectados.

As propriedades do zinco para aliviar resfriados comuns são estudadas há muito tempo. Esse mineral essencial, que é adquirido através dos alimentos, ajuda no funcionamento de algumas enzimas do organismo, especialmente no sistema imunológico, e serve para equilibrar a resposta imunológica. De fato, há mais de 35 anos, um estudo já sugeria o uso de comprimidos de zinco como terapia contra resfriados: a pesquisa descobriu então que esses comprimidos encurtavam a duração média dos resfriados comuns em cerca de sete dias.

Com a chegada da pandemia, o zinco foi usado como mecanismo de combate à covid-19, principalmente em combinação com a hidroxicloriquina, um medicamento contra a malária que acabou se revelando ineficaz para conter o vírus. O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também recebeu suplementos de zinco (além de famotidina, vitamina D, melatonina, aspirina e anticorpos monoclonais) quando foi diagnosticado com covid-19: sua eficácia não tinha sido comprovada, mas seu perfil de segurança era elevado.

Nessa linha de estudar o papel do zinco no combate à infecção por coronavírus, os pesquisadores do Hospital del Mar e da Universidade Pompeu Fabra (UPF) começaram a registrar os níveis de zinco de pacientes com covid-19 que entravam no centro de saúde. No total, recolheram dados de 249 pacientes adultos com covid-19, com idade média de 65 anos e tratados no hospital entre 9 de março e 1º de abril.

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“Já havia uma base fisiopatológica e logo descobrimos que ter zinco baixo [abaixo de 50 microgramas por decilitro de sangue] era sinônimo de piora: mais inflamação, mais internações em UTI e mais tempo de recuperação”, destaca o infectologista e autor do estudo, Roberto Güerri. Depois de fazer os ajustes por idade e sexo, os pesquisadores descobriram que 1 em cada 5 pacientes com baixos níveis de zinco morreu, enquanto naqueles que apresentavam indicadores mais elevados do mineral quando entraram no hospital, a mortalidade foi de 5%. A deficiência de zinco é uma afecção comum em idosos e pessoas com doenças crônicas, dois dos grupos mais vulneráveis à covid-19.

Paralelamente, os pesquisadores também estudaram in vitro os efeitos do zinco na replicação do coronavírus e descobriram que a falta desse mineral provoca desequilíbrio imunológico e aumento da carga viral. “Os pesquisadores da UPF, Juana Díez e Rubén Vicente, cultivaram células com diferentes níveis de zinco e as infectaram com coronavírus. O resultado foi que, onde havia baixos níveis de zinco, o vírus crescia muito, enquanto nas células com altos níveis de zinco o coronavírus se replicava menos”, afirma Güerri.

A descoberta dos pesquisadores do Hospital del Mar abre as portas para novos testes para estudar suplementos de zinco como uma possível profilaxia ou como tratamento em pessoas com risco de deficiência desse mineral.

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