Pandemia de coronavírus

Brasil dobra doses de vacinas disponíveis e ganha respiro na campanha contra a covid-19

2 milhões de doses da AstraZeneca chegaram da Índia nesta sexta e a Anvisa aprovou o uso de mais 4,8 milhões do Butantan. Estados acordam destinar 5% de novo lote da Coronavac ao Amazonas

Dois milhões de doses de vacinas AstraZeneca / Oxford da Índia são descarregadas no Aeroporto Internacional de São Paulo em Guarulhos.
Dois milhões de doses de vacinas AstraZeneca / Oxford da Índia são descarregadas no Aeroporto Internacional de São Paulo em Guarulhos.AMANDA PEROBELLI / Reuters

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Com a chegada das 2 milhões de doses da vacina contra a covid-19 da AstraZeneca fabricado na Índia e a aprovação do uso emergencial de mais 4,8 milhões de doses da Coronavac pela Anvisa, o Brasil dobra a quantidade de vacinas disponíveis e consegue um respiro nesta primeira etapa da campanha de imunização. São 12,8 milhões de doses já autorizadas para uso pela agência de vigilância sanitária, incluído aquelas que foram distribuídas entre os Estados nesta semana. Administradas em duas doses como determina a bula, os imunizantes disponíveis só serão suficientes para vacinar pouco mais de 6 milhões de pessoas ―ou cerca de 3% de toda a população. Em um cenário de corrida global pelos medicamentos, o país ainda tem muitas incertezas no seu cronograma de vacinação diante das dificuldades que enfrenta para conseguir importar a matéria-prima necessária para produzir mais doses em território nacional.

As vacinas da AstraZeneca chegaram a São Paulo no final da tarde desta sexta-feira e serão enviadas à noite para o Rio de Janeiro. Durante a madrugada e a manhã de sábado, elas serão rotuladas (com etiquetagem das caixas com informações em português) pela Fiocruz para, a partir daí, serem distribuídas aos Estados. A operação logística pode ser iniciada ainda no fim da tarde de sábado. Um pouco antes da chegada dos imunizantes, a Anvisa aprovou por unanimidade o uso emergencial de doses produzidas pelo laboratório chinês Sinovac e importadas a granel para serem envasadas e rotuladas pelo Instituto Butantan. Na semana passada, o aval havia sido dado apenas para as doses prontas importadas da China. Daqui em diante, poderão ser aplicadas tanto as vacinas importadas prontas quanto as envasadas pelo Butantan (ambas já analisadas pela agência). Uma nova análise será necessária apenas se o Butantan passar a produzir outras etapas do imunizante no país ou se houver alterações na cadeia fabril chinesa.

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Anvisa indica a aplicação de duas doses

A relatora do pedido feito à Anvisa, Meiruze Freitas, também orientou que cada usuário deve receber duas doses do imunizante, como consta na bula, e defendeu que o melhor cenário é ampliar o acesso ao maior número de vacinas. “No contexto de vacinação no Brasil, ninguém pode ficar para trás. Somos uma só nação”, declarou, repetindo o slogan do Governo Bolsonaro para a imunização. Há no Brasil e em outros países a discussão sobre vacinar um maior número de pessoas com as doses disponíveis e espaçar os intervalos, mas não há respaldo científico para isso. “É fundamental seguir isso para que se assegure uma vacinação adequada”, endossa o gerente-geral de medicamentos e produtos biológicos da Anvisa, Gustavo Mendes Lima Santos. A segunda dose da vacina da AstraZeneca deve ser aplicada em um intervalo de quatro a doze semanas enquanto a Coronavac deve obedecer o prazo de até 21 dias após a primeira aplicação.

Esta é uma questão importante no cenário de escassez de imunizantes no Brasil, já que os gestores precisam reservar a segunda dose aos usuários que estão sendo vacinados para garantir a eficácia relatada nas pesquisas dos medicamentos. O próprio Ministério da Saúde reforçou nesta semana este ponto, já que alguns municípios planejavam usar todas as doses recebidas num momento em que não existe regularidade e previsão para novas entregas. Foi essa situação que levou governadores a cederem 5% dos novo lote da Coronavac e do primeiro lote da AstraZeneca ao Amazonas diante da situação dramática que o Estado enfrenta com a alta de casos e mortes por covid-19. O colapso do sistema de saúde amazonense, marcado pela escassez até de oxigênio, já avançou pelo interior. As demais doses devem ser rateadas aos Estados proporcionalmente à população, como ocorreu com a primeira remessa realizada.

A diretoria da Anvisa também voltou a salientar a aprovação de uso emergencial das vacinas diante da falta de alternativas terapêuticas a contra a covid-19 e da gravidade da pandemia no país, ressaltando ainda a importância de seguir o monitoramento dos usuários que estão recebendo os imunizantes. O presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, disse que as vacinas são experimentais e que a “modalidade ora em curso é baseada no voluntariado”, preconizando um termo de consentimento. Depois da reunião da Anvisa, em entrevista coletiva, Mendes esclareceu que o termo já havia sido orientado nas aprovações de domingo, mas sua implantação cabe ao Plano Nacional de Imunizações (PNI). “A Anvisa não vai cobrar a execução. Colocou para estar alinhada à prática de outros países, mas a execução deve estar alinhada no PNI”, afirmou.

O Brasil ainda enfrenta problemas para conseguir importar os insumos necessários para a produção de imunizantes tanto pelo Instituto Butantan e pela Fiocruz (que produzirá a vacina da AstraZeneca), o que pode atrasar o cronograma de entrega de doses por ambas as instituições nos próximos meses. Apesar de haver contratos prévios firmados, a exportação da matéria-prima (o chamado IFA) ainda não foi aprovada pelas autoridades chinesas. Em um ofício ao Ministério Público Federal, a Fiocruz já admitiu que não conseguiria entregar ao Ministério da Saúde as doses previstas para fevereiro. Por conta dos entraves que podem causar descontinuidade na campanha de vacinação iniciada nesta semana, o Governo tenta negociar a compra de mais doses prontas e até alguns Estados se mobilizam para tentar ampliar a aquisição.

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