Filipe Sabará: “Taxar os ricos é matar a fonte de empregos”

Candidato do Partido Novo descarta aumentar impostos em São Paulo caso seja eleito. Aposta é retomar programa de privatizações tentado por Doria, mas que teve problemas para avançar

O EL PAÍS e o MyNews entrevistaram ao vivo nesta quinta-feira o candidato do Partido Novo à Prefeitura de São Paulo, Filipe Sabará, como parte de uma série de sabatinas com os postulantes ao comando da maior cidade do país nas eleições municipais de 2020. Na conversa, que foi transmitida em tempo real no site do jornal e nos canais do EL PAÍS e do MyNews no YouTube, Sabará descartou aumentar impostos na cidade, inclusive para os mais ricos, se eleito, para enfrentar as consequências da crise complexa provocada pela pandemia. “Taxar os mais ricos é matar fonte de empregos”, afirmou. “Sou contra o aumento dos impostos.” O candidato do Novo, que aparece com 1% das intenções de voto na mais recente pesquisa Datafolha, não descarta criar um programa municipal de renda básica, mas diz que ele terá, primeiro, de caber no orçamento atual.

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Sabará comanda uma campanha conturbada. Concorre atualmente graças a uma liminar no Tribunal Superior Eleitoral, já que teve sua filiação no Novo suspensa após denúncia de irregularidades em seu currículo—ele dizia que havia se formado em relações internacionais na Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), o que não é verdadeiro de acordo com a instituição. Ele também teve problemas com sua declaração de imposto de renda, que teve de ser corrigida. Sabará, 37 anos, é o candidato mais rico da disputa. De acordo com a declaração entregue ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), é dono de 5,1 milhões de reais, advindos de sua participação em uma empresa do Grupo Sabará, um conglomerado da indústria química do mercado de cosméticos.

Nesta campanha, Sabará diz empunhar a bandeira do liberalismo econômico, ao mesmo tempo que se define como um “conservador” e defensor dos valores “da família”. Questionado, disse que “a liberdade de as pessoas escolherem seu gênero, como elas querem se relacionar, está garantida na direita”. “Quando eu falo que eu sou conservador, é justamente conservar o direito das pessoas terem liberdade. Ninguém pode dizer como uma pessoa deve ou não se relacionar afetivamente.”

O candidato do Novo foi diretor da Beraca, uma das empresas do grupo, e fundador da ONG Arcah, que vende camisas promovidas para artistas e diz reverter as verbas para moradores de rua. A partir de seu trabalho na ONG, Sabará ingressou na vida pública na gestão Doria. Agora, ele não poupa críticas do atual governador, a quem critica pela relação “não cordial” com Jair Bolsonaro. Sabará também diz que, se eleito, vai reativar o plano de privatizações proposto por Doria. Diz que lhe faltou traquejo político para avançar na venda de ativos da Prefeitura para fazer caixa.

Até agora, além de Filipe Sabará, já foram sabatinados Guilherme Boulos (PSOL), Orlando Silva (PCdoB), Jilmar Tatto (PT), Joice Hasselmann (PSL) e Márcio França (PSB). Ainda hoje, é a vez de Marina Helou (Rede), às 18h.

Na sexta-feira, haverá o encerramento da programação quatro rodadas de entrevistas: às 13h, Arthur do Val (Patriota); às 15h, Celso Russomanno (Republicanos); às 16h, Bruno Covas (PSDB); e, às 18h, Andrea Matarazzo (PSD). Veja todos que já passaram pelas sabatinas até agora.


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