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Andrea Matarazzo: “Buraco e vaga de creche não são de esquerda nem de direita”

Pré-candidato do PSD à Prefeitura de São Paulo explica porque se uniu ao liberal Livres: “Não vieram me patrulhar, falar em Estado mínimo em uma cidade com três milhões de favelados”

Pré-candidato do PSD à Prefeitura de São Paulo, Andrea Matarazzo.
Pré-candidato do PSD à Prefeitura de São Paulo, Andrea Matarazzo.

O pré-candidato do PSD à Prefeitura de São Paulo, Andrea Matarazzo, de 63 anos, tenta escapar dos rótulos. “Eu pretendo ser o candidato das pessoas que gostam de São Paulo, não vou entrar nessa de direita ou de esquerda. Até porque, buraco e vaga de creche não são de esquerda nem de direita. O paulistano quer ver seus problemas resolvidos”, afirma o empresário, cujo sobrenome batiza o edifício sede do Executivo municipal que ele sonha ocupar em 2021. Em entrevista ao vivo ao EL PAÍS nesta quarta-feira (26), parte de uma série do jornal com os postulantes ao comando da maior cidade do país, Matarazzo apontou a desigualdade como o maior desafio a ser superado pelo próximo prefeito da capital paulista: “Essa política antiga que vem sendo feita em São Paulo tem deixado a periferia estacionada no século XIX”, diz.

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Empresário do ramo industrial, Matarazzo já foi ministro da Comunicação e vereador na capital. Mesmo com mais de 30 anos de vida pública ― o que poderia colocá-lo ao lado da “velha política” que ele critica― Matarazzo se juntou “aos jovens” para este pleito. Ele contará com o apoio do grupo de renovação política suprapartidário chamado Livres, de inspiração liberal “na economia e nos costumes”, segundo descrição do site do grupo. O empresário minimiza a predominância de homens brancos na entidade, em um momento no qual se fala em maior atuação de mulheres, negros e indígenas na política. “Confesso que não me preocupei com esse aspecto [diversidade], o que me interessou foi o fato de que é um grupo de viés liberal que entende as particularidades de uma cidade como São Paulo”, afirmou. “Não vieram me patrulhar, falar em Estado mínimo em uma cidade com três milhões de favelados”, completa.

Duro crítico da gestão atual de Bruno Covas (PSDB), Matarazzo avalia que a cidade errou muito no combate à covid-19. Um dos equívocos, segundo o pré-candidato, foi o prefeito ter optado por diminuir a frota de ônibus durante os primeiros meses de quarentena da pandemia. “Quem tinha que trabalhar acabou tendo que se aglomerar nas plataformas. Mantiveram o rodízio normal, depois as placas par e ímpar, foi péssimo para a saúde da população”, disse na conversa com o EL PAÍS. (veja abaixo a íntegra).

Para o pré-candidato, a situação do desemprego na capital paulista, que já sofre com os impactos da crise do coronavírus, será dramática em 2021. “A prioridade hoje já precisa ser contornar o desemprego. Tem que olhar esse aspecto.” Na avaliação de Matarazzo, para que a economia na cidade consiga ficar de pé e volte a gerar novos postos de trabalhos, serão necessários programas de refinanciamento de impostos e de linhas de microcrédito para as empresas.

O empresário defende ainda que as oportunidades cheguem a todas a franjas da cidade. “As pessoas não querem vir para o Centro. Elas querem que a cidade chegue na região delas.”

Matarazzo ressalta que o auxílio emergencial do Governo Federal “evitou o caos social”, mas pondera que, com o possível fim do programa até o fim do ano, o município terá que pensar, em eventualmente, complementar a renda da população mais vulnerável. “No primeiro ano do mandato será necessário optar mais por essa questão emergencial do que obra física”, diz ele, em consonância com o pré-candidato do PT, Jilmar Tatto, que também defende uma renda municipal.

De acordo com o pessedista, uma cidade como São Paulo tem forte dependência dos Governos estadual e federal e, por isso, defende uma boa relação institucional entre eles. “Você não pode deixar o luxo de gostar ou desgostar. Eu tenho que defender o interesse de 12 milhões de pessoas. Um monte gosta do presidente [Jair] Bolsonaro, do [João] Doria e de outros. Preciso estar acima de tudo isso”, diz.

Desde maio, políticos e personalidades já passaram pela série multiplataforma do EL PAÍS. O programa já contou com a participação dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Dilma Rousseff (PT), Michel Temer (MDB) e Fernando Collor (PTC). Dentre os candidatos à prefeitura de São Paulo, o pré-candidato do PT, Jilmar Tatto, já foi entrevistado. Confira todas as entrevistas no nosso canal de YouTube.

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