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Michel Temer: “Não quero entrar em nenhum movimento a favor ou contra Bolsonaro”

Ex-presidente diz ser defensor da democracia e que não há risco de golpe militar

Brasília e São Paulo - 08 jul 2020 - 17:46 UTC

O ex-presidente Michel Temer (MDB) disse que não tem interesse em participar de movimentos políticos que confrontem ou apoiem o presidente Jair Bolsonaro. “Não quero entrar em nenhum movimento a favor ou contra Bolsonaro”. A afirmação foi feita nesta quarta-feira em entrevista ao vivo feita pelo EL PAÍS e que foi transmitida no site do jornal, na página do Facebook do jornal e no canal do YouTube. Na entrevista, o emedebista ainda afirmou que, pela sua experiência, as Forças Armadas não têm nenhum interesse em dar um golpe militar. “Não há a menor possibilidade de intervenção militar.”

O antecessor de Jair Bolsonaro foi o quarto ex-presidente entrevistado pelo EL PAÍS nessa série de lives com políticos e personalidades brasileiras. Os outros foram: Fernando Collor (PROS), Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Dilma Rousseff (PT).

Eleito duas vezes vice-presidente da República, Temer chegou ao posto máximo do Poder Executivo em maio de 2016, em decorrência do processo de impeachment da então presidenta Dilma Rousseff (PT). Aos 79 anos de idade é um dos mais experientes políticos do país, ocupando cargos públicos desde a década de 1980. Advogado constitucionalista e escritor, ele foi deputado federal e secretário da Segurança Pública por São Paulo. Também presidiu a Câmara dos Deputados e o seu partido, o Movimento Democrático Brasileiro. Atualmente, está afastado do dia a dia da política partidária, mas segue dando seus conselhos a aliados.

Seu Governo foi o embrião de uma gestão reformista de corte liberal. Aprovou a reforma trabalhista, apresentou a reforma da Previdência, que não chegou a ser votada por conta de duas denúncias de corrupção e obstrução de Justiça que o Ministério Público Federal fez contra ele. Suas energias acabaram sendo voltadas para barrar o andamento das acusações na Câmara dos Deputados, que tinha de autorizar o andamento dos processos. No ano passado, acabou absolvido de uma delas, a que envolvia o empresário Joesley Batista, da JBS.

Desde que passou a faixa presidencial para Jair Bolsonaro (sem partido), Temer se viu às voltas com investigações criminais. Foi preso preventivamente em duas ocasiões dentro de uma mesma operação. Nela, é apurado um esquema de pagamento de propina e desvio de recursos públicos em contratos da usina nuclear de Angra 3, sob responsabilidade da estatal Eletronuclear. Ao todo, ficou dez dias detido. O presidente nega todas as acusações contra ele. Seu defensor, o advogado Eduardo Carnelós, declarou à época que sua prisão foi midiática e que as acusações são baseadas em “suposições e na débil palavra de delatores”.