Pandemia de coronavírus

Brasil ultrapassa Espanha e se torna o quinto país do mundo com mais mortes pelo coronavírus

Pelo quarto dia consecutivo, país soma mais de 1.000 óbitos em 24 horas, um quarto de todos as vítimas do globo no período. Cerca de 14.000 mortes suspeitas jamais serão checadas

Pessoas esperam para ser testadas em Bela Vista do Jaraqui, uma reserva às margens do rio Negro, no Amazonas, o terceiro Estado com mais mortes pela covid-19 no Brasil.
Pessoas esperam para ser testadas em Bela Vista do Jaraqui, uma reserva às margens do rio Negro, no Amazonas, o terceiro Estado com mais mortes pela covid-19 no Brasil.BRUNO KELLY / Reuters

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O Brasil encerra maio colecionando novas tristes marcas na pandemia do novo coronavírus. Nesta sexta-feira, pelo quarto dia seguido, o país confirmou mais mil novas mortes por covid-19, fazendo o total de óbitos saltar a 27.878. O número fez o país ultrapassar a Espanha e se tornar o quinto no mundo onde a doença foi mais mortífera até agora. Por onde se olhe os índices são preocupantes: nesta sexta, o país somou 26.928 novas infecções confirmadas, um recorde desde o início da crise —e uma cifra certamente subestimada pela falta de testes em massa. O desfalcado Ministério da Saúde, que funciona com substitutos e interinos em postos-chave desde a segunda troca de comando feita pelo presidente Jair Bolsonaro, no começo do mês, reconheceu que a curva da pandemia “permanece numa linear de ascendência”. Enquanto isso, Estados e cidades anunciam planos de reabertura econômica.

Nesta sexta, a Saúde fez um balanço do número de testes feitos no país: apenas 930.013 exames, somando laboratórios privados e públicos, ou cerca 4.428 testes por milhão de habitantes. A taxa de testes por população é mais de dez vezes menor do que a dos EUA ou do Reino Unido, países que lideram o ranking de vítimas no mundo.

Os números apresentados pela pasta brasileira deixam também evidente que a testagem no Brasil sequer consegue alcançar os pacientes graves suspeitos de terem contraído a doença. Pelos registros, desde o início da pandemia, 41.621 pessoas morreram apresentando um quadro de síndrome respiratória aguda grave (SRAG), uma condição frequente provocada pelo novo coronavírus. O ministério já sabe que 22.543 dessas mortes foram, de fato, provocadas pela covid-19 e ainda investiga 4.245 óbitos. Outras 14.373 mortes, no entanto, jamais terão suas causas especificadas, ainda que tudo aponte que foram provocadas pela pandemia —2020 já superou de longe o total de mortes de SRAGs dos anos anteriores.

Segundo o ministério, o motivo de esses quase 15.000 óbitos ficarem num limbo é a falha na testagem: ou a amostra não foi colhida ou, se foi, o processo não foi feito corretamente, impedindo a análise. Se devidamente testadas e somadas, as mortes colocariam o Brasil em quarto ou até terceiro lugar entre os países com mais vítimas da pandemia.

A precariedade dos números é apenas uma das facetas da crise que golpeia o país de maneira muito desigual. Na cidade de São Paulo, a mais populosa do país e que prepara um plano de reabertura econômica ainda cercado de dúvidas, as mortes ainda não começaram a cair e se concentram nas franjas pobres do território. No mapa brasileiro, a situação tampouco é homogênea. Embora quase 70% dos municípios brasileiros já lidem com a doença, as situações mais agudas se concentram nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, no Sudeste, que seguem liderando as mortes, e em mais 8 Estados do Norte e Nordeste do país. As regiões Sul e Centro-Oeste enfrentam, por enquanto, um nível menor de contaminação.

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Entre os mortos por coronavírus, 70% tinham mais de 60 anos e 62% apresentavam ao menos um fator de risco. Nesta sexta, o Ministério da Saúde apresentou dados da sobre a evolução de algumas doenças crônicas entre os anos de 2006 e 2019. De acordo com Luciana Sardinha, coordenadora geral de Vigilância de Doenças e Agravos não Transmissíveis, a taxa de adultos com diabetes, uma dos fatores de risco para o coronavírus, passou de 5,5% para 7,4% da população. Os índices de hipertensão permaneceram estáveis, passando de 22,6% para 24,5% no período. A taxa de obesidade foi a que registrou um maior aumento em 14 anos, passando de 11,8% para 20,3% da população adulta.


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