Índia

O ataque a 34 meninas indianas por reação à intimidação sexual de um grupo de adolescentes

Pelo menos dez pessoas foram presas, entre elas quatro mulheres adultas. Elas foram a razão da agressão contra garotas de castas baixas ocorridas no Estado de Bihar

Estudantes de 12 a 16 anos foram internadas em um hospital no município de Triveniganj, no Estado de Bihar, Índia, na segunda-feira, com vários ferimentos depois que uma multidão de crianças e adultos as atacou com paus e barras. O incidente, ocorrido no último sábado, veio à tona na segunda-feira, quando dez pessoas, incluindo quatro mães, foram presas sob a acusação de terem participado do ataque a um grupo de 34 crianças, disse o chefe de polícia do distrito, Mrityunjay Kumar Choudhary, à Reuters.

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"Há sete ou oito meninas aqui, todas estão em condição estável. Algumas delas tiveram cabelo arrancado e têm hematomas por causa das pancadas. Mas não há problemas internos", diz um trecho da entrevista realizada pela agência de notícias local INA com um funcionário do hospital para onde foram levadas as menores vítimas da agressão.

De acordo com a descrição feita pela polícia, 34 meninas estavam brincando dentro de sua escola, um internato para garotas de casta baixa no distrito de Saupaul, a 250 quilômetros da capital do Estado, Patna, quando um grupo de adolescentes entrou nas instalações. O jornal local Times of India conta como as garotas reagiram contra os invasores porque eles escreveram comentários obscenos nas paredes da escola. Quando elas conseguiram expulsá-los, eles voltaram com suas famílias e outros moradores.

"Uma turba se organizou em torno dos pais dos meninos, que agrediram as menores", disse Jagatpati Chaudhury, o funcionário encarregado da educação no distrito, à AlJazeera English, que também relatou cenas de ataques a professores e danos à infraestrutura por parte dos adultos, cerca de 15, acompanhados dos filhos. "Eles nos puxaram pelas tranças do cabelo, nos deram socos e nos bateram com varas de bambu", disse a The Guardian Gudia, uma das meninas que foram atendidas no hospital.

As garotas relataram ter denunciado insultos semelhantes em outras ocasiões, sem que as autoridades da escola ou a polícia tomassem providências sobre o assunto. Depois de examinadas pelos médicos, elas voltaram à escola, agora vigiadas pela polícia local para evitar mais incidentes. O juiz do distrito, Baidyanath Yadav, disse que serão erguidos portões no perímetro da escola para proteger as meninas.

A violência machista é o maior flagelo na Índia, declarado o país mais perigoso para as mulheres, de acordo com um estudo publicado pela Fundação Reuters. A violência sexual é o principal obstáculo para o progresso dos 650 milhões de indianas em um país onde os crimes contra crianças aumentaram 500% nos últimos dez anos. As agressões se multiplicam em Estados empobrecidos, superpovoados e fronteiriços, como Uttar Pradesh ou o próprio Bihar, onde ocorreu este último caso. Essas regiões formam o cordão hinduísta da Índia, onde o radicalismo religioso tem seu bastião e as comunidades muçulmanas e os grupos pertencentes às castas mais baixas sofrem atrocidades da maioria hindu. As meninas pertencentes a essas minorias são o maior alvo dos crimes em uma sociedade tão segregada quanto sexista, e onde as queixas de violência contra as castas mais desfavorecidas aumentaram 5,5% em 2016, em comparação com o ano anterior.

O Estado de Bihar, em particular, tem sido o foco das recentes queixas, depois que uma auditoria em 110 abrigos para mulheres encontrou evidências de abuso em vários deles. Em particular, o relatório destaca a violação contínua de pelo menos 30 crianças em um dos abrigos no distrito de Muzaffarpur. Os protestos liderados por grupos em apoio às mulheres e contra o silêncio administrativo levaram à suspensão de 20 funcionários do Governo e à prisão de 14 pessoas ligadas ao caso.

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