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“Dustin Hoffman me assediou sexualmente quando eu tinha 17 anos”

Em artigo, mulher acusa o ator de tocá-la sem seu consentimento em uma filmagem em 1985

Dustin Hoffman, em ‘A Morte do Caixeiro Viajante’
Dustin Hoffman, em ‘A Morte do Caixeiro Viajante’

"Esta é uma história que contei tantas vezes que, às vezes, me surpreende quando alguém que conheço não a tenha escutado." Assim começa o texto de Anna Graham Hunter. Publicamente, no entanto, o relato da escritora não era conhecido até hoje, narrado por ela mesma, em um artigo na revista The Hollywood Reporter. O título é inequívoco: Dustin Hoffman me assediou sexualmente quando eu tinha 17 anos. Na época, o ator tinha 47 anos.

O texto oferece um detalhado relato, de mais de 2.000 palavras, do que a escritora sofreu durante a filmagem da série de televisão A Morte do Caixeiro Viajante, em 1985, estrelada pelo ator e onde Graham Hunter trabalhava como assistente de produção. Entre outros episódios, contou que Hoffman pediu, no primeiro dia no set, para que lhe fizesse uma massagem nos pés, que o ator agarrou suas nádegas, que flertou abertamente com ela e que, um dia, quando ela lhe perguntou o que queria para o café da manhã, o ator respondeu: "Um ovo muito cozido e um clitóris pouco cozido". Procurado pela The Hollywood Reporter, Hoffman respondeu: "Tenho o maior respeito pelas mulheres e me sinto terrivelmente mal caso possa ter feito qualquer coisa que lhe tenha causado desconforto. Sinto muito. Isso não reflete quem sou".

Depois de uma introdução na qual destaca os principais fatos, a autora lembra que adorou as cinco semanas que passou na filmagem e acrescenta: "E sim, também amei a atenção de Hoffman, até que não mais". A partir daí, Graham Hunter resgata vários fragmentos de um diário que escreveu e enviou para a irmã, enquanto trabalhava em A Morte do Caixeiro Viajante, e que voltou a ler "recentemente pela primeira vez".

A denúncia pública de Graham Hunter coincide com a que o ator Anthony Rapp lançou contra Kevin Spacey, a quem acusou de assédio sexual quando tinha 14 anos e o intérprete, hoje famoso protagonista de séries como House of Cards, 26. Num âmbito mais amplo, a caixa de Pandora foi aberta há três semanas, quando uma investigação do The New York Times revelou depoimentos de uma dezena de mulheres que acusaram o todo-poderoso produtor e distribuidor de Hollywood Harvey Weinstein de assediá-las e prometer ajuda em suas carreiras em troca de favores sexuais. A partir daí, mais atrizes, ex-colaboradoras e ex-secretárias de Weinstein levantaram suas vozes contra ele, tanto que agora há cerca de 60 depoimentos de suposto assédio que abrangem décadas da carreira do produtor, já desde os anos setenta.

Muitos delas, como por exemplo a diretora e atriz italiana Asia Argento, explicaram que não haviam denunciado os casos até hoje por medo de serem marginalizadas ou de que suas carreiras fossem "esmagadas". No entanto, quando o escândalo de Weinstein veio a público, dezenas de outras mulheres relataram que haviam sido vítimas de assédio no mundo do cinema, da arte ou da música. E a campanha #metoo incentivou usuárias a compartilhar na Internet os abusos daquelas que são ou também foram vítimas.

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