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#EuTambém: Mulheres do mundo todo contam que sofreram assédio sexual

Campanhas nas redes encorajam a expor o problema. Personalidades como Monica Lewinsky e Lady Gaga também aderiram

#MeToo #EuTambém campanha contra assédio sexual
A atriz Alyssa Milano, que denunciou ter sido assediada pelo produtor Harvey Weinstein.

As denúncias contra o produtor norte-americano Harvey Weinstein por assédio sexual continuam e estão encorajando muitas outras mulheres a contar sua história. Nos últimos dias, as redes sociais receberam milhares de mensagens de mulheres anônimas e personalidades públicas denunciando que também foram vítimas de situações similares. Seus depoimentos vêm, em sua maioria, com a hashtag #MeToo (eu também).

A atriz Alyssa Milano, que foi colega de elenco de Rose McGowan na série Charmed, começou uma corrente que deu a volta ao mundo em menos de 24 horas. McGowan é uma das principais vozes que denunciaram Weinstein. A mensagem de Milano diz o seguinte: “Sugerido por um amigo/a: Se todas as mulheres que foram assediadas ou agredidas sexualmente escrevessem eu também em seu status [nas redes], poderíamos fazer as pessoas entenderem a magnitude do problema”. Em seu tuíte, ela sugere que respondam a esse mesmo thread do Twitter, que em menos de 24 horas somou mais de 39.000 respostas. A primeira, da própria atriz:

A maioria das respostas foi anônima, mas também houve nomes muito conhecidos que se pronunciaram. Entre elas, Lady Gaga e Monica Lewinsky.

A hashtag mais utilizada foi #MeToo mas também apareceram versões em castelhano #YoTambién e #AMíTambién que, seguindo o mesmo esquema, encorajavam as mulheres a aderir à iniciativa.

“Delate seu porco”

Na França, a hashtag escolhida para denunciar situações de assédio sexual foi #balancetonporc, traduzível como “delate seu porco”. A ideia partiu da jornalista Sandra Muller, inspirada pela onda de denúncias de casos de assédio contra Weinstein.

Em 13 de outubro, Muller, fundadora da publicação especializada em televisão La Lettre de l'Audivisuel e que vive nos Estados Unidos, lançava no Twitter uma pergunta: “E se nós também revelássemos os nomes dos predadores sexuais que 1) nos faltaram com o respeito verbalmente e 2) tentaram nos tocar?”. Nascia o “delate seu porco” e ela mesma deu o primeiro passo contando sua própria experiência: “Você tem peitos grandes. Faz o meu tipo. Vou te fazer gozar a noite toda”, foi o que ouviu do ex-presidente de uma emissora. Em poucos dias, dezenas de milhares de mensagens e relatos de casos pessoais – muitos deles de mulheres jornalistas que também foram assediadas por seus chefes – encheram o Twitter com a hashtag #balancetonporc, que se tornou um trending topic neste fim de semana.

A popularidade dessa tendência deixou numa saia justa o ministro da Economia, Bruno Le Maire, que teve de se retratar publicamente na segunda-feira. Durante uma entrevista matinal no rádio, Le Maire afirmou que, apesar de conhecer um político sabidamente assediador, não o revelaria porque “a denúncia não faz parte de minha identidade política”. Pouco depois, publicou um vídeo em sua conta do Twitter pedindo desculpas por ter se “expressado mal” e afirmando que reagiu à palavra “denúncia” e não “ao problema do assédio que as mulheres sofrem há muito tempo” e que é, declarou, “escandaloso e inaceitável”.

“Se soubesse de um caso de assédio sexual contra uma mulher, eu seria o primeiro a avisar, porque não podemos continuar tolerando esse silêncio, é preciso que as vítimas possam se expressar com todo o apoio da sociedade e dos políticos. Estou pronto para participar desse combate”, afirmou.

Boicote ao Twitter

Na sexta-feira 13 de outubro, a hashtag #WomenBoycottTwitter (mulheres boicotam o Twitter), que propunha não utilizar o Twitter naquele dia, se tornou um trending topic mundial. A proposta veio da usuária @justkelly_ok depois de o Twitter suspender a conta de Rose McGowan, uma das principais vozes contra Weinstein. Aderiram, entre outros, a modelo Christine Teigen e atores como Mark Ruffalo.

A única explicação que McGowan recebeu do Twitter para a suspensão de sua conta foi um aviso genérico de que ela havia descumprido as normas, sem especificar quais. Só depois que ela denunciou o bloqueio em seu Instagram a empresa deu uma explicação mais detalhada e restaurou a conta da atriz: “Um de seus tuítes incluía um número de telefone privado, o que vai contra nossos termos de uso. O tuíte foi apagado e sua conta foi desbloqueada. Seremos mais claros sobre essas políticas e decisões no futuro”.

Garotas, vamos fazer isto. #WomenBoycottTwitter. Não por ódio, mas porque amo esta plataforma e sei que ela pode ser melhor.

Amanhã (sexta-feira, 13) será o primeiro dia em mais de dez anos que não tuitarei. Junte-se a mim. #WomenBoycottTwitter

Amanhã eu estou com as mulheres #WomenBoycottTwitter

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