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PSDB se fortalece para articular a oposição contra Dilma Rousseff

Com bancada mais experiente, parlamentares tucanos terão a missão de comandar contraposição ao Governo Federal

Senado tem a bancada mais poderosa

Simpatizantes do PDSB na noite eleitoral em Belo Horizonte.
Simpatizantes do PDSB na noite eleitoral em Belo Horizonte. REUTERS

Por 12 anos, o PSDB fez uma tímida oposição aos governos petistas de Lula da Silva e Dilma Rousseff. Com o resultado das urnas deste ano, caberá agora ao partido tentar articular as forças concedidas pelos mais de 51 milhões de votos de Aécio Neves para incomodar a presidenta e promover os debates necessários para o país. Com a disputa mais apertada do Brasil em 25 anos, o PSDB obteve sua maior votação em uma derrota e venceu Dilma em 12 das 27 unidades da federação.

“De uma certa maneira, o PSDB está ressurgindo. Mas é necessário esperar os primeiros meses de mandato para saber como ele vai agir de fato”, ponderou o cientista político David Fleischer, da Universidade de Brasília.

Apesar de ter perdido dois senadores com relação a 2010, quando tinha 12, o PSDB entra mais experiente no Senado. Foram eleitos José Serra (SP), Tasso Jereissati (CE) e Antonio Anastasia (MG), todos com experiências no Executivo, e foi reeleito Álvaro Dias (PR). “Se olhar os quadros individualmente, ouso dizer que a bancada do PSDB no Senado é mais poderosa até do que a do PT, embora ainda seja a terceira maior da casa”, afirmou o cientista político Carlos Ranulfo, da Universidade Federal de Minas Gerais.

Na Câmara dos Deputados, o PSDB elegeu 53 deputados federais, nove a mais do que sua atual bancada. Ficou com pouco mais de 10% dos eleitos para essa Casa legislativa e chegou ao posto de terceiro maior partido, atrás do PT e do PMDB, respectivamente. Entre os deputados tucanos experientes estão o baiano Antonio Imbassahy, o paranaense Luiz Carlos Hauly e os paulistas Carlos Sampaio, Bruno Covas e Duarte Nogueira. “Não resta dúvidas de que a oposição sai mais forte desta eleição. Resta saber se ela vai conseguir ficar unida no campo político ou se alguns dos que se dizem opositores vão ceder aos encantos do Governo”, declarou Ranulfo.

A maior dúvida está com relação ao PSB, o partido que se colocou como a terceira via nesse pleito, primeiro com Eduardo Campos e depois com Marina Silva. Os socialistas sempre caminharam ao lado do PT. Quando decidiu romper com a gestão Dilma para lançar uma candidatura própria, não havia consenso, assim como não foi unanimidade o apoio a Aécio no segundo turno deste ano.

Os socialistas cresceram de 24 para 33 deputados. Contam com parlamentares experimentados como o mineiro Júlio Delgado, o pernambucano Fernando Coelho Filho, o piauiense Heráclito Fortes, o gaúcho José Stedile e a paulista Luiza Erundina. Além disso, elegeu três senadores, entre eles o polêmico ex-jogador Romário, e chegaram à quarta maior bancada no Senado, com sete nomes.

“Apesar da boa votação, o PSB se enfraquece. Não tem mais o seu líder [Eduardo Campos] e vai perder os quadros da Rede. Eles terão de se reorganizar internamente, ainda mais levando em conta que figuras históricas do partido seguiram rumos diferentes no segundo turno”, avaliou Ranulfo, referindo-se ao então presidente dos socialistas, Roberto Amaral, que contrariou a legenda e apoiou Dilma.

O que pode pesar a favor dos tucanos é o PMDB. Eterno partido governista, ele vem um tanto rachado das eleições, principalmente por conta da falta de apoio do Governo federal em algumas disputas estaduais, como no Rio Grande do Norte, no Amazonas e no Ceará. “Há que se lembrar que, durante a convenção do partido, quase 45% dos delegados do PMDB foram contra a manutenção do apoio ao PT. Isso tem alguma representação”, ponderou Fleischer.

Um ponto que pode pesar contra os tucanos é a eterna disputa interna entre eles. Neste ano, Aécio Neves foi quase unanimidade para ser o nome do PSDB para a presidência, algo muito diferente do que aconteceu nos últimos pleitos quando José Serra e Geraldo Alckmin, o governador de São Paulo, queriam concorrer. Serra, que já perdeu duas disputas presidenciais para o PT, ainda mantém o sonho de se tornar presidente. Possivelmente, em 2018, ele tentará ser o nome do partido na corrida eleitoral. “Para mim está claro que o PSDB fará, ao menos nos dois primeiros anos, uma oposição nos limites de suas forças. Eles só não podem se apressar para a disputa de 2018, senão, o rompimento interno será rápido”, disse Ranulfo.

Nos Estados, tanto o PSDB quanto o PSB saíram enfraquecidos. Os tucanos elegeram cinco governadores, contra oito de 2010, enquanto os socialistas perderam metade de seus seis Estados.

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