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Dilma derrota Aécio na eleição mais disputada dos últimos 25 anos

Com vitória, PT se consolida como o partido com maior tempo consecutivo no poder

Diferença entre eles foi de 3,28 pontos percentuais

Dilma e Lula celebram a vitória neste domingo em Brasília. REUTERS

A mulher que nunca havia se preparado para ser presidenta acaba de ser reeleita para seu segundo mandato na disputa presidencial mais acirrada do Brasil desde 1989. Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT), confirmou as últimas pesquisas e venceu Aécio Neves, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), por 51,64% a 48,36%.

Se em 2010 a caloura em eleições Dilma viu a candidatura cair em seu colo, neste ano, ela teve até de travar lutas internas para poder concorrer. Descontentes com sua gestão, políticos aliados, alguns do próprio PT, e parte do empresariado, tentaram iniciar um movimento "Volta Lula", que demorou a ser desmentido pelo principal líder petista, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Quatro anos atrás era comum ouvir que Lula havia escolhido um poste (Dilma) para sucedê-lo. Na ocasião, o então mandatário ficou sem muitas opções, já que a cúpula petista (José Dirceu e José Genoino) havia se complicado com o mensalão e outro ministro-estrela, Antonio Palocci, tinha se envolvido em um escândalo com lobistas.

Economista, militante de esquerda contra a ditadura militar ela teve a imagem muito trabalhada por Lula e pelos marqueteiros para garantir sua primeira eleição, já que sua experiência era nula. Naquele ano, a petista venceu José Serra (também do PSDB) por 56% a 44%. Desde que Dilma assumiu a presidência, porém, padrinho e afilhada se distanciaram. Nem tanto ao ponto de romperem. O câncer que acometeu o ex-presidente contribuiu para o seu afastamento, mas as diferenças de gestões também pesaram. Ele, mais político, ela mais técnica. No primeiro turno, inclusive, Lula chegou a ser acusado de estar omisso da campanha de sua afilhada política, o que chamou a atenção dos analistas políticos e da imprensa.

Na sua primeira disputa sempre teve Lula ao seu lado. Desta vez, caminhou por um tempo maior sozinha, mas se viu obrigada a pedir o socorro ao padrinho quando Aécio começou a crescer no segundo turno. Lula reapareceu com força. Foi a eventos no Nordeste, no Norte, no Centro-Oeste e foi o principal responsável por atacar o tucano. O chamou de "filhinho do papai" que nunca havia trabalhado, mostrou que não era tão bom gestor como aparentava e disse que o PSDB era nazista. Lula foi uma espécie de bad cop, de uma dupla de policiais.

Durante toda a campanha o PT ainda se deparou com dois graves problemas e com um fator imponderável. As pedras no caminho: a economia patinando, com uma recessão técnica, e a crise da Petrobras. O inesperado: o acidente aéreo que matou Eduardo Campos e botou Marina Silva na disputa, no primeiro turno.

As soluções encontradas por ela foi prometer trocar a equipe econômica e atacar Marina, que por um momento liderou as pesquisas. A presença do ex-presidente ao lado de Dilma, a intensificação da campanha no Nordeste e a "desconstrução" de Aécio surtiram efeito. Nos último dias as pesquisas já apontavam que Dilma seria eleita, ainda que com uma margem apertada de votos.

Recorde no poder e desafios

Se Dilma completar seu segundo Governo, o PT se consolidará como o partido com mais anos seguidos no poder, passando até a ditadura de Getúlio Vargas (1930-1945), quando o presidente era da Aliança Libertadora Nacional. Serão 16 anos, somando os dois governos Lula (2003-2010) e os dois de Dilma.

Os principais desafios da mandatária será fazer o Brasil voltar a crescer, controlar a inflação e aprofundar o combate à corrupção. Neste ano, o Governo dela enfrentou um dos maiores escândalos da política brasileira, o de supostos desvios de 10 bilhões de reais da Petrobras. A suspeita é que esse dinheiro era usado para pagar propina a políticos da sua base aliada. Ela nega envolvimento ou conhecimento do esquema ilegal.

Nas outras áreas, a presidenta reeleita prometeu manter os programas sociais, como o Minha Casa Minha Vida e Bolsa Família, e ampliar o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec).

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