Seleccione Edição
Entra no EL PAÍS
Login Não está cadastrado? Crie sua conta Assine

Noite de euforia e desgosto

Em São Paulo, eleitores de Dilma tomaram a Avenida Paulista, e os de Aécio foram ao Itaim

Apoiadores de Dilma Rousseff na Avenida Paulista.
Apoiadores de Dilma Rousseff na Avenida Paulista. AP

Os nervos e as tensões de uma disputa tão acirrada acabaram canalizados em dois lugares: na avenida Paulista e nos bares, longe de lá. Enquanto centenas de entusiasmados partidários de Dilma Rousseff se concentravam na artéria econômica de São Paulo, os simpatizantes de Aécio afogavam as penas nos seus drinks de cores.

Por volta das 22h, o trecho da Paulista em frente à Faculdade Cásper Libero concentrava centenas de pessoas. O clima era de euforia. Casais, grupos de amigos e famílias pulavam ao ritmo das músicas usadas durante a campanha petista no país todo. Muitos carros paravam, seus condutores saíam e se abraçavam a desconhecidos que comemoravam depois de uma das campanhas mais tensas de que se tem memória.

Daniele Barros, de 31 anos, chorava enquanto ouvia as palavras que saíam do carro de som vermelho que anima a concentração. "Vimos muita intolerância e preconceito. Era um clima aterrador, mas está vitória é do povo. É muito emocionante estar na comemoração da esquerda em uma cidade tão elitista como São Paulo", dizia às lágrimas.

A comemoração em São Paulo é para muitos dos assistentes um prêmio por uma batalha vencida. "Isto é uma catarse, estávamos muito ansiosos. A gente vive no pior lugar do mundo para debater política, mas hoje estamos aqui. Semana passada eram os tucanos que nos xingavam, hoje aqui estamos nós", dizia o psicólogo Rogério Gianini, de 53 anos.

Enquanto a Paulista se lotava de eleitores entusiasmados, o clima de derrota invadia os bares do bairro de Itaim. Chegadas às 20h os clientes de um bar de cuidada decoração famoso pela criatividade do seu bartender, circundavam a tela da TV. Na hora que os primeiros resultados já apontavam Dilma Rousseff como vencedora um guardanapo voou contra o televisor. "Puta que pariu", "não acredito", "isso é muito triste", "só dá vontade de sair deste país que vai virar uma Cuba ou uma Venezuela, só que pior. Vamos ser um país do terceiro mundo", podia se ouvir entre os clientes.

Especialmente triste estava Fabio Wertheimeaer, que repetia os lemas tucanos com angústia. "Falam dessa elite paulista. Pois eu sou paulista e trabalho como um louco, tudo para bancar o mensalão. Essa pilantra e ladra afundou um país, quebrou a Petrobras e pertence a um dos Governos mais corruptos da história deste país. Nos próximos quatro anos, isto vai ser Cuba", lamentava.

MAIS INFORMAÇÕES