_
_
_
_
_

Trump defendeu apelo de invasores do Capitólio de “enforcar Pence” no dia 6 de janeiro

Numa entrevista que acaba de vir a público, o magnata demonstrou simpatia com as ameaças feitas por seus apoiadores na invasão ao Congresso

Iker Seisdedos
Asalto al Capitolio, EE UU
Um apoiador de Trump usando uma máscara de gás em 6 de janeiro em Washington, pouco antes do ataque ao Capitólio.ROBERTO SCHMIDT (AFP)

Donald Trump fez defesa de um apelo dos manifestantes que invadiram o Capitólio em Washington no dia 6 de janeiro quando gritaram para “perdurar [seu vice-presidente] Mike Pence”. Naquele dia, Pence presidia a sessão do Senado na qual ele deveria certificar a vitória de Joe Biden nas eleições de novembro de 2020. Trump fez essa defesa ao jornalista da ABC News Jonathan Karl em uma conversa que agora vem à tona.

Trump pediu a Pence que usasse seu cargo de vice para não validar a vitória democrata. Quando ele se recusou, ele se tornou um traidor aos olhos dos seguidores do ex-presidente. Milhares deles se reuniram em 6 de janeiro em Washington para uma manifestação fora do Capitólio que levou ao ataque.

A entrevista com Karl veio a público quase oito meses depois de ter sido realizada no clube Mar-a-Lago (Flórida), o refúgio preferido do ex-presidente. Ela vem à tona em plena investigação sobre a invasão daquele dia, investigação esta que Trump tenta torpedear a qualquer custo, e bem a tempo de despertar o interesse pelo livro de Karl, Betrayal (Betrayal), cuja publicação está marcada para a próxima semana.

Na gravação, divulgada nesta sexta-feira no site da Axios, ouve-se o seguinte diálogo:

“Ele [Pence] poderia ter feito isso [evitar a nomeação de Biden] ... e bem, as pessoas estavam muito zangadas”, disse Trump.

- “Eles disseram: ‘Vamos enforcar o Mike Pence’”, acrescentou Karl.

- “É apenas senso comum, Jon. É de senso comum entender o que você se supões que se deve proteger. Como você pode permitir isso? Como você pode deixar que uma votação fraudulenta ocorra [se legitime] no Congresso? “Trump insistiu.

Mais tarde, o ex-presidente enfatiza sua teoria, que se provou falsa, de que Pence tinha a capacidade de anular os resultados de um punhado de estados indecisos, como Wisconsin, Arizona, Michigan, Pensilvânia, Geórgia e Arizona, onde Trump sustenta, sem evidências, de que houve fraude eleitoral generalizada.

Em outro ponto da entrevista, Karl pergunta ao magnata se no dia 6 de janeiro ele estava preocupado com a segurança de Pence, que teve que se refugiar dentro do Capitólio com o resto dos senadores enquanto uma multidão tomava conta do prédio. “Não, pensei que estava protegido e me disseram que estava em boas condições”, disse ele.

Nesta quinta-feira, um tribunal de apelações bloqueou temporariamente a divulgação de documentos da Casa Branca sobre o ataque, que foi solicitada em agosto por uma comissão da Câmara dos Deputados, responsável por investigar o episódio daquele dia. Uma juiza determinou na terça-feira que o Congresso tem o direito de acessar os papéis de Trump, que com a decisão do tribunal de apelações obteve uma trégua até 30 de novembro. O republicano quer que esses documentos sejam mantidos em segredo.

Inscreva-se aqui para receber a newsletter diária do EL PAÍS Brasil: reportagens, análises, entrevistas exclusivas e as principais informações do dia no seu e-mail, de segunda a sexta. Inscreva-se também para receber nossa newsletter semanal aos sábados, com os destaques da cobertura na semana.

Mais informações

Arquivado Em

Recomendaciones EL PAÍS
Recomendaciones EL PAÍS
_
_