Racismo

Um Trump desafiador acusa “extrema esquerda” por protestos contra a morte de George Floyd

Presidente diz que os moradores afetados pelos distúrbios depois do episódio de violência policial são agora “as principais vítimas desta situação horrível”

Donald Trump aponta para Elon Musk no Centro Espacial Kennedy, onde ocorreu o lançamento da SpaceX, neste sábado.
Donald Trump aponta para Elon Musk no Centro Espacial Kennedy, onde ocorreu o lançamento da SpaceX, neste sábado.Alex Brandon / AP

Era uma mensagem para a história. O presidente americano, com um fundo estrelado e o logotipo da Nasa, discursou no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, depois que os Estados Unidos estabeleceram um novo marco na corrida espacial, colocando em órbita dois astronautas a partir do solo americano pela primeira vez em uma década —e, pela primeira vez na história, a bordo de uma nave de uma empresa privada—. Mas Donald Trump dedicou a primeira parte de seu longo discurso no sábado à tarde aos distúrbios que, pela quinta noite seguida, incendiaram o país depois da morte, sob custódia policial em Minneapolis, de George Floyd, um homem negro. Após um marco com potencial para elevar o moral e a coesão de um país atingido pela pandemia de coronavírus e uma revolta social, o presidente, como tinha feito horas antes pelo Twitter, responsabilizou “os antifascistas e a extrema esquerda” pelos protestos.

“Entendo a dor que as pessoas sentem”, disse Trump. “Apoiamos o direito dos manifestantes pacíficos e ouvimos seus apelos. Mas o que estamos vendo agora nas ruas de nossas cidades não tem nada a ver com justiça ou paz. A memória de George Floyd está sendo desonrada por desordeiros, saqueadores e anarquistas.”

Os moradores afetados pelos protestos violentos são agora “as principais vítimas desta situação horrível”, afirmou o presidente. “[Os culpados] são os antifascistas e a extrema esquerda. Não joguem a culpa nos outros!”, tuitou antes.

Antes de viajar para a Flórida, quando ainda estava nos jardins da Casa Branca, Trump criticou as autoridades de Minneapolis por permitir que os protestos pela morte de Floyd desandassem para a violência. “Vocês devem ser mais duros, e sendo mais duros honrarão sua memória”, disse. A Administração ofereceu ao governador de Minnesota a ajuda do Exército para reprimir os protestos.

No Twitter, o presidente fez postagens contra os veículos de comunicação (voltando a chamá-los de “inimigos do povo”) e contra os governadores “progressistas”, afirmando que estes “devem ser mais duros ou o Governo federal entrará e fará o que precisa ser feito”.

As declarações de Trump baixaram pouco o tom em relação a seus tuítes, que, desde que centenas de manifestantes se concentraram em frente à Casa Branca na noite de sexta-feira, tenderam mais ao desafio do que à conciliação. “[Os agentes do Serviço Secreto que protegiam a Casa Branca] Deixaram os manifestantes gritarem e reclamarem o quanto quisessem, mas quando alguém ficava muito brincalhão ou saía da linha, caíam rapidamente em cima deles, duramente. Não sabiam o que os havia atingido”, escreveu Trump em uma série de publicações. “Uma grande multidão, profissionalmente organizada, mas ninguém chegou perto de atravessar a cerca. Se tivessem feito isso, teriam sido recebidos pelos cães mais ferozes e pelas armas mais ameaçadoras que já vi. É aí que as pessoas poderiam ter sido gravemente feridas, no mínimo. Muitos agentes do Serviço Secreto só estavam esperando para entrar em ação.”

O presidente terminou sua sequência de tuítes de sexta-feira com uma mensagem que pareceu ser um chamado para que seus partidários também se concentrassem diante da Casa Branca: “Esta noite, pelo que entendo, é noite de MAGA [sigla em inglês de ‘faça a América grande de novo’, seu slogan de campanha] na Casa Branca?”, escreveu. Indagado depois sobre se o tuíte era um convite à violência, respondeu: “Não tenho nem ideia se vão estar aqui, só estava perguntando”.

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