Telefónica reforçará sua liderança em celular no Brasil depois do leilão da Oi

Consórcio formado pela empresa espanhola (com a marca Vivo), a América Movil (Claro) e a Telecom Itália (Tim) paga 16,5 bilhões de reais sozinho pelos ativos móveis da quarta maior operadora do país

Sede da Oi no Rio de Janeiro (Brasil)
Sede da Oi no Rio de Janeiro (Brasil)EFE

O consórcio formado pelas subsidiárias no Brasil da espanhola Telefónica, que opera sob a marca Vivo, a mexicana América Móvil (Claro) e a Telecom Italia (TIM) adquiriu os ativos de telefonia móvel da Oi, a quarta maior operadora de telecomunicações do país, em um leilão realizado na tarde desta segunda-feira, sem nenhum outro concorrente na disputa. O grupo pagou 16,5 bilhões de reais, um pouco acima do valor mínimo — 15 bilhões de reais (valor previsto para o leilão, apresentado pela oferta de 28 de julho). Desse valor, 756 milhões de reais correspondem aos serviços transitórios que serão prestados pela Oi aos licitantes por 12 meses.

Mais informações

A Highline Brasil, empresa que oferece infraestrutura de telecomunicações e é controlada pelo fundo norte-americano Digital Colony, foi a primeira a anunciar seu interesse nas operações de telefonia celular da Oi, mas acabou desistindo da licitação, deixando o caminho livre para a Telefónica e seus sócios

O fechamento da compra dos ativos da empresa brasileira depende agora da aprovação do órgão regulador de telecomunicações do país, a Anatel, e do fiscalizador da concorrência, o CADE, embora não se espere que eles coloquem obstáculos.

Leilão 5G

A favor do consórcio do qual a espanhola faz parte está o fato de as três operadoras associadas já terem garantido sua participação nas licitações do 5G que o Brasil pretende realizar no primeiro semestre de 2021. O leilão concederá direitos sobre quatro diferentes faixas de radiofrequência (700 MHz, 2,3 GHz, 3,5 GHz e 26 GHz), o que, por se tratar de um país com dimensões continentais e um mercado de 212 milhões de habitantes, torna a licitação uma das maiores do mundo.

Após a operação, a Vivo fortalecerá sua liderança no mercado de telefonia móvel no Brasil, melhorando ainda mais a experiência do cliente, graças a maior quantidade de espectro disponível e de ativos de rede, que serão fundamentais para manter uma elevada qualidade de serviço em todas as tecnologias, e com um concorrente a menos.

A Telefónica Brasil, que atua no Brasil por meio da marca Vivo, é líder no mercado brasileiro de telefonia móvel, com participação de quase 33%, enquanto a TIM Brasil é a terceira operadora, com participação de 23,7%. A Claro, marca da América Móvil, propriedade de Carlos Slim, acumula 24,4% dos negócios no país e também é a maior operadora da região.

A Oi é a quarta operadora do mercado brasileiro, com uma fatia de 16,2% e um total de 37 milhões de clientes de telefonia móvel. No entanto, a empresa passa por uma grave crise há quatro anos, o que impede sua expansão sozinha. A Oi entrou com pedido de recuperação judicial no Brasil em 2016 para poder continuar operando e desde então buscou redefinir com seus credores o pagamento de uma dívida astronômica, que no final do primeiro trimestre deste ano era de 24,44 bilhões de reais, mas havia chegado a alcançar 66 bilhões de reais.

Em sua última assembleia, realizada em setembro, os credores da Oi aprovaram um plano de venda de ativos de mais de 38 bilhões de reais que incluía ativos da rede de telefonia móvel e também da rede de fibra óptica, para a qual fixou um preço mínimo de 20 bilhões de reais. Em 26 de novembro, a empresa vendeu suas 637 torres de telefonia e cinco data centers por 1,39 bilhão de reais.

Colômbia e Equador

Por outro lado, a empresa de telecomunicações Liberty Latin America considera apresentar uma oferta para adquirir as subsidiárias da Telefónica na Colômbia e no Equador, conforme informado pela agência Bloomberg, que garante que ambas as empresas já realizaram reuniões iniciais para estudar a operação. Se a venda for acordada, esta será a segunda aquisição de ativos da Telefónica pela Liberty neste ano. Em julho, a empresa adquiriu a subsidiária da espanhola na Costa Rica por 2,56 bilhões de reais.

A Liberty está em um processo de expansão. Além da mencionada operação na Costa Rica, no início de novembro a empresa fechou a compra do negócio de telefonia fixa e móvel em Porto Rico e nas Ilhas Virgens dos Estados Unidos por US$ 1,95 bilhão (9,98 bilhão de reais). A aquisição do negócio colombiano também terá que levar em conta o Governo do país caribenho, que possui participação de 32% na sociedade.

Faça seu login para seguir lendo

Saiba que já pode ler este artigo, é grátis

Obrigado por ler o EL PAÍS

Mais informações

Arquivado Em

Recomendaciones EL PAÍS
Logo elpais

Você não pode ler mais textos gratuitos este mês.

Assine para continuar lendo

Aproveite o acesso ilimitado com a sua assinatura

ASSINAR

Já sou assinante

Se quiser acompanhar todas as notícias sem limite, assine o EL PAÍS por 30 dias por 1 US$
Assine agora
Siga-nos em: