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Bancos e fundos continuam emprestando e investindo em energias fósseis cinco anos após o Acordo de Paris

Coalizão de organizações ambientalistas pede ao principal grupo das finanças globais para “retirar rapidamente seu dinheiro” deste tipo de projeto para contribuir à luta contra a mudança climática

Yacimiento de Vaca Muerta en la Patagonia argentina
Vários operários de uma plataforma de extração de petróleo situada na jazida argentina de Vaca Muerta, no ano passado.AGUSTIN MARCARIAN (Reuters)

No quinto aniversário do Acordo de Paris, a vida continua igual em muitos âmbitos. Os doze projetos mais poluentes do mundo em fase de planejamento e já em desenvolvimento continuam recebendo importantes quantidades de dinheiro em forma de investimentos e empréstimos do principal grupo das finanças mundiais, de acordo com um estudo apresentado na quinta-feira por 18 ONGs ambientalistas sob um título epígrafe esclarecedor: Cinco anos perdidos. Esses projetos consumiriam três quartos do carbono máximo que o mundo deveria emitir para ter opções reais de reduzir o aquecimento global. Deter seu desenvolvimento é, portanto, essencial para conquistar esse objetivo.

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Os maiores bancos e empresas de investimento do planeta emprestaram, de acordo com os cálculos da coalizão de organizações, até 1,6 trilhão de dólares (8 trilhões de reais) entre créditos e garantias desde janeiro de 2016, pouco antes do pacto internacional contra a mudança climática entrar em vigor. E investiram 1,1 trilhão de dólares (5,6 trilhões de reais) em bônus e ações das 133 empresas que estão por trás de planos de desenvolvimento “que expandem os combustíveis fósseis”.

Vinte entidades, em sua maioria gestoras de fundos de investimento e de pensões, mas também bancos de investimentos, somam quase a metade do total investido: 535 bilhões de dólares (2,7 trilhões de reais). Três nomes se destacam acima do resto, todos eles norte-americanos: BlackRock, Vanguard e State Street. Do lado dos credores, mais vinte entidades proporcionaram 949 bilhões de dólares (4,8 trilhões de reais) do total de 1,6 trilhão de dólares com os também norte-americanos Citigroup, Bank of America e JPMorgan na liderança.

“O setor financeiro precisa retirar rapidamente seu dinheiro da indústria dos combustíveis fósseis”, dizem as organizações assinantes, como a Amigos da Terra e a Climate Risks Horizons. “E o primeiro passo deveria ser não financiar mais projetos de expansão do carvão, petróleo e gás”.

A dúzia de casos escolhidos no relatório vai do desenvolvimento de Vaca Muerta (a maior jazida petrolífera da Argentina e a segunda maior reserva mundial de gás de xisto) à multiplicação de poços de fracking no Texas (Estados Unidos) passando pelas últimas adições ao mapa de usinas térmicas que queimam carvão para gerar eletricidade na China. E algumas das maiores petroleiras mundiais participam deles – asiáticas, europeias, latino-americanas e, principalmente, norte-americanas –: ExxonMobil, Chevron, Petrobras, Total, BP, Shell, Eni e Repsol, entre outras. Apesar das crescentes tentativas de transformação destas empresas, que nos últimos anos fixaram suas miras nas energias renováveis e nos vultosos retornos que prometem, os assinantes do estudo dizem que “os combustíveis fósseis estão mais vivos do que nunca”.

Na lista dos 20 maiores financiadores destes projetos estão praticamente todos os grandes nomes do setor financeiro norte-americano e canadense (Morgan Stanley, Wells Fargo, Goldman Sachs e Royal Bank of Canada, além dos já mencionados Citigroup, Bank of America e JPMorgan), alguns asiáticos (Mitsubishi Financial, Mizuho, SMBC, Bank of China e o também chinês ICBC) e os principais bancos europeus (os britânicos Barclays e HSBC; os franceses BNP Paribas, Société Générale e Crédit Agricole; o alemão Deutsche Bank; o suíço Credit Suisse; e o espanhol Santander).

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Dois nomes estão tanto na lista dos vinte maiores financiadores como na dos maiores investidores: JPMorgan e o Deutsche Bank. O restante dos grandes investidores em projetos poluentes são, em sua maioria, bancos de investimento e fundos de investimento e pensões com um denominador comum: 80% são norte-americanos. Lá estão, além dos já citados BlackRock (a maior gestora do planeta), Vanguard e State Street, Capital Group, Fidelity, T. Rowe Price, Wellington Management, Geode, Invesco, Dodge&Cox, Northern Trust, Bank of New York Mellon, Franklin Resources, TIAA e Dimensional Fund Advisors. Fora dos EUA se destacam o fundo público de pensões da Noruega (o quinto em volume de dinheiro desembolsado em projetos poluentes), o banco de investimento suíço UBS e a empresa britânica Legal&General.


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