Grammy 2021 quer inaugurar a volta à normalidade

Cerimônia de entrega do prêmio mais importante da música ocorre neste domingo, com Beyoncé como favorita e críticas do The Weeknd por falta de transparência. Entre as apresentações anunciadas estão as de Bad Bunny e das indicadas Taylor Swift e Dua Lipa

Alicia Keys e Dua Lipa no Grammy de 2020 em Los Angeles, quando anunciaram Billie Eilish como melhor artista revelação.
Alicia Keys e Dua Lipa no Grammy de 2020 em Los Angeles, quando anunciaram Billie Eilish como melhor artista revelação.MARIO ANZUONI / Reuters

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A 63ª edição do Grammy não será um espetáculo virtual. Com mais de 20 apresentações, algumas ao vivo e outras gravadas, a cerimônia de entrega do prêmio mais importante da música será realizada neste domingo no Convention Center de Los Angeles a partir das 17h locais (21h de Brasília). Taylor Swift, Dua Lipa e Bad Bunny são alguns dos destaques do evento, com as mulheres liderando a lista de indicações. Beyoncé, com nove indicações, busca sua primeira vitória em uma categoria importante desde 2010, e Swift, com seis, pode vencer com seu álbum, Folklore, produzido inteiramente durante a quarentena. O cantor The Weeknd, sem nenhuma indicação, acrescentou sua parcela de polêmica. O canadense anunciou que não permitirá que sua gravadora volte a apresentar suas músicas para disputar o Grammy “devido aos comitês secretos” que escolhem os finalistas.

Neste ano, a maior pressão talvez não recaia em um artista no palco. Ben Winston estreia nesta cerimônia fora do comum como novo produtor executivo da transmissão, depois de quatro décadas sob o comando de Ken Ehrlich, o homem responsável por vários momentos históricos na cultura popular. Com a ideia de se distanciar do que foi visto até agora em outras premiações durante a pandemia − severamente punidas pela audiência −, a festa da música será realizada em cinco palcos. Não haverá público, mas também nenhuma gravação do BTS de pijama tocando numa cobertura. O apresentador Trevor Noah será o encarregado de dar fluidez ao programa (CBS, Paramount+), que coincide com o primeiro aniversário do fim dos grandes shows devido à pandemia.

Embora Beyoncé acumule 79 indicações na história do Grammy − até agora, ganhou 24 −, este domingo é crucial para a diva. Se conseguir pelo menos quatro troféus, entre eles o de melhor canção do ano por Black Parade, será a artista feminina com mais Grammys da história. E se ganhar oito, será o artista mais premiado de todos os tempos. Uma forte concorrente é Dua Lipa, com seis indicações, incluindo as de álbum do ano, canção do ano e gravação do ano. É provável que Don’t Start Now dê alguma alegria à britânica. Os trabalhos de Taylor Swift, que se apresentará com sua banda, e de Billie Eilish, a grande ganhadora de 2020, também são apostas fortes.

Beyoncé, rodeada por seus dançarinos, no vídeo ‘Black Is King’.
Beyoncé, rodeada por seus dançarinos, no vídeo ‘Black Is King’.

Entre as possíveis surpresas da noite estão Mickey Guyton, a primeira cantora negra indicada na categoria de melhor interpretação solo de música country, assim como Black Pumas, uma banda de soul pouco conhecida, que recebeu três indicações, incluindo as de melhor gravação e álbum do ano. Embora o Grammy tente espantar o fantasma da pandemia, a crise econômica provocada por ela terá espaço na cerimônia, com a presença de representantes de estabelecimentos de música ao vivo, um dos setores mais afetados no último ano. Funcionários do Troubadour e do Hotel Café, ambos em Los Angeles; do Apollo Theater, em Nova York, e do Station Inn, em Nashville, apresentarão várias categorias e incentivarão os fãs a apoiar os estabelecimentos que estão de portas fechadas desde o primeiro trimestre do ano passado.

A polêmica, que quase sempre cercou o Grammy, também está presente neste ano com The Weeknd. O canadense, cujo sucesso Blinding Lights se tornou a primeira canção a permanecer 52 semanas na lista das 10 mais vendidas nos Estados Unidos, não recebeu nenhuma indicação. Em um comunicado publicado no The New York Times, o cantor criticou “os comitês secretos” do prêmio. Milhares de profissionais da música votam os indicados, mas depois são comitês de especialistas anônimos que decidem quem passa pela seleção em 61 das 84 categorias.

“O Grammy continua corrupto. Ele deve a mim, aos meus fãs e à indústria a transparência necessária”, tuitou Abel Tesfaye, conhecido artisticamente como The Weeknd, depois que a academia responsável pela premiação anunciou os indicados, em novembro. Estrelas como Drake, Kanye West e Frank Ocean também criticaram o Grammy por não apoiar a comunidade musical afro-americana. O último artista negro a ganhar o prêmio de álbum do ano foi Herbie Hancock, em 2008. A Recording Academy convidou milhares de membros novos, entre eles mais mulheres e profissionais de minorias étnicas, e sobre a posição do cantor The Weeknd, afirmou que a entidade está “em constante evolução”.

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