Com 64% de rejeição, Bolsonaro deve trabalhar atos de 7 de Setembro para recuperar popularidade

Pesquisa Atlas aponta menor aprovação do presidente, mas tendência de queda desacelera ao se aproximar do núcleo duro de apoiadores. 19% da população mostrou vontade de protestar nesta terça

O presidente Jair Bolsonaro tira fotos com apoiadores em Terenos (MS), durante evento no dia 14 de maio de 2021.
O presidente Jair Bolsonaro tira fotos com apoiadores em Terenos (MS), durante evento no dia 14 de maio de 2021.
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Uma nova pesquisa eleitoral do Atlas Político mostra que a aprovação do presidente Jair Bolsonaro segue em viés de queda, mas com um ritmo de desaceleração. A mudança de velocidade se deve à base sólida que o Governo mantém. Em comparação com um mês atrás, a consulta realizada entre os dias 30 de agosto e 4 de setembro mostra uma queda na avaliação positiva do Governo de 37% para 35%, e a rejeição em 64% —há um mês, era de 63%. Os números também seguem prevendo a derrota do presidente no segundo turno das eleições de 2022, seja para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-governador Ciro Gomes, o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, o ex-prefeito Fernando Haddad ou o governador de São Paulo, João Doria. No entanto, às vésperas dos atos pró-Governo marcados para 7 de Setembro, os dados atestam que o núcleo duro de apoiadores de Bolsonaro pode cumprir uma função importante no tabuleiro eleitoral: com a base atual, ele não apenas inviabiliza o crescimento de uma terceira via, como pode ser capitalizado nas ruas para demonstrar força popular e, assim, reverter a queda na popularidade.

Bolsonaro tem a maior rejeição entre todos os avaliados da pesquisa, ao mesmo tempo em que conserva a segunda maior aprovação —perde apenas para os 46% de Lula. Essa é a base fiel ao presidente que deve ir às ruas nas manifestações do feriado. “Na nossa pesquisa, 19% da população brasileira demonstrou vontade de comparecer ao 7 de Setembro”, detalha o cientista político Andrei Roman, CEO do Atlas. “Isso são 29 milhões de pessoas, o que é impossível. Mas, se 20% das pessoas das grandes cidades comparecerem, já é muita gente. Isso mostra que Bolsonaro conserva um núcleo suficientemente mobilizado para reverter a queda de popularidade”, analisa. Para Roman, o grande trunfo do Governo em manter uma base de apoiadores tão coesa é a possibilidade de explorá-la em eventos como o desta terça-feira. As imagens e a repercussão de ruas lotadas de apoiadores, que devem ser vistas no feriado, podem influenciar a opinião pública em prol do atual presidente, apesar das contínuas críticas que recebe da maioria da população.

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Ao mesmo tempo, Roman ressalta que a grande rejeição contra Bolsonaro pode fazer com que as manifestações tenham o efeito contrário. “Não seria a primeira vez que uma manifestação a favor desencadeie outras da oposição. Seria uma reação perigosa para o Governo, uma vez que a base anti-bolsonarista é maior que a base bolsonarista”, projeta o cientista.

No segundo turno, o atual presidente perderia para Lula, Ciro Gomes, Mandetta, Haddad e Doria. A maior diferença é a registrada na disputa entre Lula e Bolsonaro (52,5% a 35,9%), enquanto a menor aconteceu no cenário em que Lula enfrenta Doria (39,7% a 36,3%). O atual presidente empataria na margem de erro de dois pontos para mais ou para menos com o ex-juiz Sergio Moro e e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.

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O maior adversário do Governo atual é Lula, que viu sua aprovação subir de 43% para 46%, enquanto a rejeição caiu de 54% para 48% em um mês. Ele também lidera todos os cenários projetados em primeiro e segundo turno na pesquisa. “Mas isso tem mais a ver com Bolsonaro do que com Lula”, explica Andrei Roman. “As pessoas estão cada vez mais chateadas com a realidade do país, principalmente econômica, e responsabilizam o atual Governo por isso. Querem a cada dia uma alternativa, e a única que se apresenta é Lula”, afirma. Todos os outros candidatos, se somados, têm porcentagem menor que os índices de Bolsonaro e do petista. Na visão do cientista, caso Lula permaneça com uma postura moderada e com um discurso articulado, despontará como grande favorito no atual contexto econômico. “Os riscos da mídia ou da população enxergarem a volta do PT ao poder como algo ruim são reduzidos pelo descontentamento atual”, avalia.

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Ciro Gomes aparece como terceiro colocado nas pesquisas de primeiro turno, com 7,8%, contra 34,5% de Bolsonaro e 40,6% de Lula. Segundo Roman, é muito pouco para considerar a viabilidade de Ciro vencer as eleições. “Independente da sua postura, boa parte da população o vê como um candidato de esquerda. Então compete com Lula, o que dificulta bastante”, pontua o cientista. Na visão dele, Eduardo Leite é o candidato com maior potencial de se estabelecer como uma terceira via. Leite é o quarto no cenário do primeiro turno (2,9%) e o candidato com a menor porcentagem no duelo contra Bolsonaro no segundo turno. Ao mesmo tempo, é uma das figuras mais desconhecidas pela população eleitoral.

“É um candidato gay e de centro-direita, novo e pouco conhecido. É difícil colocá-lo numa caixinha ideológica, o que é uma vantagem dentro do eleitorado que não apoia nem Lula e nem Bolsonaro, uma parcela que contempla muitos perfis diferentes”, justifica Roman. No entanto, ele lembra que cativar apenas os nem-nem não é o suficiente. Ele precisaria também conquistar parte dos eleitores das duas figuras polarizadas com um “projeto de salvação” do Brasil. “Dependeria de um derretimento da aprovação de Lula e Bolsonaro. Algo que, se não aconteceu até agora, com a Lava Jato para o petista, e com a postura do atual presidente na pandemia, não deve acontecer mais. Leite teria que reconstruir a realidade política do país”, opina.

A pesquisa Atlas ouviu 3.246 pessoas de forma online e randomizada, entre os dias 30 de agosto e 4 de setembro.

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