Em escalada golpista, Bolsonaro receberá desfile de tanques militares no Planalto

Fuzileiros da Marinha vão entregar convite ao presidente no dia em que a Câmara deve iniciar votação da PEC do voto impresso. “Não quero crer que seja tentativa de intimidação”, diz vice-presidente da Câmara

Fuzileiros navais durante a Operação Formosa em 2019.
Fuzileiros navais durante a Operação Formosa em 2019.Marinha do Brasil
Brasília -
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No dia em que a Câmara dos Deputados deve iniciar a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do voto impresso, o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), receberá no Palácio do Planalto um comboio com veículos blindados e armamentos da Força de Fuzileiros da Esquadra da Marinha. A exibição com tanques de guerra no meio da Esplanada dos Ministério, prevista para a manhã desta terça-feira, terá como função entregar um convite ao presidente e ao ministro da Defesa para que eles participem da demonstração de um treinamento militar das Forças Armadas que ocorrerá no dia 16 de agosto em Formosa (GO), município a 82 km de Brasília.

Na prática, será uma tentativa de mostrar alguma força diante de uma iminente derrota na pauta que serviu de diversionismo e de injeção de ânimo em sua militância, a da recriação do voto impresso como uma alternativa ao eletrônico, que Bolsonaro acusa de ter sido fraudado, apesar de não conseguir apresentar provas. Esta será a primeira vez que a Marinha faz um convite pessoalmente ao presidente, um egresso do Exército, utilizando-se de um comboio de blindados. Ela ocorre justamente em um momento em que Bolsonaro intensifica seu discurso golpista. Nos últimos dias, depois de ter o seu nome incluído no inquérito das fake news do Supremo Tribunal Federal e de ver aberto uma apuração administrativa no Tribunal Superior Eleitoral, o presidente ameaçou atuar fora das “quatro linhas da Constituição”.

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Em mais de uma ocasião, o presidente colocou em risco a realização do pleito, caso não houvesse o voto impresso. A PEC, de autoria da deputada governista Bia Kicis (PSL-DF), foi rejeitada por uma comissão especial da Câmara. Ainda assim, o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), decidiu colocá-la em votação no plenário. Uma manobra inédita. A expectativa de momento é que ela seja derrotada, já que 15 dos 24 partidos com deputados anunciaram ser contra a proposta. Para ser aprovada, ela precisa de votos de 308 dos 513 parlamentares.

A primeira voz mais relevante do Congresso Nacional a se manifestar sobre o desfile foi a do vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM). “Sobre essa história de tanques nas ruas. Não quero crer que isso seja uma tentativa de intimidação da Câmara dos Deputados mas, se for, aprenderão a lição de que um Parlamento independente e ciente das suas responsabilidades constitucionais é mais forte que tanques nas ruas”, escreveu o deputado em seu perfil no Twitter. No fim de semana, ele já havia tuitado que “semana que vem a tal PEC do voto impresso será derrubada de forma acachapante e vamos virar a página pra discutir temas que mudem a vida dos brasileiros garantindo vacina no braço, emprego e comida no prato”.

Já o vice-presidente da CPI da Pandemia, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), disse que “colocar tanques na rua não é demonstração de força, e sim de covardia”. “Os tanques não são seus, pertencem à Nação”, escreveu em seu perfil no Twitter, referindo-se ao presidente, finalizando: “É o crime que falta para lhe colocarmos na cadeia”.

Conforme um comunicado da Marinha, a Operação Formosa é a maior atividade de treinamento da corporação. Ela ocorre desde 1988 e, pela primeira vez, terá a participação conjunta do Exército e da Aeronáutica. A maioria dos veículos militares que passarão pelo Palácio do Planalto partirá do Rio de Janeiro. A atividade neste ano contará com a participação de 2.500 militares e o treinamento contará com o uso de 150 aeronaves, veículos anfíbios, de artilharia e lançadores de mísseis e foguetes.

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