Pandemia de coronavírus

São Paulo recua de fase com toque de recolher a partir das 20h, enquanto libera jogos de futebol

Estado, que teve queda de novas internações de 17% na última semana, recua da fase emergencial para a vermelha a partir de segunda-feira, embora com mais restrições. Além dos jogos, haverá reabertura gradual de escolas. Ocupação de UTI segue alta, em 88%

Rua 25 de Março, no centro de São Paulo, no dia 15 de março.
Rua 25 de Março, no centro de São Paulo, no dia 15 de março.Toni Pires

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Com uma taxa de ocupação de leitos de UTI ainda elevada pela pandemia, em 88,3%, o Estado de São Paulo decidiu retornar para a fase vermelha do plano de restrições a partir da próxima segunda-feira, mas com medidas mais duras. Lojas e restaurantes continuarão funcionando não com a entrega por delivery, mas também por retirada dos produtos no local. E haverá toque de recolher entre 20h e 5h com aumento da fiscalização. As cerimônias religiosas coletivas presenciais seguem vetadas. O Governo também liberou o Campeonato Paulista, a partir das 20h e sem público. As aulas presenciais nas escolas deverão ser retomadas com o limite máximo de 35% dos alunos. Um decreto estadual já permitia a atividade, mas muitos prefeitos aguardavam a volta para a fase vermelha para reabri-las. Segundo as autoridades sanitárias, a mudança é possível porque está caindo o ritmo de internações por covid-19 ― 17,7% menor na última semana em relação à semana anterior.

“Não estamos entendendo como um relaxamento, mas como um avanço. As medidas são tomadas nos dados da ciência e das projeções. O retorno será muito gradual”, afirmou o vice-governador do Estado, Rodrigo Garcia, durante entrevista coletiva nesta sexta (9). O secretário da Saúde Jean Gorinchteyn argumenta que a nova fase vermelha ficou mais rígida. “A população não pode baixar a guarda”, alerta. Novas regras foram incorporadas à fase vermelha. Além do toque de recolher, há recomendação de escalonamento na entrada e saída da indústria, serviços e comércios. Também será obrigatório o teletrabalho para todas as atividades administrativas. Segundo o Governo, a demanda por leitos caiu de 200 por dia no auge da crise para 60 por dia. Mas uma redução significativa no número de óbitos só é esperada para a segunda quinzena de abril. O Estado vem batendo recordes de mortes diárias. “Não entendemos que sair da emergencial para a vermelha coloque em risco todo o trabalho que fizemos até o momento”, diz João Gabbardo, que integra o comitê de contingenciamento. Segundo ele, as novas regras incorporadas são fundamentais neste momento de transição.

Há cerca de um mês, o Estado criou uma nova fase no Plano São Paulo ―a chamada fase emergencial― ao ingressar no pior momento da pandemia, com elevadas taxas de infecção pelo coronavírus e superlotação hospitalar. Dezenas de cidade colapsaram e há 25 dias a população precisou cumprir uma quarentena mais dura, mas distante de um fechamento como o lockdown. Especialistas projetam um mês de abril trágico para todo o país. O Governo avalia que a redução no ritmo de internações já permitem a mudança de fase. “A medida começa a dar resultados”, justifica o vice-governador Rodrigo Garcia. Segundo Garcia, um total de 6.521 leitos de UTI foram abertos em hospitais públicos e privados desde 31 de dezembro do ano passado. O Governo ainda trabalha para abrir mais leitos e espera conseguir retornar a fases mais brandas do Plano São Paulo. “Quando, vai depender dos indicadores”, acrescenta Gabbardo.

O Estado de São Paulo já soma mais de 80.000 mortes por covid-19 e o número de casos confirmados está próximo de 2,6 milhões. Segundo o Governo, o ritmo de novas internações caiu significativamente nos últimos 13 dias. “Estamos todos os dias apresentando queda de internações”, afirma Gorinchteyn. As taxas de ocupação de UTI são de 88,3% no Estado de São Paulo (e de 87% na região metropolitana). Ao todo, 12.681 pessoas estão internadas em terapia intensiva, e o índice de circulação da população segue em torno de 44%.

Embora as escolas já pudessem reabrir com base em um decreto estadual que definiu a educação como atividade essencial, muitos prefeitos ―incluindo Bruno Covas, que governa a capital paulista― decidiram brecar esta reabertura no momento mais grave da pandemia. Covas deverá autorizar a retomada das aulas na segunda-feira, com a saída do Estado da fase emergencial. As escolas estaduais estavam abertas principalmente para a distribuição da merenda escolar e retomarão as aulas presenciais de forma gradual. A vacinação de profissionais da educação também foi antecipada no Estado para 10 de abril.

Já o Campeonato Paulista estava vetado desde 15 de março, quando começou a valer a fase emergencial. Segundo o governador João Doria afirmou em entrevista à rádio CBN na manhã desta sexta, o centro de contingência decidiu acatar a liberação dos jogos de futebol após várias reuniões com a Federação Paulista de Futebol. “A orientação, feita pelo Ministério Público, foi acatada pelo Centro de Contingência e, naturalmente, pelo Governo de São Paulo”, disse o governador, que não participou da entrevista coletiva nesta sexta (9).

Em uma reunião na noite da última quinta-feira (8), a equipe técnica do centro de contingência estadual havia defendido a manutenção da fase emergencial, segundo o jornal O Estado de São Paulo. Os especialistas consideravam os indicadores da pandemia ainda muito altos e temiam que um relaxamento agora, ainda que pequeno, poderia passar uma mensagem errada à população de que a situação está controlada. Por outro lado, havia um cálculo político no Governo de que a mudança no faseamento poderia aliviar a pressão de comerciantes e setores econômicos. Em março, uma discussão deste tipo também foi travada, mas o governador João Dória acabou optando por criar a fase emergencial e ampliar a quarentena.

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