Paes vai com Crivella, apoiado por Bolsonaro, para o segundo turno no Rio de Janeiro

Ex-prefeito recebe 37% dos votos válidos; atual mandatário, em busca de reeleição, fica nos 21,9%.

São Paulo -
Vencedor do primeiro turno no Rio de Janeiro, Eduardo Paes (DEM) faz gesto da vitória após votar na manhã deste domingo. Ele irá enfrentar o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos)
Vencedor do primeiro turno no Rio de Janeiro, Eduardo Paes (DEM) faz gesto da vitória após votar na manhã deste domingo. Ele irá enfrentar o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos)SERGIO MORAES (Reuters)
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O ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) e o atual mandatário que busca a reeleição, Marcelo Crivella (Republicanos), irão disputar o segundo turno das eleições municipais no Rio de Janeiro. Paes atingiu 37% dos votos válidos. Crivella, 21,9% dos votos válidos.

Delegada Martha Rocha (PDT) alcançou 11,3% dos votos válidos, ao lado de Benedita da Silva (PT) que ficou com 11,27%. Luiz Lima (PSL) teve 6,8% dos votos válidos, Renata Souza (PSOL), 3,2% e os demais ficaram com menos de 3%; Paulo Messina (MDB), 2,9%; Bandeira de Mello (Rede), 2,4%; Fred Luz (Novo), 1,7%, e os demais menos de 1%.

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Paes liderou nas pesquisas durante toda a campanha. Crivella cresceu nas sondagens de intenção de voto a partir do final de agosto e atingiu o patamar de votos para ir ao segundo turno depois que o presidente Jair Bolsonaro demonstrou de forma mais efetiva seu apoio ao candidato. Nas últimas semanas, porém, começou a cair nas pesquisas de intenção de voto e começou a ser ameaçado pelo crescimento de Martha Rocha e Benedita da Silva, colocando em dúvida a sua participação no segundo turno, que será disputado no dia 29 de novembro.

Após o anúncio do resultado, Crivella mostrou confiança em tentar virar o jogo. “No segundo turno é uma eleição completamente diferente”, afirmou a jornalistas e apoiadores. “Não tem favoritismo, sai do zero a zero”, disse. Já Paes disse que pretende buscar apoio de outras alas políticas para a disputa. “Nós vamos buscar todo mundo”, afirmou . “Pode ser de direita ou de esquerda, queremos conversar e os aproximar de todo mundo”, afirmou, ao ser confirmado no segundo turno.

O presidente Jair Bolsonaro, de máscara branca, participa da inauguração de uma escola cívico-militar no Rio de Janeiro em agosto ao lado do prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), de máscara azul.
O presidente Jair Bolsonaro, de máscara branca, participa da inauguração de uma escola cívico-militar no Rio de Janeiro em agosto ao lado do prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), de máscara azul.Silvia Izquierdo (AP)

O resultado é um alívio para Bolsonaro, já que candidatos apoiados pelo presidente em capitais importantes não passaram para o segundo turno. Em São Paulo, Celso Russomanno (Republicanos) ficou longe de avançar na corrida eleitoral e o apoio do presidente não ajudou a angariar votos e colocou seu prestígio em xeque junto a esse eleitorado . Em Manaus o candidato apoiado por ele, Coronel Alfredo Menezes (Patriotas), disputa a terceira posição com outros três concorrentes.

O prefeito Crivella chegou a ser declarado inelegível em meio à campanha eleitoral, em setembro, após a Justiça Eleitoral considerar propaganda eleitoral um evento realizado em 2018 na quadra de uma escola de samba. A decisão, porém, depende de recurso e não tirou Crivella do páreo até lá.

Citado em delações de empreiteiros na Operação Lava Jato, Paes, por sua vez é investigado por supostamente ter recebido propina da Odebrecht no valor de cerca de 10 milhões de reais para facilitar a assinatura de contratos de obras da Prefeitura do Rio de Janeiro relacionadas às Olimpíadas de 2016. Em junho, o Supremo Tribunal Federal negou um pedido da defesa de Paes para parar as investigações.

A marca do Rio de Janeiro nesta eleição foi a violência. Apesar de não ser de hoje que as milícias influenciam as eleições do Estado, elas se articulam cada vez mais para ocupar espaços no poder público da cidade e região metropolitana. Assassinatos de adversários políticos se tornaram lugares comuns. No Brasil todo, pelo menos 82 políticos ou militantes foram assassinados este ano.

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