Caso Neymar

Ministério Público de São Paulo sugere arquivamento do caso Neymar por falta de provas e “afeto entre as partes”

Decisão foi anunciada pela Promotoria de Justiça de Enfrentamento à Violência Doméstica de Santo Amaro, em entrevista coletiva nesta quinta-feira, e tem cinco dias úteis para ser homologada pela Justiça

Neymar em treino com o PSG.
Neymar em treino com o PSG.FRANCK FIFE (AFP)

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O Ministério Público de São Paulo declarou nesta quinta-feira que recomenda o arquivamento do inquérito policial que investiga Neymar por um suposto caso de estupro em um relacionamento que o jogador teve com a modelo Najila Trindade, em Paris, no último mês de maio. A decisão foi anunciada pelas promotoras Flávia Merlini e Estefânia Paulin, da Promotoria de Justiça de Enfrentamento à Violência Doméstica de Santo Amaro, em entrevista coletiva na sede do MP em São Paulo, onde elas argumentaram "falta de provas suficientes" e "relação de afeto entre as partes" para sugerir o encerramento do caso. A sugestão segue a mesma feita pela Polícia há 10 dias sobre o inquérito e tem cinco dias úteis para ser homologada pelo juiz da 12ª Vara de Violência Doméstica.

"Ao analisar o inquérito e acompanhar as investigações, entendemos que havia uma relação de afeto entre as partes, ainda que rápida e num primeiro momento de forma virtual, como ocorrem as relações atuais. A partir da falta de provas, concluímos o arquivamento", justificou Estefância Paulin. As promotoras completaram dizendo que a medida não implica na absolvição de Neymar, uma vez que o inquérito pode ser reaberto a qualquer momento desde que surjam novas provas.

A Promotoria também afirmou que todos os laudos oficiais feitos pelo Instituto Médico Legal com a colaboração de Najila constataram que a suposta vítima não sofreu nenhuma lesão de estupro. O laudo particular, apresentado pela modelo como prova de agressões sofridas, também foi considerado nas investigações. "O MP entendeu que a agressão narrada pela vitima fazia parte de um contexto e, com a apuração das provas, não se entendeu que esse seria um crime a ser analisado", disseram as promotoras.

Na entrevista coletiva, a Promotoria também confessou que a escolha de Najila não entregar o celular, onde ela disse que estaria a íntegra do vídeo gravado com Neymar em Paris, agiu contra a denúncia de estupro. "Ela mencionou o tempo todo que as provas dos fatos estavam na filmagem do celular dela. Em um primeiro momento, ela se recusou a entregar na delegacia e num segundo momento disse que tinha perdido. De uma certa forma, não entregar o celular acaba enfraquecendo as afirmações da vítima". Estefânia também afirmou que, apesar da insistência da Promotoria na apresentação da íntegra do vídeo que mostra jogador e modelo discutindo no quarto do hotel -- do qual uma parte circulou nas redes sociais --, ela ouviu da acusação que a filmagem "não existia".

O caso Neymar se tornou público no dia 1 de junho, quando Najila Trindade fez um boletim de ocorrência em São Paulo acusando o jogador de agressão e estupro em um encontro que os dois tiveram no dia 15 de maio em um hotel em Paris. Como resposta, Neymar gravou um vídeo no Instagram expondo a conversa com a modelo antes e depois do encontro no qual teria acontecido o crime, o que ocasionou em outra acusação para o jogador por divulgação de imagens que façam apologia a sexo sem o consentimento da vítima. Se recuperando da lesão no tornozelo que o tirou da seleção brasileira antes da disputa da Copa América, Neymar faz pré-temporada com o PSG apesar do conhecido desejo de deixar o clube francês nesta janela. O camisa 10 do Brasil já foi especulado no Real Madrid e no Barcelona.

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