Brasil vence a Espanha na prorrogação e é bicampeão olímpico no futebol masculino

Seleção brasileira saiu na frente, mas precisou do tempo extra para ganhar a final por 2 a 1. Matheus Cunha e Malcom fizeram os gols que garantiram mais uma medalha de ouro

Malcom comemora o gol do ouro na final.
Malcom comemora o gol do ouro na final.AMR ABDALLAH DALSH (Reuters)
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A seleção brasileira de futebol masculino é bicampeã olímpica. Depois de acabar com o jejum ao vencer o inédito ouro em 2016, o Brasil desponta nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 como um dos países mais tradicionais na modalidade. É o maior vencedor de medalhas, com sete no total, e um dos únicos a vencer duas edições seguidas. A conquista veio através de uma vitória sobre a seleção da Espanha, neste sábado de manhã, por 2 a 1, no estádio internacional de Yokohama. Os gols foram marcados por Matheus Cunha e Malcom. Ontem, a seleção do México venceu o Japão e ficou com o bronze, completando o pódio.

O Brasil do treinador André Jardine entrou em campo na decisão com Santos no gol; Dani Alves, Nino, Diego Carlos e Arana na defesa; Douglas Luiz, Bruno Guimarães e Claudinho no meio-campo; Antony, Matheus Cunha e Richarlison no ataque. Num primeiro tempo truncado, a seleção teve as melhores chances. A primeira delas foi o pênalti sofrido por Cunha e desperdiçado por Richarlison. Mas, já na segunda, Matheus Cunha aproveitou o vacilo da defesa espanhola para dominar dentro da área e abrir o placar com um chute firme no canto, fazendo 1 a 0. O Brasil voltou ao segundo tempo criando chances para ampliar, mas foi a Espanha quem igualou: Soler cruzou para Oyarzabal fazer 1 a 1. O empate perdurou até o fim do tempo e levou a final à prorrogação. Na etapa final do tempo extra, enfim o gol decisivo: Antony puxou o contra-ataque pela direita e lançou para Malcom, que entrou durante a partida, ganhar do zagueiro espanhol e tocar na saída do goleiro. O 2 a 1 confirmou a medalha de ouro para os brasileiros.

A final entre brasileiros e espanhóis era esperada desde o início da competição, uma vez que as duas seleções convocaram os atletas mais famosos. A Espanha levou cinco jogadores que estiveram com a seleção principal na disputa da Eurocopa: o goleiro Unai Simón, o zagueiro Pau Torres, o volante Pedri e os atacantes Dani Olmo e Oyarzábal. Por sua vez, o Brasil chamou Douglas Luiz e Richarlison, dois atletas que jogaram a Copa América, além do consagrado Daniel Alves e talentos da nova geração que frequentaram convocações de Tite, como Bruno Guimarães. A presença de estrelas no futebol masculino olímpico é rara pela exigência de que apenas três convocados possam ter mais de 23 anos (24 em Tóquio, já que houve adiamento de um ano). Além disso, a falta de consenso entre FIFA e Comitê Olímpico Internacional impede que os clubes sejam obrigados a liberarem seus jogadores para disputar a Olimpíada, como acontece em outros torneios internacionais entre países, o que dificulta o garimpo das seleções.

Do lado brasileiro, a ausência de obrigatoriedade para a convocação de jogadores atrapalhou a formação do time. O treinador da equipe, André Jardine, já confessou que gostaria de contar com pilares da seleção adulta de Tite, como Marquinhos e Neymar. Ambos não foram liberados pelo PSG. Mesmo entre os sub-24, Jardine viu os escolhidos Gérson, Pedro e Vinicius Junior não conseguirem as permissões de Olympique de Marselha, Flamengo e Real Madrid, respectivamente. O timing da Olimpíada atrapalha, uma vez que compete com o início da temporada do futebol europeu. Restou à seleção brasileira escolher o goleiro Santos (Athletico-PR), o zagueiro Diego Carlos (Sevilla) e o lateral Dani Alves (São Paulo) como os três mais velhos.

No entanto, as dificuldades não significam que o time estava fraco. Jardine conseguiu encaixar talentos da nova geração do futebol brasileiro que ainda não são protagonistas no alto nível, mas são muito promissores. Bruno Guimarães, por exemplo, fez um torneio que o coloca como candidato a uma posição na seleção principal. Claudinho foi o principal meia da seleção, e chegou com o peso de melhor jogador do último Brasileirão. Antony e Matheus Cunha são mais jovens, mas também deram uma dinâmica que poderia rejuvenescer o ataque de Tite, que teve um desempenho ruim na Copa América. E, como camisa 10, Richarlison foi o responsável por conduzir a equipe com a experiência de anos na seleção adulta e de futebol europeu. Ele precisou convencer o dono do seu clube, o Everton FC, para ser liberado e terminou o torneio como artilheiro, com 5 gols.

Na campanha dourada antes da final, o Brasil estreou goleando a Alemanha por 4 a 2, no que foi a reedição da última final. Depois, empatou por 0 a 0 com a Costa do Marfim e fechou o grupo fazendo 3 a 1 na Arábia Saudita. Um 1 a 0 sobre o Egito deu a vaga aos brasileiros na semifinal, onde a equipe empatou com o México por 0 a 0 e venceu nos pênaltis por 4 a 1.

Ainda que obrigado, o rejuvenescimento da seleção brasileira também acompanhou uma oxigenação da torcida pelo futebol. Ela acontece depois de uma Copa América em que o Brasil saiu mais criticado do que elogiado, tanto pelo desempenho dentro de campo quanto pelo posicionamento raso dos jogadores em meio à pandemia de covid-19. Já na Olimpíada, um time mais novo e diferente trouxe a sensação de um envolvimento maior dos torcedores com a seleção. Richarlison, por exemplo —que esteve na Copa América, mas não como protagonista—, chamou a atenção como embaixador da USP Vida, um projeto da Universidade de São Paulo voltado para arrecadar doações a pesquisas desenvolvidas para combater a covid-19. O atacante Paulinho, por outro lado, jogou luz sobre os preconceitos vividos por seguir uma religião de matriz africana. No texto intitulado “Que Exu ilumine o Brasil”, que escreveu para o site The Players Tribune, o jogador afirmou que “como uma pessoa que tem voz, eu não posso me dar o direito de permanecer calado. De não me posicionar diante de preconceitos [religiosos, de raça e orientação sexual] e negligências. Se sou crítico do atual Governo, é porque eu confio na ciência”.

Se o Brasil ganhou o primeiro ouro no futebol masculino depois de mais de um século em 2016, já sai de Tóquio 2020 como o país que mais venceu medalhas na categoria. São sete ao todo, com dois ouros (2016 e 2020), três pratas (1984, 1988 e 2012) e dois bronzes (1996 e 2008). Também é o primeiro desde a Hungria, na década de 70, a chegar em três finais olímpicas seguidas. Com o time principal ou não, o país se consolida como uma potência na modalidade no único palco que faltava. A vitória da seleção também traz o sétimo ouro para o Brasil nesta edição dos Jogos. O país conta agora com 19 medalhas no Japão.

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