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Everton Cebolinha, o reserva do substituto de Neymar que virou a sensação da Copa América

Revelação do Grêmio é esperança de gols e dribles do Brasil no clássico contra a Argentina

Everton Cebolinha Brasil x Argentina
Everton comemora o terceiro gol do Brasil diante do Peru, na Arena Corinthians. Getty Images

Pelo corte do cabelo espetado, ele ganhou dos companheiros de time o apelido de Cebolinha, personagem da Turma da Mônica. Como numa história em quadrinhos, a carreira de Everton deslanchou tão rápido quanto suas arrancadas fulminantes. O atacante do Grêmio iniciou a Copa América 2019 como reserva. Foi entrando aos poucos na equipe do técnico Tite até não sair mais. Hoje, com dribles e velocidade pelo lado esquerdo do ataque, ele faz com que a ausência de Neymar, cortado por lesão, seja menos sentida pela torcida brasileira. O suficiente para lhe render uma valorização bastante celebrada pelo clube gaúcho.

Everton começou nas categorias de base do Fortaleza. Em 2013, aos 16 anos, foi contratado pelo Grêmio por 300.000 reais. Seu grande momento com a camisa tricolor chegou na semifinal do Mundial de Clubes, em 2017, quando marcou o gol da vitória contra o Pachuca em jogada característica. Cortou para o meio, ajeitou para a perna direita e finalizou com um chute forte cruzado. Uma combinação semelhante à que resultou em seu primeiro gol na Copa América, fechando o triunfo por 3 a 0 sobre a Bolívia na abertura da competição.

Tite se convenceu de que Everton deveria ser titular apenas no terceiro jogo do Brasil, contra o Peru. O treinador sacou David Neres da posição que era ocupada por Neymar e logo percebeu que não se arrependeria da escolha. Saíam de seus pés as principais jogadas de ataque. Aos 31 minutos do primeiro tempo, novamente em seu estilo preferido de arrancada, da esquerda para o meio, ele marcou o terceiro gol brasileiro. Deixou a Arena Corinthians como o melhor jogador da partida. “Everton foi o goleador do Grêmio na temporada. Ele fez por merecer a oportunidade na seleção, mostrando personalidade e eficiência”, diz Tite.

O atacante é um dos símbolos de renovação da seleção brasileira. Apareceu na primeira convocação após a Copa do Mundo. Poucos minutos no amistoso contra os Estados Unidos, em setembro do ano passado, bastaram para ele apresentar seu repertório e convencer a comissão técnica de que reúne credenciais para permanecer no grupo. Por não ter medo de driblar nem dos duelos individuais com os adversários, Everton se tornou rapidamente o xodó da torcida no Brasil. Seu nome foi o mais ovacionado no último jogo, contra o Paraguai, pelas quartas de final —reconhecimento à altura do retorno à sua casa, na Arena do Grêmio.

Aos 23 anos, o jogador vive sua melhor fase na carreira. Se firmou como titular do Grêmio, definitivamente, apenas em 2018, mas já é a grande aposta do clube para faturar alto com uma nova venda para o exterior após a negociação de Arthur com o Barcelona. Dirigentes tricolores afirmam, nos bastidores, que só aceitam discutir propostas a partir de 40 milhões de euros (175 milhões de reais). Clubes como o Manchester City, de Pep Guardiola, monitoram o atacante desde o ano passado. “Ainda sou jogador do Grêmio. Não quero pensar em nada sobre negociação durante a Copa América”, afirmou depois da vitória nos pênaltis sobre o Paraguai. “Este é o melhor momento da minha vida. Preciso manter o foco no trabalho para não me deixar levar pelo sucesso.” Ele tem contrato até 2022 com o Grêmio, que prevê multa rescisória de 60 milhões de euros (260 milhões de reais).

Cebolinha personifica o que Tite acostumou-se a chamar de “extremo desequilibrante”. Um atacante que atua aberto pelos lados do campo, como os pontas de antigamente, capaz de driblar e desmantelar o equilíbrio de defesas rivais. Mesmo sem ter sido titular desde o início da competição, ele é o jogador com o melhor aproveitamento de dribles na Copa América, superando concorrentes que somam quase o dobro de minutos em campo, como Messi e Alexis Sánchez. Everton deve ganhar ainda mais protagonismo no clássico da semifinal, já que ocupa um setor problemático para os argentinos. Pelo lado direito da defesa da equipe comandada por Lionel Scaloni, surgiram todos os três gols que a Argentina levou na competição. A velocidade do jovem atacante tricolor será a arma de Tite para explorar a fragilidade dos maiores rivais.

Novamente, o Brasil disputa a semifinal de um grande torneio no Mineirão, o estádio em que sofreu a maior goleada de sua história —7 a 1 para a Alemanha. Apesar do trauma, o gramado de Belo Horizonte também traz boas recordações à seleção, especialmente em confrontos com o adversário desta terça-feira, onde os brasileiros nunca perderam para a Argentina. Em cinco jogos, um empate e quatro vitórias, incluindo o 3 a 0 pelas Eliminatórias da Copa 2018, o primeiro jogo da seleção no estádio após o vexame diante dos alemães.

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