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Tite e as duas caras do Brasil

Desde que assumiu em 2016, o técnico trabalhou a seleção para dominar e ser dominada

Tite seleção brasileira defesa
Tite dá instruções durante Brasil x México. AFP

Após a vitória contra o México (2 a 0), os jogadores brasileiros desfilaram pela zona mista com a satisfação de ter executado um plano que lhes permitiu superar um rival que gerava preocupação. Os vídeos que o treinador mostrou a eles e suas conversas descreviam uma seleção que colocaria a necessidade de jogarem recuados em seu campo, mantendo a intensidade física para fazer forte pressão em bloco alto. A resposta defensiva aos mexicanos foi consistente, porque desde que assumiu a seleção brasileira em 2016, Tite preparou seus jogadores para dominarem e serem dominados.

O Brasil é uma seleção de duas faces e as mostra conforme o que propõe o rival da vez. “Se tivermos de jogar uma partida, porque somos o Brasil, na qual temos de criar jogo e gerar espaço tocando, podemos fazer. E se é preciso jogar no contra-ataque porque o adversário fica em cima, temos jogadores que podem fazer isso”, diz Sylvinho, ex-Barcelona, membro da comissão técnica de Tite.

Com sua marcação adiantada, o México obrigou o Brasil a exibir os conceitos do futebol europeu absorvidos por Tite para evoluir como treinador. Sua execução do que Arrigo Sacci qualifica como equipes curtas foi uma das razões do sucesso do Corinthians de Tite, que agora busca aplicar esse estilo na seleção canarinho. “Esta seleção é diferente”, admite o zagueiro Miranda. “Defensivamente ela é forte, levamos poucos gols e, a qualquer momento da partida, nossos atacantes podem marcar um gol”, prossegue o jogador da Inter de Milão. Para Miranda, o Brasil está na linha que o futebol moderno demanda: “Nesta Copa as seleções estão muito bem organizadas na defesa e os ataques são velozes.”

Equipe curta

As estatísticas dizem que o Brasil só sofreu um gol em quatro jogos e que pelo menos uma vez por partida balança as redes dos rivais. “Marcamos por zona, com cada jogador defendendo de forma agressiva em seu setor. Talvez por isso bloqueamos tantas finalizações do adversário”, explicou Tite com satisfação depois da vitória sobre o México. Para Sylvinho, “o recuo”, o reposicionamento rápido dos mais virtuosos é decisivo na solidez brasileira quando adota esse perfil de contra-ataque. “Gabriel Jesus, Willian, Coutinho e Neymar dão essa possibilidade de nos juntarmos em nosso campo porque não param de correr”, afirma.

Dos jogadores que desequilibram a partida, Willian é o mais sacrificado. “Sem a bola jogamos juntos e sabemos sofrer quando temos que sofrer, como aconteceu contra o México. E quando temos a bola criamos oportunidades. Temos um bom saldo, que é o que importa”, admite o meia-atacante do Chelsea. O habilidoso Coutinho se expressa como se fosse um soldado de Tite ao descrever a dupla versão do Brasil. “Fazemos o que o treinador manda. Algumas vezes quer que a gente fique um pouco mais com a bola e em outras que a gente espere para sair no contra-ataque.”

Os porcentuais de posse de bola do Brasil não estão entre os mais altos do torneio. Contra a Suíça (1 a 1) teve 55% e contra a Costa Rica (2 a 0), 68%, seu número mais alto. No jogo com a Sérvia, a posse caiu para 57% e com o México perdeu, ficando com apenas 47%. Com exceção do jogo com a Sérvia (17), o Brasil somou pelo menos 20 finalizações. “Temos jogadores rápidos para sair no contra-ataque e que se entendem bem e transitam por espaços mais reduzidos. Uma equipe completa, que nos permite mostrar essas duas caras”, conclui Filipe Luis.

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