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Cronologia da investigação que levou à condenação do ex-presidente Lula

Sucessão de acontecimentos desde o início da Operação Lava Jato até a pena de prisão ao ex-presidente

Pessoas festejam em Curitiba a condenação de Lula.
Pessoas festejam em Curitiba a condenação de Lula.

O ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado nesta quarta-feira a nove anos e seis meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro. Esta é a sucessão de acontecimentos que levaram o ex-mandatário aos tribunais:

2014

17 e 18 de março: Começa a Operação Lava Jato

A polícia detém 17 pessoas, entre as quais Paulo Roberto Costa, diretor de Abastecimento da Petrobras entre 2004 e 2012. A operação é chamada de Lava Jato.

2015

5 de fevereiro: Interrogado o tesoureiro do Partido dos Trabalhadores

Agentes da polícia e promotores interrogam de surpresa João Vaccari Neto, tesoureiro nacional do Partido dos Trabalhadores, depois de conduzi-lo à delegacia à força desde sua casa em São Paulo, cujos muros tiveram que escalar diante da negativa do proprietário de abrir a porta. Vaccari era o cargo político mais alto interrogado até então.

6 de março: Investigação de senadores e deputados

O Supremo Tribunal Federal autoriza investigar 12 senadores e 22 deputados por corrupção na Petrobras.

19 de junho: Detido Marcelo Odebrecht

Marcelo Oderbrecht em 2015.
Marcelo Oderbrecht em 2015. REUTERS

É preso o poderoso empresário Marcelo Odebrecht, presidente da construtora que leva seu sobrenome. Será condenado a 19 anos e quatro meses de prisão.

3 de agosto: Detido um ex-ministro de Lula

Detido José Dirceu, que foi chefe de Gabinete do ex-presidente Lula. No ano seguinte será condenado a duas penas de prisão, de 20 anos e 10 meses e de 11 anos.

25 de novembro: Lula e Rousseff são implicados

O senador do Partido dos Trabalhadores Delcídio do Amaral é detido por obstrução da investigação sobre a rede corrupta da Petrobras. Amaral decide confessar e envolve na trama a então presidenta Dilma Rousseff e Lula.

2016

5 de fevereiro: A polícia investiga Lula por tráfico de influência

Um documento que a Polícia Federal entregou à Justiça informava que o ex-presidente estava sendo investigado na operação de “venda” de medidas provisórias – atos do presidente da República com caráter de urgência e força de lei, aos quais o Congresso tem de dar prioridade – que beneficiaram fabricantes de automóveis.

26 de fevereiro: Lula apresenta por escrito a sua defesa

Lula faz uma saudação da sede do PT.
Lula faz uma saudação da sede do PT. AFP

O ex-presidente brasileiro apresentou por escrito sua defesa no Ministério Público de São Paulo, que o investigava por sua implicação na trama corrupta do caso Lava Jato.

4 de março: Lula é acusado de se enriquecer com a corrupção

Lula recebeu nesse dia o golpe mais duro até então em sua carreira. Às seis da manhã da sexta-feira, a polícia chegou à casa de Lula em São Bernardo do Campo (a 20 quilômetros de São Paulo), revistou-a e o levou para depor por suposta corrupção.

9 de março: Ministério Público denuncia Lula

O Ministério Público de São Paulo denunciou o ex-presidente do Brasil por lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. Mais especificamente, o Ministério Público de São Paulo acusava Lula e sua esposa, Marisa Letícia Lula da Silva, de ocultar a propriedade de um apartamento de luxo no litoral do Estado.

Lula abraça Dilma Rousseff durante a posse como ministro.
Lula abraça Dilma Rousseff durante a posse como ministro. Getty Images

16-18 de março: De ministro a ex-ministro em um dia

Lula durou como ministro de Rousseff tão somente um dia. Em 16 de março, a então presidenta do Brasil o nomeou ministro, um cargo que lhe ofereceria proteção contra uma investigação por lavagem de dinheiro. Lula tomou posse no dia 17 e apenas um dia depois o magistrado do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes suspendeu a nomeação dele. Com isto, automaticamente lhe tirou a imunidade da qual desfrutam os ministros e devolveu, assim, o processo sobre o ex-presidente ao juiz Sérgio Moro, chefe da investigação da corrupção na petroleira estatal Petrobras e inimigo número 1 de Lula.

22 de março: Um sistema de corrupção “profissional” na Odebrecht

Os investigadores encontraram um sistema de corrupção “profissional” baseado no pagamento de subornos na construtora Odebrecht. Os responsáveis do caso Petrobras acreditam que altos executivos do grupo Odebrecht operavam um sistema de contabilidade paralelo chamado “setor de operações estruturais” para pagar os subornos, que contava até com um sistema eletrônico próprio. Oito dos executivos foram presos.

12 de maio: Temer, novo presidente do país

Michel Temer, no dia de sua posse.
Michel Temer, no dia de sua posse.

Rousseff é suspensa de seu cargo por adulterar as contas públicas, em uma causa separada. Michel Temer, vice-presidente, assume a presidência interinamente.

29 de julho: Lula é imputado por tentar subornar um acusado da Petrobras

Um juiz de Brasília acusou Lula e outras cinco pessoas pelos delitos de obstrução da justiça e de formar parte de uma trama que tentou comprar o silêncio de um dos envolvidos na rede corrupta da Petrobras, que, segundo o Ministério Público, iria denunciá-los. O Ministério Público pediu que seja imposta ao carismático político brasileiro uma pena de prisão de três a cinco anos

31 de agosto: Destituição definitiva de Rousseff

Rousseff foi destituída definitivamente pelo Senado, concluindo assim o processo de impeachment que encerrou o mandato da primeira presidente mulher do Brasil e 13 anos de governo de seu partido. Temer toma posse como presidente.

20 de setembro: Juiz leva Lula ao banco dos réus por corrupção

O juiz encarregado do caso Petrobras, Sérgio Moro, considerou que a denúncia apresentada pelo Ministério Público tinha “indícios suficientes de autoria e materialidade” e por isso acatou sua tramitação. O Ministério Público havia denunciado Lula por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ele era acusado, especificamente, de ter recebido 3,7 milhões de reais em subornos da construtora OAS que teriam sido empregados na reforma de um apartamento.

26 de setembro: detido um ex-ministro de Lula

Polícia detém Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda de Lula e ex-chefe de Governo de Rousseff.

13 de outubro; Um juiz aceita a terceira acusação contra Lula

A Justiça aceitou outra denúncia contra Lula. Os promotores solicitaram que Lula fosse condenado por crime organizado e lavagem de dinheiro (delito que, segundo os investigadores, ele cometeu 44 vezes). O caso está relacionado com as obras que a Odebrecht realizou em Angola com a ajuda de empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

10 de dezembro: Quarta acusação do Ministério Público

Lula é acusado de tráfico de influência na compra de 36 caças. O Ministério Público acredita que ele pressionou para que o Governo declarasse a empresa sueca Saab a vencedora em uma licitação para a aquisição das aeronaves.

19 de dezembro: Quinta denúncia contra Lula

O juiz aceita a quinta denúncia do Ministério Público contra o ex-presidente brasileiro, no âmbito da Operação Lava Jato, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo o promotor, aceitou subornos por intermédio do ex-ministro Antonio Palocci, atualmente na prisão.

2017

19 de janeiro: Morre o juiz relator da Lava Jato

Morre o juiz Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato no STF, na queda do pequeno avião em que viajava.

17 de abril: As revelações da Odebrecht despedaçam o mito de Lula

A delação de 78 ex-executivos da Odebrecht, que contaram às autoridades que durante anos compraram favores, contratos e leis de toda a classe política brasileira, não deixou ninguém a salvo, nem na direita nem na esquerda nem na oposição, e muito menos no Governo. Mas golpeou Lula com especial fúria, ou melhor, o mito de Lula: a aplaudida fábula de que um incorruptível limpador da administração pública, amigo dos pobres e não do dinheiro, chegou à Presidência do país entre 2002 e 2010 e tirou 30 milhões de pessoas do limite da pobreza.

28 de abril: Lula devolve presentes

Um juiz ordena que Lula devolva 26 presentes, entre os quais uma escultura de Miró, que recebeu como chefe de Estado e que, em sua opinião, teriam de estar no acervo oficial da Presidência do Brasil.

10 de maio: Lula depõe perante o juiz Moro

O ex-presidente negou as acusações de corrupção que o situariam no emaranhado do caso Petrobras, em um interrogatório de cinco horas de duração perante o juiz que investiga a trama, Sérgio Moro, na cidade de Curitiba, no Estado do Paraná. Depois do depoimento, o ex-presidente se dirigiu à praça em que cinco mil simpatizantes –segundo dados da polícia – se manifestavam em seu apoio. Posicionado sobre um palco, microfone na mão, Lula disse em referência a si mesmo: “Se a elite não sabe consertar este país, então um metalúrgico com estudo primário vai consertar".

22 de maio: Nova denúncia do Ministério Público

Lula foi de novo denunciado no âmbito da Operação Lava Jato. Nesta ocasião, os promotores o acusaram de corrupção e lavagem de dinheiro, bem como outras 12 pessoas, por supostos beneficios ilegais em uma reforma paga por duas construtoras em um sítio de Atibaia (SP) que está em nome de um amigo íntimo do expresidente.

12 de julho: Lula é condenado a nove anos e seis meses de prisão

O juiz Sérgio Moro, responsável pelo caso Petrobras na primeira instância judicial, condenou o expresidente brasileiro a nove anos e seis meses de prisão por considerá-lo culpado de ter aceitado e reformado um apartamento de três andares em uma área litorânea de São Paulo pelo valor de 3,7 milhões de reais, tudo pago pela construtora OAS em troca de contratos públicos.

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