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Distúrbios e 120 presos nos protestos contra a reforma trabalhista francesa

Dezenas de milhares de pessoas em vinte cidades participam na sétima mobilização em dois meses e meio

A rejeição da reforma trabalhista elaborada pelo Governo de François Hollande continua provocando protestos de rua. Esta quinta-feira, respondendo ao chamado de sete sindicatos, houve protestos em pelo menos vinte cidades do país. O número de manifestantes foi modesto em comparação com os protestos anteriores, mas em alguns deles ocorreram violentos confrontos. A polícia usou gás lacrimogêneo em Paris e Nantes e alguns manifestantes destruíram mobiliário urbano e quebraram algumas vitrines. Foram feridos 24 policiais, três deles gravemente em Paris, de acordo com o ministro do Interior. Bernard Cazeneuve. A polícia prendeu cerca de 120 manifestantes.

França: Manifestação contra a reforma trabalhista em Paris, nesta quinta-feira. ATLAS

A reforma trabalhista do Governo francês foi apresentada em fevereiro passado e, desde então, os protestos continuaram, apesar de que o projeto foi suavizado para reduzir sua rejeição social. A manifestação de hoje é a sétima organizada em menos de três meses. As marchas foram especialmente importantes em Nantes, Rennes, Le Havre, Lyon e Paris, embora muitos estudantes continuem de férias no país. A polícia calculou em 50.000 pessoas a participação em todo o país – dez vezes mais, segundo a central sindical CGT –, dos quais cerca de 15.000 participaram na capital. Alguns dos enfrentamentos, muito violentos em Paris, ocorreram fora da manifestação.

Na terça-feira da próxima semana começa o debate da reforma no Parlamento. As concessões feitas pelo governo à chamada lei Khomri (pelo nome da ministra do Trabalho) foram importantes. Na verdade, os empregadores, que a aplaudiram no início, agora a rejeitam e pedem um ambiente mais favorável às pequenas e médias empresas. Para os sindicatos, continua sendo uma reforma que favorece, fundamentalmente, as empresas. O projeto visa facilitar as demissões e reduzir as indenizações para promover o emprego. Desde fevereiro, para reduzir a tensão gerada, o Governo propôs penalizar os contratos temporários para favorecer a contratação por tempo indefinido, renunciou a colocar um limite às indenizações e aprovou novas ajudas aos jovens para promover a entrada no mercado de trabalho.

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