ESPANHA

Rei pede que líder do socialista PSOE tente formar Governo na Espanha

Objetivo de Felipe VI é sair de impasse que dura desde as eleições de 20 de janeiro

O socialista Pedro Sánchez.
O socialista Pedro Sánchez.JuanJo Martin (EFE)

O rei Felipe VI, da Espanha, deu nesta terça-feira um impulso ao bloqueado processo de formação de Governo no seu país, ao propor ao líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), Pedro Sánchez, que tente compor um gabinete, já que o atual primeiro-ministro, Mariano Rajoy, não obteve os apoios que esperava reunir antes da segunda rodada de contatos com o chefe de Estado. Sánchez iniciará imediatamente a tarefa de tentar aglutinar uma maioria parlamentar que impulsione um Governo “de progresso e reformista”, sem descartar nenhum partido político.

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Por enquanto, Felipe VI, que poderia ter aberto outro período de reflexão para que os partidos procurassem uma saída sozinhos, decidiu não prolongar mais a situação de paralisia e optou por dar uma oportunidade a Sánchez.

O líder do PSOE, como já esperasse por isso desde o começo, esperou que Rajoy, candidato do Partido Popular, dono da maior bancada formada na eleição de 20 de dezembro, tomasse a iniciativa e buscasse alianças que sustentassem um novo mandato. Entretanto, o Rei nem sequer fez essa oferta ao candidato do PP, quando o socialista já havia exposto a Felipe VI sua disponibilidade condicional. “Transmiti ao Rei que o Partido Socialista está disposto. Se o senhor Rajoy renunciar ao que entendemos ser sua obrigação, o PSOE dará um passo à frente e tentará formar o Governo e tirar a democracia espanhola e suas instituições desta situação de bloqueio”, afirmou.

Sánchez começará imediatamente a tarefa de tentar somar uma maioria parlamentar com todas as formações, inclusive o PP. Desde que o resultado eleitoral desenhou um cenário sem maiorias claras, o PP recrimina o PSOE por não ter facilitado, com sua abstenção na Câmara, um “Governo de estabilidade” que respeitasse os sete milhões de votos dados aos populares. Rajoy em várias ocasiões repetiu que Sánchez se negou a conversar.

Na tarde desta terça-feira, Rajoy, agora premiê-interino, reiterou sua proposta de um Governo do PP apoiado pelo PSOE e pelo Cidadãos, contrapondo-se à alternativa de uma “aliança heterogênea e experimental” da esquerda, apoiada por independentistas catalães e bascos. A proposta de Rajoy nesta terça foi idêntica à de 11 dias antes: esperar até reunir os apoios. O Rei, no entanto, diferentemente do que fez na audiência anterior, não lhe ofereceu a chance de formar um gabinete.

Depois da audiência de Felipe VI com Rajoy, a Casa do Rei convocou o presidente do Congresso, Patxi López, para que o monarca lhe comunicasse a decisão. O presidente do Congresso dos Deputados, depois de conversar com Sánchez para saber de quanto tempo precisaria para tentar os acordos, relatou que o líder socialista lhe pediu entre três semanas e um mês para negociar. Depois desse prazo – que em 1996 foi de duas semanas –, López convocará as lideranças partidárias para determinar a data da sessão de nomeação. “É razoável ter este tempo prudencial. Também é preciso levar em conta que os acordos precisam ser consultados com as bases de ambos os partidos”, observou López.

Segundo López, que voltou ao Congresso para relatar a seus pares a decisão do Rei, Felipe VI telefonou a Sánchez para comunicar sua decisão, depois de se reunir com Rajoy e constatar que ele não teria os apoios necessários para tomar posse.